(solidariedade com Ruben Marques) Setúbal: concentração contra a violência policial este sábado às 11 horas na Praça do Bocage


Encontrado por aí….
Isto, do Diogo Duarte:
“Imaginemos que a polícia não tinha disparado um só tiro contra o Rúben, o jovem que morreu ontem junto à Bela Vista, em Setúbal. Se a única coisa a ter acontecido tivesse sido a perseguição policial a um miúdo sem capacete, e precisamente porque seguia sem capacete, isso, só por si, já seria um acto suficientemente irresponsável e criminoso. Consegue ser isso tudo e, ao mesmo tempo, absurdo. Se juntarmos à história os tiros, tenham sido disparados para o ar, para o chão ou para o caixote do lixo, deixa de haver palavras para falar do assunto. É completamente irrelevante saber se acertou na mota ou se foi três metros ao lado. Não passa dum pormenor. Foi um assassinato. Considerar que em tudo isto há alguma coisa de acidental, como conta a versão da polícia, é, no mínimo, repugnante. Só falta dizer que foi suicídio.

Perante isto, seria até escusado lembrar que o Rúben morava num “bairro social”, pois o juízo que se possa fazer sobre o homicídio policial é independente dessa circunstância e o que se sabe sobre o caso fala por si. Mas, ainda assim, é oportuno fazê-lo. Até porque se alguém sem capacete estivesse a circular na zona onde eu cresci e desobedecesse a uma ordem policial para parar (algo que não teria nada de estranho caso acontecesse), a polícia nunca dispararia um tiro. Nem sequer para o ar. Questionem-se porquê.

Se acharem que a melhor resposta para isso está no facto de esses serem sítios violentos, “problemáticos, “sem ordem”, “indomáveis”, “selvagens”, entre toda uma variante de classificações que se lhes aplicam regularmente, perguntem-se por que é que, sendo assim, essa gente não decide partir tudo nestas circunstâncias, especialmente perante um caso de homicídio tão flagrante em que sabem que o mais provável é nunca verem justiça ser feita. Perguntem-se por que é que se ficam por atirar umas pedras à polícia, queimar uns caixotes do lixo… Perante o que seria legítimo e compreensível fazer, tudo isso me parece pouco.

Tenhamos ainda em consideração que aquilo que para nós é uma novidade chocante e revoltante (“a crise”, “a austeridade”, “o atropelo aos direitos mais básicos”), é parte da vida quotidiana desses bairros há décadas. A taxa de desemprego do país que hoje nos escandaliza parece o sinal de um qualquer paraíso perdido se comparada com a desses locais. Nem as previsões futuras mais catastrofistas se aproximam dos números que aí existem agora. Aquela espécie de clima de guerra de que agora se fala e que se sente – motivado por todo o tipo de agressões, perseguições e intimidações feitas pelas autoridades e dirigidas a cada vez mais pessoas independentemente da sua condição social (a pretexto de manifestações políticas ou não) – está instalado nesses sítios há muito tempo, a uma escala que nem imaginamos: é uma guerra quotidiana, silenciosa, invisível, em que as piores armas nem são as que agridem fisicamente. Futuro, aí, já não é sequer uma palavra.

Junte-se a isto, e para terminar, o facto de não haver memória, na Bela Vista, de um só polícia ter sido condenado por um assassinato que tenha cometido, quando houve casos mais do que suficientes para que isso acontecesse (o mais mediático terá sido o assassínio de Tony, em 2002, durante o dia e em pleno bairro). Juntem-se a isso tantos outros casos semelhantes que aconteceram noutros “bairros sociais” pelo país fora, como o da recente absolvição do polícia que matou “Kuku”, um miúdo de 14 anos, com um tiro disparado directamente para a cabeça a escassos centímetros de distância.

Dizer, como acabei de ouvir agora na televisão, que os tumultos se deveram a um ajuste de contas por parte dum gang do qual o Rúben fazia parte, dá uma dimensão do desplante com que se fala sobre estes sítios e, ao mesmo tempo, expõe o desconhecimento arrogante sobre o que ali se vive.

Desenganem-se, por tudo isto, se pensam que “a situação está controlada” ou que “as coisas ficaram por ali”.”

fonte: https://www.facebook.com/events/447016835386044/

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Centenas de pessoas acompanharam funeral de jovem do bairro da Bela Vista

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One comment

  1. pois é mais um crime por punir ,mas enfim é o país que temos é claro que houve disparos contra o rapaz sem aviso e sem razão mais um homicídio da merda que temos nas nossas forças policiais que pena vivemos num pais de mansos porque se fosse num pais de verdadeiros criminosos esta merda já teria sido eliminada

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