Mês: Outubro 2012

23 de Novembro: Que possibilidades para a democracia directa?


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http://tertulialiberdade.blogspot.pt/2012/10/2-conferenciadebate-do-ciclo-cidadania.html

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Pedagogia Libertária: educar para a liberdade


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A escola infantil  Paideia começou a funcionar em Mérida em 1978. É uma escola de referência da pedagogia libertária a dois passos do Alentejo. Inspira-se nas ideias do pedagogo anarquista Francisco Ferrer y Guardia fuzilado em Montjuich (Barcelona), em 1909, tendo havido violentos e massivos protestos em Portugal pela sua execução.

Hoje as suas ideias permanecem vivas e actuais. Francisco Ferrer defendia que a educação deve permitir a que cada um de nós possa “aspirar a viver vidas múltiplas numa só vida“. Agostinho da Silva, enquanto livre pensador, partia também de pressupostos muito idênticos

Educação como transformação

Existem três grupos de entendimento da educação na sociedade: educação como redenção, educação como reprodução e educação como transformação. A pedagogia libertária, assim como as demais pedagogias progressistas, segue a tendência filosófico-política da educação como transformação da sociedade.

A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos, num sentido libertário e autogestionário (a escola institui, com base na participação dos grupos, mecanismos instituicionais de mudança, através de assembléias, conselhos, eleições, reuniões e associações).

Pedagogia Libertária e as Matérias Escolares

As matérias são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. São um instrumento a mais, porque o que realmente é importante para a pedagogia libertária é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo. O método de ensino, portanto, dá-se na vivência grupal, é na forma de autogestão que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria aprendizagem, sem qualquer forma de poder. Trata-se de colocar nas mãos do aluno tudo o que for possível. Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência das suas necessidades ou das do grupo.

Pedagogia Libertária e o Papel do Professor e do Grupo

A pedagogia libertária considera desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças. Nesse sentido, o professor deve pôr-se ao serviço do aluno sem impor as suas concepções e ideias, sem fazer do aluno um “objecto”, e deve-se  misturar ao grupo para uma reflexão em comum.

Toda essa liberdade de decisão tem um sentido bem claro. Se um aluno resolve não participar, fá-lo porque não se sente integrado, mas o grupo tem responsabilidade sobre esse facto e tem que colocar a questão em discussão.

Pedagogia Libertária e a Avaliação 

O critério de relevância do saber é o seu possível uso prático. Por isso mesmo não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem e ainda menos em termos de conteúdos.

Pedagogia Libertária e o Anarquismo

A pedagogia libertária abrange quase todas as tendência anti-autoritárias em educação, dentre elas a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos e também a dos professores progressistas.

Principais Referências

Neil e Rogers são grandes influenciadores de libertários como Lobrot. Particularmente significativo é o trabalho de Célestin Freinet, que tem sido muito estudado, existindo muitas escolas no Brasil que aplicam o seu método.

Escolas Célebres

“Paideia” Escola Livre (a funcionar em Mérida) (web aqui)

Orfanato Cempuis (1880 – 1894), de Paul Robin

O movimento das Escolas Modernas (1901 – 1953), iniciado por Francesc Ferrer y Guàrdia

A Colméia (1904 – 1917), de Sébastien Faure

Summerhill (1921 – atual), de A.S. Neill

Ver também (na wikipedia)

Portal de educação

Escola Moderna

Francisco Ferrer

Pedagogia Libertadora (ou Pedagogia da Libertação – Paulo Freire)

[Rodrigo] (com Wikipedia)

A acção directa: o que distingue os anarquistas dos autoritários


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Faixa anarco-sindicalista (AIT) no cerco ao parlamento, em Lisboa, a 15 de Outubro

Acção directa: É uma forma de activismo que usa métodos mais imediatos para produzir mudanças desejáveis ou impedir práticas indesejáveis na sociedade, em oposição a meios indirectos, tais como a eleição de representantes políticos, que prometem soluções para uma data posterior.

Existem muitas “ferramentas” para pôr em prática a acção directa, entre as quais se salientam:

Greves / Boicotes/ Ocupações dos locais de trabalho/ braços caídos/ Sabotagem/ Corte de estradas / Autogestão de Fabricas e Empresas/ Desobediência Civil / Desobediência Fiscal / Ocupação de casas e espaços abandonados/ Dias ou semanas de «Não Consumo»/Promover a democracia direta /Mercados alternativos de trocas de bens e serviços, etc…

Anarquismo é diversidade


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Ao contrário das ideologias autoritárias, de esquerda ou de direita, que estabelecem um conjunto de regras rígidas, uma espécie de teologia, que faz com que nesses grupos seja habitual as “traições”, as “expulsões”,  os “revisionismos”, no anarquismo isso não existe. O anarquismo aceita a pluralidade de ideias e maneiras de as expressar, desde que assentes em premissas claras, baseadas na livre organização, no respeito pela liberdade individual e colectiva e na recusa das relações de poder sejam elas económicas, sociais ou políticas.

Por isso todas as manifestações do anarquismo convivem em salutar fraternidade, desde o individualismo ao anarcosindicalismo; do comunismo libertário à ecologia ou aos novos movimentos ligados à alimentação ou ao bem estar animal, passando pelo anarcofeminismo ou pelo punk de raiz anarquista. São várias maneiras de, cada um de nós, participar na vida  colectiva e assumir o seu papel  na construção de uma vida diferente.

Crise? É o sistema capitalista que está em crise.


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Nos últimos  anos, a pretexto da crise, os trabalhadores portugueses e europeus têm visto o seu nível de vida diminuir e perdido direitos, que pareciam definitivamente assegurados pelo capitalismo e pela sociedade de “bem estar”, tão relevantes como o acesso à saúde, ao emprego, à cultura, à reforma.

Hoje a crise é do próprio sistema capitalista que, como facilmente se percebe, não consegue responder às necessidades da sociedade actual nem encontrar soluções para dar respostas aos cenários que foi construindo: uma economia paralisada, uma dívida que, como está a ser gerida, nunca mais vai conseguir ser paga, os mais elementares direitos de quem trabalha postos de lado, fazendo de todos nós “carne para canhão” da voragem capitalista.

A nível europeu, parece claro que aqueles que nos trouxeram até este autêntico retrocesso civilizacional, que tem sido a marca dos últimos anos, não  estão em condições de se apresentarem como solução, uma vez que eles e as suas políticas são parte do PROBLEMA, nalguns casos. Noutros são eles o próprio PROBLEMA.

Impõem-se, por isso, novas alternativas e novas propostas políticas e sociais, construídas a partir da base, das fábricas, das escolas, das empresas, da rua,  dos bairros, discutidas em assembleias alargadas, com  a menor delegação de poderes possível.

Novas alternativas que ponham fim à exploração, ao medo, à corrupção, ao autoritarismo e que tragam em si as sementes duma nova sociedade mais igualitária.

Rodrigo

Manifesto do Colectivo Libertário de Évora


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Um grupo de cidadãs e de cidadãos, homens e mulheres, reunidos em Évora, decidiu constituir-se em colectivo de reflexão e de acção como resposta à constante violação e limitação dos seus direitos e liberdades individuais e colectivas, bem como à constante diminuição da qualidade de vida e de perspectivas de futuro que a maioria dos trabalhadores, estudantes, desempregados, reformados ou simplesmente desocupados hoje enfrentamos.

Face à crise generalizada do capitalismo, e depois de morto o modelo das “democracias populares”, que mais não foi do que uma outra forma do capitalismo sobreviver ancorado na ideologia do Estado todo poderoso, é preciso reencontrar alternativas que, aliás, estiveram desde sempre na prática e na teoria dos sectores mais interventivos do movimento social e operário em todo o mundo.

As experiências autogestionárias, de acção directa, baseadas nas assembleias de base, com o mínimo possível de delegação de poderes, assentes no livre pensamento e na absoluta liberdade de organização, preferencialmente em rede e a partir da base, mantêm todo o seu carácter de inovação e de radicalidade.

É preciso voltar a colocar sobre a mesa questões como o poder e as relações de poder; o Estado; o salariato; a luta de classes. Reenquadrar a ecologia no contexto global da espécie humana e não apenas em termos de ambiente. Debater a violência e o pacifismo. Perceber como se pode passar de uma sociedade totalitária, onde o poder político e económico agem apenas em função do lucro e não da satisfação das necessidades do conjunto da humanidade, para uma sociedade assente na fruição e na utilização da imensa capacidade tecnológica hoje existente de modo a acabar com o fosso entre ricos e pobres, entre fartos e esfomeados, entre os que têm acesso à generalidade dos bens de consumo e os que deles estão totalmente excluídos, entre os que detêm o poder e aqueles que são totalmente despossuídos de qualquer grau de influência.

É preciso pensar e perceber o que são os chamados índices de felicidade ou de conforto e de que maneira, cada ser humano, enquanto tal, pode e deve participar, no chamado “banquete da vida”, de que hoje muitos milhões de seres humanos são, logo à nascença, postos à margem.

Queremos perceber também ao detalhe esta sociedade em que nos integramos. Alentejanos e eborenses consideramos ter muitas palavras a dizer no contexto local, fora dos confrontos da política partidária, onde a natureza dos interesses em jogo é quase sempre idêntica e pouco transformadora. Partindo desta nossa realidade sabemo-nos e sentimo-nos cidadãos do mundo, cosmopolitas, e queremos trazer também até ao espaço que habitamos novas experiências, outras ideias, formas diferentes de sonhar o futuro.

Não nos resignamos ao cardápio das ideias feitas, prontas a consumir, no “self-service” partidário. Fiéis à velha máxima da velha Associação Internacional de Trabalhadores de que a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores ou não o será, consideramos que todos, organizados e intervenientes, temos uma palavra a dizer na condução das nossas vidas e na construção de espaços de encontro e de ruptura com a apatia social e o imobilismo político que parecem caracterizar os dias que correm.

É contra isso que nos batemos e é contra isso que nos vamos bater. A favor de uma vida que valha, de facto, a pena viver. E não a sobrevida que o capitalismo (nas suas mais variadas formas) nos tem para oferecer.

Por tudo isto, prometemos não ficar parados e rasgar novas janelas na imensa planície das ideias e das práticas e convidamos quem esteja de acordo e solidário com este manifesto a juntar a sua à nossa voz.

Colectivo Libertário de Évora

Outubro/2012

Todos na Greve Geral de 14 de Novembro


Consideramos que a greve geral ibérica marcada para o dia 14 novembro é importante, sobretudo porque junta, pela primeira vez, numa jornada de luta trabalhadores de um e de outro lado da fronteira e porque a esta convocatória, promovida pelos sindicatos do sistema (CGTP, em Portugal, e CCOO e UGT, em Espanha), se associaram sindicatos e organizações de trabalhadores que contestam o sistema de exploração que rege a actual sociedade, tais como a CNT, a CGT e inúmeros colectivos anti-capitalistas e anti-autoritários

No entanto,  a luta  contra a austeridade, contra a degradação das condições de vida, contra a miséria e por outro modelo de sociedade, não pode acabar aqui.  A luta tem que continuar todos os dias até  que este regime económico fascista, encoberto pelo manto da democracia, seja finalmente derrotado. Está em jogo o futuro das nosso vidas.

Cidadãos, acordai! Chegou a hora de lutarmos todos os dias e em cada lugar onde possa ser combatida esta doença chamada capitalismo. Está nas tuas mãos mudar o rumo.

Organiza-te, luta, resiste!