Mês: Novembro 2012

Anarquia! Liberdade!


CNT, 1977: um comício histórico

Mal saiu da clandestinidade, a CNT realizou em Março de 1977 um comício com milhares de pessoas em San Sebastian de los Reyes (Madrid), embora o primeiro comicio da organização sindical (ainda não legalizada) tenha sido em outubro de 1976 na cidade de Mataró.

filmes libertários:

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Contra a violência na Faixa de Gaza: vigília hoje entre as 18 e as 20 horas na Praça do Giraldo (Évora)


“A incursão e o bombardeamento de Gaza não tem como objectivo destruir o Hamas. Não se trata de parar o lançamento de foguetes contra Israel, não se trata de alcançar a paz. A decisão israelita de lançar a morte e a destruição em Gaza, de usar armamento de guerra moderno, altamente letal, sobre uma grande população civil indefesa, é a fase final de uma campanha de décadas para uma limpeza étnica dos palestinianos.

Israel usa jactos sofisticados e navios de guerra para bombardear intensamente campos de refugiados, escolas, blocos de apartamentos, mesquitas e bairros de lata, para atacar uma população que não tem força aérea, nem defesa aérea, nem marinha, nem armas pesadas, nem unidades de artilharia, nem armamento mecanizado, nem comando de controle, nem exército.  E ainda chamam a isso guerra. Isso não é guerra, é um genocídio.

Quando os israelitas nos territórios ocupados afirmam que têm que se defender, estão-se a defender da mesma maneira que qualquer ocupante militar tem que se defender contra a população que está a esmagar. Ninguém se pode defender quando está a ocupar militarmente a terra de alguém. Isso não é defesa. Chame-se como quiser, mas não é defesa”.

 Noam Chomsky, professor, linguista, activista libertário norte-americano

Aqui: http://www.facebook.com/africa.to.gaza.aid.convoy

Vigília em Évora: https://www.facebook.com/events/381400165275688/

e.m.

Anarquismo: o triplo “esquecimento”


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Assisti esta tarde à mesa-redonda sobre Gonçalves Correia na Universidade de Évora. Sala cheia de jovens estudantes que ali estavam apenas por obrigação curricular, depois de terem visitado a exposição, e que saíram mal tiveram oportunidade (e que motivaram o comentário de um dos participantes, expresso na caixa de comentários de um post do acincotons).
Restaram na sala, na parte final, uma quinzena de pessoas interessadas. Muito interessadas. Eu fui uma delas. Fui levado pelas palavras de Francisca Bicho, de Cuba, antiga professora do secundário, responsável pela exposição “Gonçalves Correia: a utopia de um cidadão” e “apaixonada” (como disse) pela figura de Gonçalves Correia. Gostei do tom caloroso, da importância que conferiu a esta personalidade e à força dos ideais anarquistas que lhe eram estruturais. Gostei também da intervenção de Paulo Guimarães, professor da UE, e cuja tese de mestrado se centrou no no estudo do movimento operário no Baixo Alentejo durante a 1ª República. Paulo Guimarães falou dos vários “esquecimentos” a que o anarquismo português foi votado ao longo do Estado Novo e do pós 25 de Abril. Perseguidos, presos, mortos, os anarquistas e o anarquismo, enquanto força predominante no movimento operário durante a primeira República, foi quase por completo destruído durante o primeiro período do regime fascista. Depois foi propositadamente esquecido e, após o 25 de Abril, completamente ignorado e proscrito e os seus principais vultos quase por absoluto riscados da história do movimento operário em Portugal. De forma propositada para que outras ideologias e correntes fizessem o seu aparecimento na cena politico-social.
No fim ficou a “quase promessa” de Francisca Bicho – que continua a estudar  e a procurar novos textos de Gonçalves Correia – de poder editar um livro sobre este anarquista e de António Cândido Franco ter sugerido a realização em Cuba de um Congresso Internacional sobre o anarquismo e Gonçalves Correia, em 2016, quando se comemoram 100 da publicação nesta vila  do jornal “A Questão Social”.
Finda a mesa-redonda, ela soube a pouco. Há que repetir este tipo de conversas, noutros meios e com mais gente. É que quanto mais se conhece a envergadura de homens e revolucionários sociais (não políticos) como Gonçalves Correia, Elias Matias, José Cebola ou Artur Modesto (todos alentejanos) bem pequenos parecem os exemplos construídos a partir do nada, para o martirológio a que as correntes autoritárias nos habituaram. E cujos nomes nem vale a pena referir.
cj

Durruti


Buenaventura Durruti morreu em Madrid, quando se dirigia para a frente, para combater contra o exército de Franco, a 20 de Novembro de 1936, faz hoje 76 anos. Em português existe uma belissima biografia de Durruti “O Povo em Armas”, de Abel Paz, traduzida por Júlio Carrapato. Fica aqui, em sua homenagem, o único registo que sobreviveu de um seu discurso num comício da CNT. Com legendas em inglês.

Na Universidade de Évora, esta terça-feira: mesa redonda – “Gonçalves Correia: a utopia de um cidadão”


Vai realizar-se na Universidade de Évora uma Mesa redonda, subordinada ao tema “Gonçalves Correia: a utopia de um cidadão” (nome da exposição que pode ser vista na UE até ao fim do mês sobre a vida e obra do anarquista alentejano Gonçalves Correia)

A mesa redonda vai ter lugar esta terça-feira, 20 de novembro de 2012, pelas 16 horas, na sala 124 do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora.

Participantes:

Prof. António Cândido Franco (DLL-UE)
Prof. Paulo Guimarães (DH-UE)
Dr.ª Paula Santos (Diretora da Biblioteca Municipal de Beja)
Dr.ª Francisca Bicho (responsável pela exposição Gonçalves Correia: a utopia de um cidadão)
Prof.ª Sara Marques Pereira (Diretora da Biblioteca Geral da Universidade de Évora)

Informação aqui: http://www.ueline.uevora.pt/agenda/(item)/5085

AIT/SP: Sobre a carga policial em São Bento


No dia 14 de Novembro, na maior manifestação em dia de greve geral, os chefes da polícia, o ministro da administração interna e outros políticos tentaram justificar a carga policial sobre os manifestantes em São Bento, dizendo que as “forças de segurança” tinham sido muito tolerantes porque durante mais de uma hora “com serenidade e firmeza” levaram com pedras e garrafas atiradas por “meia dúzia de profissionais da provocação”.

Houve várias pessoas a atirar pedras e outros objectos ao cordão policial que defendia o Parlamento e não só eram bem mais do que meia dúzia, como muitos outros permaneceram por ali bastante tempo, sem arredar pé.

Também é verdade que houve uma carga violentíssima sobre os manifestantes, homens, mulheres, idosos, crianças, tudo o que se mexia foi varrido, atirado ao chão, ameaçado com gritos e balas de borracha. Houve ainda uma perseguição por várias ruas, onde se prenderam pessoas indiscriminadamente. Dezenas de pessoas foram identificadas sem saberem porquê. Nas esquadras não lhes foi dada a possibilidade de falar com um advogado, ir ao wc ou até de receber assistência médica.

Sobre a repressão policial temos apenas a dizer o seguinte: violência não é atirar pedras contra o corpo de intervenção, protegido com os seus fatos especiais, capacetes, escudos, cassetetes e armas. Violência não é a revolta de quem trabalha e não tem dinheiro suficiente para viver, de quem nem trabalho tem e desespera à procura, de quem passa fome, dos idosos que vêem as suas pensões reduzidas, de quem não explora ninguém e vive uma vida inteira a ser explorado pelos mesmos de sempre: políticos, banqueiros e empresários. Violência não é atacar a polícia quando esta defende o sistema ao qual pertence: o Estado, esse mesmo Estado que concedeu um aumento salarial de 10% para as forças de intervenção enquanto milhares de pessoas vivem em pobreza e outros para lá caminham.

Violência não é gritar palavrões contra os agentes policiais quando eles escolheram estar ali, especialmente os do corpo de intervenção. A polícia só existe para manter a ordem pública. E manter a ordem pública não é mais que evitar quaisquer acções que possam perturbar o sono dos ricos e poderosos.

Para nós violência é passar fome. Violência é 561 postos de trabalho serem destruídos todos os dias e 500 mil pessoas não terem qualquer apoio social. Violência é os 25 mais ricos de Portugal crescerem 17,8% em 2011 face ao ano anterior. Violência é passar toda a vida a trabalhar por um salário, apenas para sobreviver. Violência é ter de cumprir ordens sem nunca podermos ser nós a decidir como queremos viver. Violência são os ataques diários da polícia nos bairros sociais, violência é a detenção de imigrantes que procuram uma vida melhor, violência é prender pessoas por roubar algo para comer, violência é não poderes ir por ali porque está a Merkel a passar, não poderes ir por acolá porque é o parlamento onde se encontram seguros os governantes, não poderes passar porque simplesmente os polícias te gritam que tens de te ir embora se não queres levar um tiro. Violência foi a morte à queima roupa do Kuku na Amadora, os ataques da polícia contra os piquetes de greve, as balas de borracha numa manifestação no 1º de Maio em Setúbal, a carga brutal ontem em São Bento como em tantas outras situações. Que se desiludam aqueles que pensam que são as “pedradas” que causam alguma coisa, a violência policial em manifestações é uma constante, sobretudo se não houver televisões por perto a filmar.

A violência policial é a violência ordenada pelo sistema em que vivemos, em que uns têm tudo e outros sofrem na miséria. É a violência do Estado e do Capital. É a violência que irá crescer aqui em Portugal e em todos os lugares onde os governantes e os ricos tenham medo da revolta dos pobres.

Mas eles que não se esqueçam que não nos podem matar a todos. Não nos podem prender a todos. Haverá sempre quem resista. Quem volte. Com pedras ou sem pedras, haverá sempre quem lute contra os polícias armados, pois onde houver luta pela justiça e igualdade, haverá sempre cães de guarda a defender o dono.

Levamos um mundo novo nos nossos corações, e os golpes que nos desferem só nos fazem acreditar mais na justeza dos ideais e das formas de luta que defendemos.

Contra a repressão, solidariedade! Contra a exploração, acção directa!
Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a crise!

16/11/2012
Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa
Núcleo de Lisboa

Uma visão sobre a Greve Geral de 14N


Com o aumento das dificuldades socioeconómicas que actualmente vivemos, a greve geral que se estendeu pela europa mostrou claramente que os povos estão a ganhar cada vez mais força na luta contra os estados e a máquina capitalista.

Em Lisboa, como em outras cidades europeias, houve uma forte adesão de trabalhadores(as) e desempregad@s que decidiram efectivamente ir à luta, e para o povo a luta não é apenas paralisar serviços mas sim atacar directamente a raiz do mal.

A actuação da polícia nessas cidades onde se lutou foi sem dúvida lamentável, que apesar das ridículas declarações de Miguel Macedo (ministro da administração interna) quando disse que eram apenas meia dúzia de arruaceiros profissionais que estavam a atirar pedras, a polícia deteve cerca de 15 pessoas, e varreu à bastonada homens, mulheres, crianças e idosos das ruas perto e longe da assembleia, fazendo perseguições pelas ruas, inclusive até ao cais do sodré, e deixando um rasto de destruição por onde passou.

Já Arménio Carlos (secretário geral da CGTP) deu uma entrevista onde se pode dizer que “para tar a dizer merda, mais valia tar calado”, declarando que acha lamentável que as pessoas tenham atirado pedras à policia na luta pelos seus direitos, ou seja, para o dirigente sindical a greve é uma coisa apenas para sindicalistas e sindicalizados, e a única “luta” correcta é a organizada pela CGTP.

A comunicação social fez também um belíssimo trabalho do ponto de vista governamental, onde jornalistas davam descrições depreciativas da actuação da população como por exemplo dizer que este é um “cenário nada dignificante”… “Nada dignificante” é não ter o que comer e ser posto da rua da sua própria habitação!!! Era bom que os jornalistas da comunicação social aprendessem a relatar as coisas sem tomarem partidos.

Cá por Évora bastantes serviços estiveram paralisados, no entanto pelas ruas da cidade as esplanadas estavam cheias de gente que fez greve mas que decidiram dedicar este dia ao consumo em massa, obrigando a um contra-balanço do efeito da greve que sendo assim até os capitalistas agradecem.

O desfile da CGTP correu como era de esperar sem incidentes e terminou com um discurso de 10 minutos na praça do giraldo que falava dos números da greve. Após esse discurso os sindicalistas recolheram as bandeiras e partiram enquanto trocavam uns sorrisos curiosos com o gangue do bastão…

No jardim das canas foi feita uma concentração anti-capitalista de carácter semelhante às concentrações dos movimentos indignados juntando algumas pessoas ao final da tarde.

Em conclusão, apesar da greve ser uma forma de luta importante, muit@s trabalhadores(as) voltam amanhã para os trabalhos extremamente frustrad@s pois não parece ter sido alcançado nenhum dos objectivos que @s levaram à luta. Ainda assim, um grande bem-haja a quem participou! Insistiremos, pois um dia será o nosso dia!

Baltazar Bresci