Mês: Março 2013

Vídeo da manifestação contra a violência policial/Setúbal – 23Março


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“O 15-M forçou o poder a tomar consciência de que não se pode continuar como até aqui!”


Basilio Martin Patino é um conhecido realizador espanhol, de filiação anarcosindicalista, que há dois anos filmou, sem guião prévio, as assembleias multitudinárias da Porta do Sol madrilena. O documentário saiu agora. Chama-se “Libre te quiero” e esperamos que estreie em Portugal rapidamente. O jornal da CNT espanhola entrevistou-o no número de Março. É essa entrevista que publicamos já a seguir.

 “O 15-M forçou o poder a tomar consciência de que não se pode continuar como até aqui!”

Basilio Martin Patino acaba de estrear “Libre te quiero”, o primeiro filme que roda desde há muito tempo, sem guião prévio (“o guião estava no Sol”) e que para o realizador acabou por ser uma rodagem muito feliz. Desde a redacção de CNT aproveitámos esta oportunidade para o entrevistar na sua casa e partilhar um bom momento com ele e com a sua companheira, Pilar.

P. Nacarino e M. A. Fernández |Periódico CNT

Pergunta: Como é que te ocorreu a ideia de realizar “Libre te quiero”?

Resposta: É uma canção muito bonita de Agustin Garcia Calvo, cantada muito bem por Amancio Prada. ““Libre te quiero/como arroyo que brinca/de peña en peña./Pero no mía.”

P: Sim, mas como surgiu a ideia de fazer o filme?

R:  Acabávamos de chegar de Salamanca (a 15 de Maio de 2011) e tivemos um jantar, durante o qual se disse que Madrid estava em revolta, e decidimos aproximar-nos da Porta do Sol que está aqui ao lado e encontrámo-nos com todo aquele ambiente, foi maravilhoso. Imediatamente decidimos que era preciso filmar o que se estava a passar e às nove da manhã estávamos outra vez ali, com as câmaras de filmar.

P:  A rodagem foi um processo lento. Conta-nos como foi. Tiveram algum problema no momento de filmar? Houve muito improviso?

R: Não, não houve improviso, estava tudo muito bem organizado, cada um sabia o que tinha que fazer, recebíamos uma informação e íamos filmar. Realmente estávamos todos muito entusiasmados. Foi uma rodagem feliz. Creio que a mais feliz que realizei e em que tive menos problemas.

P:  No filme aparece a polícia a agredir os manifestantes. Tiveram algum problema ao gravar essas imagens?

R:Houve momentos difíceis. Mas tinhamos bons câmaras que, apesar de tudo, conseguiram filmar cenas muito duras.

P:  O Ministério do Interior quer fazer aprovar uma lei que proiba que os polidicas sejam filmados nas manifestações. Que te parece? Penas que pode ser aprovada? Vão-te meter na prisão?

R:  Bom, se me querem vir buscar, aqui estou, já estive muitas vezes na prisão. Não sabia dessa lei e não creio que a aprovem. Espanha evoluiu, já não é como dantes. Dantes tinhas medo dum director geral, conhecíamo-los a todos, eram personagens terríveis, obscuros e isso já não acontece.

P: No filme mostras claramente o carácter pacífico do movimento. Mostras as assembleias participadas, sem líderes, nem caras conhecidas. Os aspectos lúdicos, gente a fazer teatro de rua, concertos da Solfónica, a biblioteca ao ar livre, jovens a tomarem banho nas fontes públicas, etc… Consideras que o 15-M é um movimento libertário?

R:  Sim, creio que é um movimento libertário, com gente espontaneamente na rua. O que não sei é se continua a ser assim ou se mudou. Não se pode estar continuamente em estado de euforia, é esgotante e as pessoas cansam-se. E não sei como é que é agora. As coisas não duram sempre.

P:  Pessoalmente, como é que viveste este processo? As manifestações massivas, as marchas em toda a Espanha, a globalização do movimento que se exportou a Paris, Londres, Wall Street…

R: Vivi-o com muita esperança. Fui feliz. Deu-me uma grande alegrai, sobretudo quando começou a estender-se por todo o mundo, algo que tinha nascido em Espanha, foi maravilhoso.

P:  Já para o fim do filme introduzes umas imagens estáticas, fotografias de família, nas quais aparece um televisor mostrando, em movimento, imagens da rua e do 15-M. Suponho que é uma referência às pessoas que decidiram ficar em casa. É muito original e engraçado. Como te ocorreu esta ideia?

R:  É sobretudo uma referência às pessoas que, seja pelo motivo que for, não puderam or para a rua ainda que o tivessem querido fazer. Utilizámos fotografias de várias famílias e grupos e a montagem foi divertida.

P:  Falemos do momento actual. O movimento parece que continua vivo e agora juntam-se ao protesto a “maré branca”, “ a maré verde”, as greves motivadas pelos numerosos ERE’S de grandes empresas, etc. Achas que o movimento tem futuro depois de existir há quase dois anos ou que se está a desgastar?

R:  Como já disse antes,  manter a euforia cansa muito, mas os jovens podem manter a alegria e a esperança e, com a colaboração de todos, o 15-M pode continuar vivo, ainda que seja difícil.

P:  Entre as realizações do 15-M tem estado, por exemplo, a suspensão de numerosos despejos, conseguindo que este tema salte para a arena política, jurídica e financeira. Que outras coisas consideras que se conseguiram com o movimento?

R:  A questão dos despejos não é pouco, nada disso. Impedi-los é um acto de justiça social. As pessoas não podem ficar sem casa para viverem e os poderes de que falas estão a ser obrigados a mudarem certas coisas.

P:  Consideras que se poder+a conseguir uma transformação social profunda a partir do 15-M ou o poder está demasiado institucionalizado e é inamovível?

R: Aquilo marcou. Forçou o poder a tomar consciência de que não se pode continuar como até aqui. E está a produzir mudanças. Talvez não todos os que desejaríamos, mas já se deram contas de que não podem fazer tudo apenas à sua maneira.

P: E também se internacionalizou.

R: Sim, foi maravilhoso. Nova Iorque, Londres, Paris, Berlin… E o mais bonito é que foi um movimento nascido em Espanha, entre nós, criado por nós.

P: Os direitos do filme foram adquiridos pela TVE para ser exibido no pequeno ecrã. Achas que o canal público, agora nas mãos do PP, vai emiti-lo ou ser arquivada numa gaveta como aconteceu durante décadas com “Queridissimos verdugos”?

R:  Tenho bons amigos na TVE, há gente que trabalha ali muito profissional e consciente, independentemente dos políticos de turno. Julgo que os tempos mudaram para melhor, as coisas melhoraram. O que é normal é que emitam o filme.

P: Produzes sempre os teus próprios filmes?

R:  Exceptuando “Nove cartas a Berta”, que foi produzido por um amigo meu. Creio que é a maneira de te sentires livre quando fazes um filme, nada interfere a partir de cima seja por questões económicas ou de censura.. É arriscado, este ofício também o é, mas vale a pena,

P: Tens algum novo projecto em mente?

R:  Sim, há sempre novos projectos. Mas prefiro não falar deles, já sabeis o difícil que é este ofício, porque podem não aparecer.

P: Diz-nos algumas razões para que sigamos indignados…

R:  Bom, o governo, os bancos e a polícia continuam aí, como sempre. Creio que é suficiente.

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Os Estados Unidos da Europa, por Mikhail Bakunin


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Num momento em que volta a estar aceso o debate em torno das soluções para a Europa, que oscilam entre a implosão e o Federalismo, torna-se interessante este texto de Mikhail Bakunin, escrito há quase 150 anos, em que o anarquista russo defende a criação dos Estados Unidos da Europa, constituídos pela Federação dos vários países, livres da monarquia, como um garante para a paz. É um texto datado, mas que reflecte a opção anarquista pelo federalismo sempre que se trate de criar organizações complexas, a partir de estruturas mais simples. Esta é uma opção que ainda hoje está bem clara nos movimentos anarquistas: só a Federação se pode opor ao centralismo, garantindo a igualdade entre as partes constituintes. Sobre este texto, com a iminência de uma guerra entre a Prússia e França reuniu-se em Berna (Suiça), em 1868, o Congresso da Liga da Paz e da Liberdade.  O Congresso juntou grandes personalidades liberais e republicanas como Garibaldi, Stuart Mill e Herzen. Bakunin  intervém neste Congresso e ali apresenta uma comunicação que estará na base da sua obra “Federalismo, Socialismo, Antiteologismo”.  Sem nutrir qualquer ilusão com as decisões do Congresso, Bakunin atuou no seio do republicanismo com o objectivo de clarificar as diversas posições e demonstrar as suas contradições aos olhos dos sectores mais radicais, levando-os a aderirem à organização anarquista que criara (a Fraternidade Revolucionária).  Depois deste congresso, Bakunin e outros revolucionários rompem com a Liga da Paz e da Liberdade e passam a construir a Associação Internacional dos Trabalhadores. Os excertos que publicamos integram o livro “Federalismo, Socialismo, Antiteologismo”  que, segundo as informações publicadas nas actas e resoluções,  representa um desenvolvimento do discurso pronunciado por Bakunin neste Congresso. Neles se aborda a constituição dos Estados Unidos da Europa, baseados no federalismo, e a actualidade da luta de classes na construção de uma nova Europa.

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Os Estados Unidos da Europa

Mikhail Bakunin

Em conformidade com o sentimento unânime do Congresso de Genebra, devemos proclamar:

1º) Que para fazer triunfar a liberdade, a justiça e a paz nas relações internacionais da Europa, para tornar impossível a guerra civil entre os diferentes povos que compõem a família europeia, só há um meio: constituir os Estados Unidos da Europa.

2º) Que os Estados Unidos da Europa jamais se poderão formar com os Estados tais como são hoje constituídos, dada a desigualdade monstruosa que existe entre as suas forças respectivas.

3º) Que o exemplo da falecida Confederação germânica provou de um modo peremptório que uma confederação de monarquias é um escárnio; que ela é impotente para garantir seja a paz seja a liberdade das populações.

4º) Que nenhum Estado centralizado, burocrático e consequentemente militar, ainda que se chame república, poderá entrar séria e sinceramente numa confederação internacional. Pela sua própria constituição, que é sempre uma negação aberta ou mascarada da liberdade no seu interior, ele seria necessariamente uma declaração de guerra permanente, uma ameaça contra a existência dos países vizinhos. Fundado essencialmente sobre um ato que ocorre após a violência, a conquista, o que na vida privada se chama de roubo com arrombamento, acto abençoado pela Igreja de uma religião qualquer, consagrado pelo tempo e por isso mesmo transformado em direito histórico, e apoiando-se sobre esta divina glorificação da violência triunfante como sobre um direito exclusivo e supremo, cada Estado centralista constitui uma negação absoluta do direito de todos os outros Estados, jamais lhes reconhecendo, nos tratados que com eles conclui, senão um interesse político ou de impotência.

5º) Que todos os aderentes da Liga devem, por consequência, esforçarem-se para reconstituirem os seus países de origem, a fim de neles substituirem a antiga organização, de cima para baixo, fundada sobre a violência e sobre o princípio da autoridade, por uma organização nova, tendo por base somente os interesses, as necessidades e os desejos naturais das populações, e por princípio somente a federação livre dos indivíduos nos concelhos (comunas), das comunas nas províncias, das províncias nas nações, e, finalmente, destas nos Estados Unidos da Europa inicialmente, e mais tarde no mundo inteiro.

6º) Consequentemente, abandono absoluto de tudo a que se chama direito histórico dos Estados, todas as questões relativas às fronteiras naturais, políticas, estratégicas, comerciais, deverão ser consideradas doravante como pertencentes à história antiga e rejeitadas com energia por todos os aderentes da Liga.

7º) Reconhecimento do direito absoluto de cada nação, grande ou pequena, de cada povo, fraco ou forte, de cada província, de cada comuna, a uma completa autonomia, desde que sua constituição interior não seja uma ameaça e um perigo para a autonomia e para a liberdade dos países vizinhos.

8º) No caso de um país ter feito parte de um Estado, ainda que se tivesse juntado livremente, não implica para ele obrigação de permanecer sempre ligado a este Estado. Nenhuma obrigação perpétua pode ser aceite pela justiça humana, a única que pode servir como autoridade entre nós, e não reconheceremos jamais outros direitos, nem outros deveres, além daqueles que se fundam sobre a liberdade. O direito da livre reunião e da secessão igualmente livre é o primeiro, o mais importante de todos os direitos políticos; aquele sem o qual a confederação não seria outra coisa senão uma centralização mascarada.

9º) Resulta, de tudo o que precede, que a Liga deve francamente proscrever qualquer aliança de tal ou qual fração nacional da democracia europeia com os Estados monárquicos, mesmo quando esta aliança tiver por objetivo reconquistar a independência ou a liberdade de um país oprimido,  tal aliança, podendo conduzir somente a decepções, seria ao mesmo tempo uma traição à revolução.

10º) Todavia, a Liga, precisamente porque é a Liga da Paz e porque está convencida de que a paz só poderá ser conquistada e fundada sobre a mais íntima e completa solidariedade dos povos na justiça e na liberdade, deve proclamar de viva voz as suas simpatias por qualquer  insurreição nacional contra a opressão, seja estrangeira, seja interna, desde que esta insurreição se faça em nome dos nossos princípios e no interesse, tanto político quanto económico, das massas populares, mas não com a intenção ambiciosa de fundar um Estado poderoso.

11º) A Liga fará guerra total a tudo o que se chama glória, grandeza e poderio dos Estados. A todos estes falsos e malfazejos ídolos, aos quais foram imoladas milhões de vítimas humanas, oporemos as glórias da inteligência humana que se manifestam na ciência e de uma prosperidade universal fundada sobre o trabalho, a justiça e a liberdade.

12º) A Liga reconhecerá a nacionalidade como um facto natural; tendo incontestavelmente direito a uma existência e a um desenvolvimento livres, mas não como um princípio, porque a noção de princípio assenta num carácter de universalidade e a nacionalidade é, pelo contrário,  algo de  exclusivo,  de distinto. Este pretenso princípio de nacionalidade, tal como foi formulado nos nossos dias pelos governos da França, da Rússia e da Prússia, e até mesmo por muitos patriotas alemães, polacos, italianos e húngaros, nada mais é do que uma deriva encontrada pela reacção para se opor ao espírito da revolução: no fundo, é algo eminentemente aristocrático, a ponto de desprezar os dialectos das populações não letradas, negando implicitamente a liberdade das províncias e a autonomia real das comunas, e apoiado em todos os países não pelas massas populares, às quais ele sacrifica sistematicamente os interesses reais a um, assim dito, bem público, que não é outro senão o das classes privilegiadas. Este princípio nada mais exprime que os pretensos direitos históricos e a ambição dos Estados. O direito de nacionalidade nunca poderá ser considerado pela Liga a não ser como consequência natural do princípio supremo da liberdade, deixando de ser um direito no momento em que se coloca quer contra a liberdade, quer simplesmente fora da liberdade.

13º) A unidade é o objectivo para o qual tende irresistivelmente a humanidade. Mas ela torna-se um factor de morte, destruidora da inteligência, da dignidade, da prosperidade dos indivíduos e dos povos, sempre que se constitui fora da liberdade, seja pela violência, seja sob a autoridade de uma qualquer ideia teológica, metafísica, política, ou mesmo económica. O patriotismo, que tende para a unidade fora da liberdade, é algo de mau, sempre funesto aos interesses populares e reais do país que pretende exaltar e servir e, frequentemente, mesmo sem o desejar, amigo da reacção, inimigo da revolução, isto é, da emancipação das nações e dos homens. A Liga só poderá reconhecer uma única unidade: aquela que se constituirá livremente pela federação das partes autónomas no conjunto, de forma a que este, deixando de ser a negação dos direitos e dos interesses particulares, deixando de ser o cemitério onde se enterram forçosamente todas as possibilidades locais, se torne, ao contrário, a confirmação e a fonte de todas estas autonomias e de todas estas possibilidades. A Liga atacará, pois, vigorosamente qualquer organização religiosa, política, económica e social que não esteja imbuída por este grande princípio da liberdade: sem ele não há inteligência, justiça, prosperidade, humanidade.

federal

A vergonha que é este governo: despedem trabalhadores e põem profissionais da espionagem no quadro


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Dos governos espera-se tudo. Deste também. Mas a pouca vergonha, à descarada, é própria dos indigentes mentais. Nem já procuram disfarçar. Num momento em que anunciam despedimentos na Função Pública, Passos Coelho e o resto da troupe integraram, por despacho, publicado em “Diário da República”, Silva Carvalho, antigo super-espião, que usou as informações que detinha para uso comercial (pondo-as ao serviço da Ongoing e cujo processo está em julgamento),  na Função Pública. E onde é que lhe haviam de dar o  tacho? Claro, na Presidência do Conselho de Ministros e “com efeitos reportados a 1 de dezembro de 2010”. A nós, anarquistas, nada disto já nos estranha: é esta a função dos governos e os espiões, sejam eles quem forem, são sempre da sua confiança – servem para qualquer trabalho sujo e as informações de que dispõem terão sempre utilidade num futuro mais ou menos próximo.

Mas esta gente, enquanto tal, mete nojo: sempre em negociatas, com ordenados chorudos ao fim do mês,  sócios uns dos outros e cúmplices no arrastar para o desemprego e para a miséria centenas de milhar de portugueses e portuguesas, impotentes (?) face à desfaçatez, à opulência e à exploração dos de cima, dos que vivem à “tripa forra” e exercem o poder, cada vez mais, duma forma autocrática, grupal e, em muitos casos, puramente ditatorial em que são eles os únicos que ditam as regras do jogo. De um jogo em que os de cima são os únicos a tirarem grandes e chorudos proveitos. Sem o mínimo de vergonha ou de ética. A corrupção e o amiguismo estão-lhes na massa do sangue e, protegidos pelas forças repressivas, “cantam de galo”. Até quando?

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e.m.

Forum Social Mundial em Tunes acompanhado por um libertário português


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Começou esta tarde em Tunes o Forum Social Mundial. Vai decorrer até ao dia 30 de Março. Os anarquistas tunisinos têm acusado os organizadores do forum de reformismo. A acompanhar os trabalhos está um libertário português que, através de um blogue criado para o efeito, está a dar conta do ambiente que se vive em Tunes.

Escreve hoje este companheiro:  ” (…) esta manhã, tive oportunidade de conhecer um pouco do movimento anarquista e anti-autoritário de Tunes. Enquanto caminhava com companheirxs em direcção a um apartamento que serve de suporte ao movimento, conversámos sobre as nossas realidades. Contou-me um delxs que, ao mesmo tempo que, nas cidades, jovens e alguns sectores da população se mobilizam em torno de ideias anti-autoritárias e anti-capitalistas, revolucionárias e insurrecionalistas, nos campos cresce o entendimento de que “nenhum governo nos dará pão” e começa a falar-se da colectivização das terras. Chegadxs ao “centro de operações”, deparei-me com uma profusão de gente de várias idades (mas sobretudo jovens) a pintar faixas e cartazes para uma marcha contra o Fórum Social Mundial. Critica-se a “burocracia” do Fórum e a abordagem reformista e liberal dos problemas económicos e políticos. Num comunicado lançado pelo Movimento Desobediência (um dos da esfera anti-autoritária), pode ler-se que, “apesar de o evento ser apresentado como uma oportunidade para revolucionários de todo o mundo se encontrarem, julgamos que o objectivo último, nomeadamente o colapso do sistema capitalista, não será considerado”. (…)”

O comunicado, a que se refere o texto, pode ser lido na íntegra aqui: inglês – http://appelsm.wordpress.com/call/english/ – francês: http://appelsm.wordpress.com/call/french/

Um blogue para acompanhar diariamente:  http://decoimbraatunes.wordpress.com/

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Solidariedade Internacional à Ocupação indígena da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro



No dia 22/03/13 às 03:00, a polícia cercou o antigo prédio do Museu do Índio, rebatizado pelos indígena de Aldeia Maracanã, que fica ao lado do Estádio Maracanã, que sediará a Copa de 2014. Ha ha 6 anos por diversas etnias indígenas e suas famílias, a ocupação do prédio visava construir um centro de referência da cultura indígena controlado pelos próprios indígenas, e também planejavam a criação de uma Universidade Popular Indígena, além de servir de moradia para os índios que vem passar pela cidade.
O cerco polícial terminou com a invasão da Aldeia Maracanã e uma violenta repressão a todos os indígenas e apoiadores presentes, além de várias prisões. A repressão serviu para testar as novas armas compradas para os mega-eventos no Rio de Janeiro, como gás lacrimogêneo, spray de pimenta, canhão de microondas, pistolas de tasers, somados as velhas agressões usuais da polícia do Rio de Janeiro. O Estádio e seu entorno estão sendo vendidos para a iniciativa privada e para isso querem o prédio vazio.
O episódio de total desrespeito a cultura indígena faz parte do projeto de “limpar a cidade” para as Olimpíadas, fazendo do Rio de Janeiro uma grande vitrine para a burguesia internacional, enquanto o povo sofre a opressão, o desalojo forçado de suas casas, o descaso com a moradia, saúde e educação e a morte nas mãos dos lacaios do Estado.
Por isso chamamos a todxs a prestarem solidariedade à Aldeia Maracanã, com atos na embaixada brasileira, divulgação do caso ou apenas fotos mostrando solidariedade para que o mundo fique sabendo das barbaridades que vem acontecendo no Brasil e mostrar para xs indígenas desalojados e mandados para precários abrigos públicos que não estamos sozinhxs!

LUTAR, CRIAR PODER POPULAR!
OⒶTL ( Organização Anarquista Terra e Liberdade )

fonte: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/24918

Chomsky sobre a austeridade em Portugal e nos países do sul da Europa


<p><a href=”http://vimeo.com/62241268″>CHOMSKY SPEECH TO THE PORTUGUESE PEOPLE</a> from <a href=”http://vimeo.com/user12557095″>Ant&iacute;gona</a&gt; on <a href=”http://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

A mensagem de Chomsky, gravada em exclusivo para o lançamento da edição portuguesa de “Occupy”, pela Antígona – Editores Refractários.

Aqui: https://www.facebook.com/AntigonaEditoresRefractarios

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