Mês: Abril 2013

Por um 1º de Maio de luta e combate !


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Legenda: A árvore sêca e mirrada, corta-se e lança-se ao fogo. O sol da Redempção fecundará a semente nova… (ilustração do jornal “A Comuna”, de 1/5/1920)

Amanhã,  1º de Maio, muitos anarquistas, mais uma vez, vão sair à rua por todo o país, em manifestações próprias ou juntando-se a manifestações convocadas por outros colectivos ou por outras associações de trabalhadores. Seja como for, este é um dia de luta e de afirmação revolucionária, em homenagem também aos anarquistas mortos em Chicago às mãos do Estado. Nos últimos anos, Setúbal tem sido o ponto de concentração, neste dia,  para muitos libertários e anti-autoritários fazendo da cidade do Sado, no 1º de Maio, um espaço de luta e de combate ao capitalismo. Também este ano sê-lo-á, por certo. Mas seja onde quer que estejamos o importante é manifestarmos a nossa indignação e mostrarmos que é possível outra sociedade mais justa e igualitária.

Os últimos dados económicos, o chumbo  pelo Tribunal Constitucional de alguns medidas que constavam do Orçamento de Estado e a sua substituição por cortes nos diversos sectores, mas sobretudo na Educação, Saúde e Apoios Sociais fazem prever um acentuar das dificuldades económicos dos mais pobres que, ao fim de muitos meses seguidos a apertarem os cintos e com cortes sucessivos nos seus rendimentos, se encontram totalmente debilitados economicamente e sem alternativas a não ser a de se manterem actuantes, organizados e firmes na resistência à ofensiva conjunta do Estado e do patronato.

A austeridade tem levado a um crescendo no desemprego e na precariedade que atinge já a generalidade dos trabalhadores portugueses . O desemprego real ultrapassa já os 20 por cento e o número de desempregados, sem qualquer apoio social, não pára de aumentar.

Enquanto este drama alastra a grandes sectores da sociedade portuguesa, os partidos políticos mantém-se entretidos com as eleições autárquicas, previstas para depois do Verão, divulgando candidatos e programas que são sempre mais do mesmo – uma perfeita inutilidade, na sua grande maioria, trocando as aspirações populares de bem estar e felicidade por lugares a troco de favores políticos, corrupção e nepotismo.

Se isso não bastasse, os partidos da esquerda do sistema, o PCP e BE e alguns sectores do PS parecem possuídos de uma maleita e  a única solução que vêm para a “crise” é a demissão do governo e a convocação de eleições. Enredados nesta jiga-joga eleitoralista, num discurso bloqueado e sem saída, PCP, BE e alguns movimentos a eles ligados, como o Que se Lixe a Troika, fazem o jogo do PS que já se apressa para voltar ao poder – seja agora, ou em 2015, quando estão previstas as próximas eleições para o Parlamento.

Apesar do pouco peso eleitoral de que dispõem na sociedade, PCP e BE, mas sobretudo os comunistas , enredados num discurso patrioteiro e nacionalista, com poucas diferenças do discurso da extrema-direita quanto à defesa da “independência nacional”, mantêm ainda zonas de influência importantes no  movimento sindical, paralisando-o e esgotando a sua capacidade de luta em pequenos arremedos, como o são as manifestações constantes sem objectivo, só para  mostrarem que estão “vivos”, e as greves de um dia ou algumas horas,  que apenas desgastam os trabalhadores e não lhes trazem qualquer tipo de vantagem.

Perante este cenário – e sendo o movimento libertário e anti-autoritário ainda minoritário em Portugal – urge concentrar esforços na criação de  espaços onde a luta seja mais radicalizada, criativa e onde se possam obter ganhos visíveis: criar comités contra os despejos; avançar com ocupações seja de espaços colectivos ou individuais; incentivar greves selvagens e actos sucessivos de desobediência civil; etc..

Só ousando novas formas de luta e mostrando que através da acção directa, da autogestão das lutas e do apoio-mútuo é possível vencer, poderemos criar as condições para voltar a pôr o anarco-sindicalismo  e a organização anarquista dos trabalhadores na ordem do dia.

Por um 1º de Maio libertário e emancipador!

Não às manifestações de faz de conta !

R.T (Colectivo Libertário de Évora)

aqui:https://colectivolibertarioevora.files.wordpress.com/2013/04/acc3a7c3a3o-directa-6.pdf

1 de Maio

1º de Maio Libertário: Setúbal, Porto, …


1º maio setúbal

Em Setúbal

O que queremos deste 1º de Maio

Pelo quarto ano consecutivo lançamos uma chamada a uma mobilização anti-capitalista e anti-autoritária no 1º de Maio. As razões pelas quais convocámos em 2010 são ainda válidas hoje: a necessidade que temos de recuperar este dia como um dia de combate, de homenagem aos caídos nesta Luta Social, de revolta contra a ditadura financeira, a exploração humana, a destruição da Terra e dos territórios; e contra a existência do Estado , qualquer que seja o seu regime, instrumento que será sempre o garante dos privilégios das desigualdades e injustiças, e nunca um “protector dos mais fracos e garante dos direitos iguais” como sonham os utópicos do “Estado Social”.

De conseguir comunicar estas ideias e partilhá-las em forma de frases, faixas, acções e panfletos distribuídos durante as manifestações; passámos também a ter que nos organizar para assegurar uma eficaz auto-defesa da manifestação como uma resposta inevitável face aos acontecimentos de 2011. Esse esforço no ano de 2012, necessário perante a ameaça de violência policial apoiada pela provocação dos fascistas em “celebrar” o 1 de Maio em Setúbal, acabou por minimizar em muito o sucesso dessa comunicação e partilha de informação desejada, ainda que tenhamos contado com a participação e solidariedade de um grande número de gente, o maior até então.

Assim que, por todos estes motivos e pela necessária reflexão que isso nos provoca, apelamos em 2013 para que de uma forma individual ou colectiva, os participantes deste 1º de Maio tragam em maior número possível os seus próprios materiais, de folhetos, faixas, bandeiras, palavras de ordem… para assim aumentarmos em quantidade e qualidade os momentos em que, sem compromissos com o poder e a autoridade, tomamos as ruas e nos encontramos com estranhos e conhecidos, construindo, entre todos, este dia.

Queremos proporcionar também no final da manifestação um momento com microfone aberto, música, troca de informação, e o que mais cada um quiser.
E pronto… também gostávamos de voltar para casa e dizer: “filho. o capitalismo acabou”, mas sabemos que isso vai muito para lá de manifestações, implicando a dedicação e empenho de uma luta a que os tempos que correm duplamente nos impedem de assumir mas nos obrigam a travar.

Contudo somos cada vez mais e com menos a perder…

de Terra Livre (Notas)

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acções internacionais

No Porto

Jornadas ANTICAPITALISTAS da AIT/ IWA

Programa :

30 de Abril na Terra Viva!A.E.S, Rua dos Caldeireiros ,213 -Porto (à Cordoaria)
19.30 -Jantar Benefit de solidariedade com o SOV-Porto /AIT-Sp (com marcação prévia até às 15.00 do dia 30 de Abril através do  sovaitporto@gmail.com ou 967694816/ 961449268)
21.00 – Discussão aberta e debate sobre as “Possíveis reivindicações atuais Anarco-sindicalistas

1 de Maio
10.30 -Trilha da Memória Libertária (e do movimento operário) do Porto.
Encontro em frente à porta principal do Instituto de Fotografia, na Cordoaria /Campo dos Mártires da Pátria
15.30-Bancas libertárias e canções operárias libertárias na Praça G. Humberto Delgado(junto à C.Municipal Porto)
17.00-Performance contra a Gatunagem Governamental e Patronal

aqui: http://sovaitporto.blogspot.pt/

1º de Maio é dia de luta!


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Os Mártires de Chicago Os condenados de Haymarket: Louis Lingg, Oscar Neebe, Adolph Fisher, August Spies, Albert Parsons, Michael Schwab, George Engel e Samuel Fielden. Todos condenados à morte e assassinados pelo Estado a 11 de novembro de 1887, excepto Neebe  (15 anos de prisão), Fielden e Schwab (condenados a cadeia perpétua).

Mauricio Basterra *

“Para a frente com valentia! O conflito começou. Um exército de trabalhadores assalariados está sem ocupação. O capitalismo esconde as suas garras de tigre atrás das muralhas da ordem. Operários, que a vossa palavra de ordem seja: Não ao compromisso! Cobardes à retaguarda! Homens à frente!”

Com estas palavras preparava August Spies a greve do Primeiro de Maio em Chicago nas páginas do jornal Arbeiter Zeitung. Nada fazia supor a Spies que aquela jornada ia ficar, por tudo o que originou, na história do movimento operário. A reivindicação das oito horas de trabalho era o eixo fundamental daquela greve em 1886.

E, de facto, a reivindicação para a diminuição da jornada de trabalho tinha as suas raízes bem fundas nas próprias origens do movimento operário. As longas jornadas de trabalho a que os trabalhadores estavam sujeitos punham como primeiro ponto da agenda reivindicativa a diminuição das horas de trabalho, que em muitos casos atingia as 12-14 horas diárias.  Sem nenhum tipo de segurança social e com umas condições de vida miseráveis.

Curiosamente foram os Estados Unidos um dos primeiros países a introduzirem leis de redução da jornada laboral. Em 1840 a administração de Martín van Buren reconheceu a jornada de 10 horas para os empregados do governo e dos construtores navais. Em 1842 Massachusetts e Connecticut reduziram a jornada de trabalho infantil para 10 horas. Por seu lado, o Reino Unido reduziu em 1884 o trabalho infantil a 7 horas e o dos adultos a 10 horas. E assim foi sucedendo em distintos estados norte-americanos e na Europa. Sempre com reformas parciais e em sectores concretos.

Isso fez com que se concluísse que apenas uma acção organizada podia trazer melhorias mais profundas para a classe operária. Em 1864 era fundada em Londres a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e em 1886, no Congresso de Genebra, ficou decidido que as secções integrantes da AIT iriam lutar pelas oito horas de trabalho. Oito horas de trabalho, Oito horas de descanso e Oito horas de lazer. Esse era o lema do movimento operário internacional.

O amplo poder de implantação que a AIT teve e os ecos revolucionários que chegavam da Europa, fez que em 1868 o presidente norte-americano Andrew Johnson aprovasse a Lei Ingersoll, que estabelecia a jornada de oito horas de trabalho para os empregados federais.

Apesar do desaparecimento da AIT o movimento operário continuou a reivindicar melhorias para a classe operária. Numerosas greves se sucedem, por todo o mundo, algumas delas conseguindo grandes vantagens para os trabalhadores. Por exemplo, a greve dos caminhos de ferro de Massachusetts  de 1874 conquistou as 10 horas de trabalho.

Mas os trabalhadores que integravam o movimento operário norte-americano estavam conscientes de que sem uma organização que unisse os trabalhadores seria muito difícil conquistar direitos generalizados e básicos para a classe operária. Por isso nasceu em 1881 em Pittsburgh a Federação Norte Americana do Trabalho (AFL). No seu IV Congresso, em Chicago, a organização decidiu realizar uma grande greve geral que reivindicasse as 8 horas de trabalho, seguindo a tradição iniciada pela AIT. Reivindicação que contou também com o apoio de outras organizações como os “Cavaleiros do Trabalho” ou distintas federações e associações operárias norte-americanas.

Foi constituído um Comité pelas Oito Horas de Trabalho e a greve foi marcada para o Primeiro de Maio de 1886. A greve resultou num êxito muito grande para o sindicalismo norte-americano. A situação de miséria em que viviam os trabalhadores era reconhecida inclusivamente pelos próprios governos e o presidente Grover Cleveland disse: “As condições actuais das relações entre o capital e o trabalho são, na verdade, muito pouco satisfatórias, e isto, em grande medida, pelas ávidas e impensadas imposições dos empregadores”. A convocatória da greve foi um êxito e houve mais de 5 mil greves convocadas. Em muitos lugares as oito horas de trabalho foram conquistadas (Chicago, Boston, Pittsburgh, Saint Louis, Washington, etc.) . Em muitos outros locais, ao nível de fábrica ou sectorial.

Esta força do movimento operário, animado principalmente pelos anarquistas, pôs em alerta o patronato norte-americano que não tardou em reagir. Nas sucessivas manifestações posteriores ao Primeiro de Maio os patrões lançaram contra os grevistas fura-greves e amarelos, sobretudo contra os operários da fábrica McCormik. O pior aconteceu a 4 de Maio, em Haymarket Square quando explodiram várias bombas, numa altura em que estavam reunidas 15000 pessoas.

Morreram 38 operários, 115 ficaram feridos, um polícia morreu e 70 ficaram feitos. A imprensa, aliada aos patrões, não teve duvidas em apontar desde o primeiro momento os anarquistas como autores do atentado. As perseguições contra anarquistas iniciadas pelo comissário Michael Schaack não se fizeram esperar. Entre os presos e acusados de assassinato estavam os animadores mais entusiastas do movimento operário. Todos anarquistas.  Os nomes de August Spies, Michael Schwab,  Oscar Neebe, Adolf Fischer, Louis Lingg, George Engel, Samuel Fielden e Albert Parsons passaram a ser notícia de primeira página.

Todo o processo que se montou contra eles esteve cheio de irregularidades. O juiz Joseph E. Gary, um reaccionário confesso, escolheu os jurados  de entre pessoas com influência claramente anti-socialista e anti-anarquista. Não se permitiu que houvesse jurados que pudessem ter simpatias pelas ideologias operárias. A sorte dos acusados estava ditada de antemão. A 11 de Novembro de 1887 era executada a sentença contra os condenados à morte. Spies, Parsons, Fischer e Engel foram enforcados. Lingg suicidou-se no dia anterior. Os outros acusados sofreram nas prisões durante vários anos. Para a memória ficaram os discursos que os acusados proferiram no tribunal. A defesa que fizeram da sua inocência e dos seus ideais. Foram executados por serem anarquistas e socialistas. A caminho do patíbulo continuaram a dar vivas à anarquia e à classe operária. Cantaram a Marselhesa, na altura o hino revolucionário por excelência.

A inocência dos acusados era manifesta. Estava-se no início da guerra suja contra o movimento operário. Alguns dos investigadores dos acontecimento de Chicago estavam ligados a organizações como a Agência de Detectives Pinkerton, que actuou como fura-greves e se infiltrou no movimento operário com o beneplácito dos patrões e do governo norte-americano.

De qualquer modo, para o movimento operário internacional, a data do Primeiro de Maio converteu-se num dia de comemoração para recordar os “Mártires de Chicago” e para reivindicar a jornada de oito horas de trabalho. A segunda Internacional estabeleceu-o como dia internacional de luta e o movimento anarquista transformou-o numa das datas de reivindicação operária e de comemoração ao lado do 18 de Março (aniversário da Comuna de Paris) e o 11 de Novembro (execução dos Mártires de Chicago).

Ainda assim a nível internacional as diferenças sobre como actuar face ao Primeiro de Maio distanciou socialistas e anarquistas.

Enquanto os primeiros, cada vez mais integrados nas instituições, foram convertendo o Primeiro de Maio numa data quase festiva, com manifestações de força e entrega de reivindicações às autoridades, os anarquistas consideravam-no um dia de luta e com razões para que fosse convocada uma greve geral que pressionasse as autoridades a aprovarem a jornada das oito horas de trabalho.

Hoje, mais do que nunca, convém recordar as origens do Primeiro de Maio e como os direitos que hoje se perdem custaram esforço e vidas para serem obtidos.

Na actualidade, o seu exemplo é a nossa melhor lição.

(* publicado em “CNT”, nº 399, Abril/2013)

Cacilhas e Setúbal: sessões de solidariedade com os anarquistas presos na Grécia


evento cacilhas new

No contexto da luta diária contra o existente e tendo como objectivo a difusão da solidariedade de facto com os/as anarquistas presos/as nas masmorras gregas, membros da rede contra-informativa Contra Info levarão a cabo uma série de eventos em várias cidades europeias, difundindo informação de casos de compas presos/as..
Queremos que estes encontros se convertam numa oportunidade para reforçar a infra-estrutura antagónica de contra- informação, para ampliar e multiplicar os gestos solidários com os/as nossos/as irmãos/irmãs que se encontram atrás das grades e promover a acção directa e a praxis subversiva.

No sábado, 27 de abril de 2013, encontrar-nos-emos no Centro de Cultura Libertária
http://culturalibertaria.blogspot.pt/ , Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada, a partir das 16 horas.

Na 2ª feira, 29 de Abril, pelas 21h, estaremos na Casa Okupada Setúbal Autogestionada, Rua Latino Coelho nº2 (Junto à estação dos autocarros) – Bairro Salgado- Setúbal.

Nas duas sessões haverá conversa e jantar vegano benefit. Esperamos ver-vos ali e convidamos-los a compartilhar as vossas ideias para se encontrar uma perspectiva comum com vista à destruição de todas as prisões e do sistema que as mantém.

SOLIDARIEDADE COM OS/AS PRESOS/AS E PRÓFUGOS ANARQUISTAS EM TODO O MUNDO!

cartaz-setubal

aqui: http://pt.contrainfo.espiv.net/2013/04/14/portugal-dois-eventos-da-contra-info-em-solidariedade-com-os-anarquistas-presos-na-grecia/

Leitura do manifesto de ocupação do Palácio Silva Amado no nº 1 do Campo Mártires da Pátria


Leitura do manifesto de ocupação do Palácio Silva Amado no nº1 do campo Mártires da Pátria:

«Hoje, 25 de Abril de 2013, o MINISTÉRIO encontra-se ocupado. Esperámos que Ministro e assessores saíssem, uma réstia de cordialidade. É saborosa a carcaça do poder, todo um ecossistema se foi erguendo logo que o Sr. Ministro fechou a porta. ‘Dos vossos gabinetes faremos cabarets’, dizia uma faixa numa das muitas manifestações que nos trouxe aqui. Quem sabe que mais faremos do seu gabinete, Sr. Ministro. Quanto valerá este palácio agora? quantos mais anos até aquele grande investidor estrangeiro finalmente aparecer, o tal hotel de 5 estrelas abrir as portas? Não temos a paciência dos proprietários. Como quem não tem, e precisa, quer, deseja, tomamos. Não é aceitável que ser dono de uma maçã caída seja mais importante que ter fome e querer comê-la. Lamentamos o incómodo, Sr. Ministro, mas esta maçã, da qual já se tinha esquecido, tem agora os nossos dentes marcados.
Todas ao ministério! »