Dia: Outubro 30, 2012

Pedagogia Libertária: educar para a liberdade


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A escola infantil  Paideia começou a funcionar em Mérida em 1978. É uma escola de referência da pedagogia libertária a dois passos do Alentejo. Inspira-se nas ideias do pedagogo anarquista Francisco Ferrer y Guardia fuzilado em Montjuich (Barcelona), em 1909, tendo havido violentos e massivos protestos em Portugal pela sua execução.

Hoje as suas ideias permanecem vivas e actuais. Francisco Ferrer defendia que a educação deve permitir a que cada um de nós possa “aspirar a viver vidas múltiplas numa só vida“. Agostinho da Silva, enquanto livre pensador, partia também de pressupostos muito idênticos

Educação como transformação

Existem três grupos de entendimento da educação na sociedade: educação como redenção, educação como reprodução e educação como transformação. A pedagogia libertária, assim como as demais pedagogias progressistas, segue a tendência filosófico-política da educação como transformação da sociedade.

A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos, num sentido libertário e autogestionário (a escola institui, com base na participação dos grupos, mecanismos instituicionais de mudança, através de assembléias, conselhos, eleições, reuniões e associações).

Pedagogia Libertária e as Matérias Escolares

As matérias são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. São um instrumento a mais, porque o que realmente é importante para a pedagogia libertária é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo. O método de ensino, portanto, dá-se na vivência grupal, é na forma de autogestão que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria aprendizagem, sem qualquer forma de poder. Trata-se de colocar nas mãos do aluno tudo o que for possível. Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência das suas necessidades ou das do grupo.

Pedagogia Libertária e o Papel do Professor e do Grupo

A pedagogia libertária considera desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças. Nesse sentido, o professor deve pôr-se ao serviço do aluno sem impor as suas concepções e ideias, sem fazer do aluno um “objecto”, e deve-se  misturar ao grupo para uma reflexão em comum.

Toda essa liberdade de decisão tem um sentido bem claro. Se um aluno resolve não participar, fá-lo porque não se sente integrado, mas o grupo tem responsabilidade sobre esse facto e tem que colocar a questão em discussão.

Pedagogia Libertária e a Avaliação 

O critério de relevância do saber é o seu possível uso prático. Por isso mesmo não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem e ainda menos em termos de conteúdos.

Pedagogia Libertária e o Anarquismo

A pedagogia libertária abrange quase todas as tendência anti-autoritárias em educação, dentre elas a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos e também a dos professores progressistas.

Principais Referências

Neil e Rogers são grandes influenciadores de libertários como Lobrot. Particularmente significativo é o trabalho de Célestin Freinet, que tem sido muito estudado, existindo muitas escolas no Brasil que aplicam o seu método.

Escolas Célebres

“Paideia” Escola Livre (a funcionar em Mérida) (web aqui)

Orfanato Cempuis (1880 – 1894), de Paul Robin

O movimento das Escolas Modernas (1901 – 1953), iniciado por Francesc Ferrer y Guàrdia

A Colméia (1904 – 1917), de Sébastien Faure

Summerhill (1921 – atual), de A.S. Neill

Ver também (na wikipedia)

Portal de educação

Escola Moderna

Francisco Ferrer

Pedagogia Libertadora (ou Pedagogia da Libertação – Paulo Freire)

[Rodrigo] (com Wikipedia)

A acção directa: o que distingue os anarquistas dos autoritários


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Faixa anarco-sindicalista (AIT) no cerco ao parlamento, em Lisboa, a 15 de Outubro

Acção directa: É uma forma de activismo que usa métodos mais imediatos para produzir mudanças desejáveis ou impedir práticas indesejáveis na sociedade, em oposição a meios indirectos, tais como a eleição de representantes políticos, que prometem soluções para uma data posterior.

Existem muitas “ferramentas” para pôr em prática a acção directa, entre as quais se salientam:

Greves / Boicotes/ Ocupações dos locais de trabalho/ braços caídos/ Sabotagem/ Corte de estradas / Autogestão de Fabricas e Empresas/ Desobediência Civil / Desobediência Fiscal / Ocupação de casas e espaços abandonados/ Dias ou semanas de «Não Consumo»/Promover a democracia direta /Mercados alternativos de trocas de bens e serviços, etc…

Anarquismo é diversidade


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Ao contrário das ideologias autoritárias, de esquerda ou de direita, que estabelecem um conjunto de regras rígidas, uma espécie de teologia, que faz com que nesses grupos seja habitual as “traições”, as “expulsões”,  os “revisionismos”, no anarquismo isso não existe. O anarquismo aceita a pluralidade de ideias e maneiras de as expressar, desde que assentes em premissas claras, baseadas na livre organização, no respeito pela liberdade individual e colectiva e na recusa das relações de poder sejam elas económicas, sociais ou políticas.

Por isso todas as manifestações do anarquismo convivem em salutar fraternidade, desde o individualismo ao anarcosindicalismo; do comunismo libertário à ecologia ou aos novos movimentos ligados à alimentação ou ao bem estar animal, passando pelo anarcofeminismo ou pelo punk de raiz anarquista. São várias maneiras de, cada um de nós, participar na vida  colectiva e assumir o seu papel  na construção de uma vida diferente.

Crise? É o sistema capitalista que está em crise.


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Nos últimos  anos, a pretexto da crise, os trabalhadores portugueses e europeus têm visto o seu nível de vida diminuir e perdido direitos, que pareciam definitivamente assegurados pelo capitalismo e pela sociedade de “bem estar”, tão relevantes como o acesso à saúde, ao emprego, à cultura, à reforma.

Hoje a crise é do próprio sistema capitalista que, como facilmente se percebe, não consegue responder às necessidades da sociedade actual nem encontrar soluções para dar respostas aos cenários que foi construindo: uma economia paralisada, uma dívida que, como está a ser gerida, nunca mais vai conseguir ser paga, os mais elementares direitos de quem trabalha postos de lado, fazendo de todos nós “carne para canhão” da voragem capitalista.

A nível europeu, parece claro que aqueles que nos trouxeram até este autêntico retrocesso civilizacional, que tem sido a marca dos últimos anos, não  estão em condições de se apresentarem como solução, uma vez que eles e as suas políticas são parte do PROBLEMA, nalguns casos. Noutros são eles o próprio PROBLEMA.

Impõem-se, por isso, novas alternativas e novas propostas políticas e sociais, construídas a partir da base, das fábricas, das escolas, das empresas, da rua,  dos bairros, discutidas em assembleias alargadas, com  a menor delegação de poderes possível.

Novas alternativas que ponham fim à exploração, ao medo, à corrupção, ao autoritarismo e que tragam em si as sementes duma nova sociedade mais igualitária.

Rodrigo