Elias Matias, uma referência no anarquismo alentejano


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Fotografia de Elias Matias tirada por Inácio Martinho, um fotografo profissional de Évora.  Esta fotografia de Elias Matias, operário sapateiro e militante anarquista eborense, foi entregue pelo próprio ao Arquivo Histórico-Social, criado pelo Centro de Estudos Libertários, reunido em Lisboa nos anos 1980-1987 e depositado na Biblioteca Nacional. (agora disponibilizada no projecto MOSCA – http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php  )

Em Évora ainda há pessoas que se recordam de Elias Matias, um velho militante anarquista, operário sapateiro, falecido em 1990, a poucos meses de fazer os 102 anos. Encontrei-me com Elias Matias algum tempo depois do 25 de Abril de 1974, quando um grupo de jovens, entre os quais me encontrava, rumou a Évora e ao Alentejo. Aqui em Évora estivemos com Elias Matias, de quem trazíamos o contacto, numa altura em que, já reformado e com quase 90 anos, passava o seu tempo livre ajudando num pequeno café. Alguns de nós apresentámo-nos como anarquistas e Elias Matias, muito simpático, contou-nos algumas passagens do movimento de trabalhadores na I República e as diferenças  com o momento que então se vivia, em que predominavam os partidos políticos e não os movimentos de trabalhadores. No final, recordo-me, “como são camaradas”, fez-nos um pequeno desconto no que tínhamos consumido.

Infelizmente nunca mais tive oportunidade de estar com Elias Matias, um elemento preponderante na difusão e na organização anarquista na região de Évora durante várias décadas e com uma grande influência na organização dos trabalhadores agrícolas alentejanos.  Foi membro do Grupo Anarquista Propaganda Livre, que editou o “Avante!” em Évora (1908-1912) e correspondente de “O Sindicalista” e “A Aurora” (1911-1912), sob o pseudónimo de “Marti”. Foi ainda membro do Grupo Revolucionário “Luz e Acção” (Santiago do Escoural, 1923) , filiado na União Anarquista Portuguesa.

Sempre muito ligado também ao movimento associativo dos trabalhadores rurais, Elias Matias integrou o Comité de Greve constituído em 1911, aquando do grande movimento grevista nos campos do sul.

Colaborou no reaparecimento do jornal “A Batalha”  em Setembro de 1974 e em 1985 editou o livro “O Alentejo Em Luta”, na  Cooperativa Editora Sementeira.

c.j. (com arquivo MOSCA)

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