Dia: Abril 1, 2013

Ásia e América Latina: das economias emergentes aos novos movimentos operários


toquio

Numa altura em que se torna cada vez mais claro que a economia  e os movimentos financeiros se estão a deslocar da Europa para várias regiões emergentes, como algumas zonas da Ásia e da América do Sul, é preciso saber que resposta vão dar ao capitalismo a classe operária e os trabalhadores desses países-. Quais as formas organizativas que vão determinar a sua actuação frente ao Estado e aos senhores do dinheiro.  São zonas onde o marxismo já teve uma grande implantação, mas cujas experiências de “socialismo real” terminaram no maior descalabro (sem “mundo novo” e com dezenas de milhões de mortos), sendo o capitalismo chinês, por exemplo, dirigido pelo próprio partido marxista-leninista. Nessas sociedades, a resposta revolucionária frente ao capital e ao Estado ditará muito daquilo que será o futuro próximo do movimento operário a nível internacional – ou repetindo as experiências autoritárias que foram a marca da última metade do século XX em grande parte do globo, ou retomando a prática libertária, de base, horizontal e autogestionária que esteve na génese do movimento de trabalhadores na Europa e noutras partes do mundo.

A ideia que subjaz aos cortes que estão a ser feitos pelo governo, com o apoio da troika, é empobrecer os portugueses, retirar-lhes poder de compra, embaratecer o trabalho, desqualificá-lo e desregulá-lo. Já todos o percebemos. É este o programa preparado para os países do sul da Europa, no âmbito de uma transformação do capitalismo que está a levar as reservas monetárias, as grandes empresas e os principais fundos de investimentos para outras zonas do mundo, como a Ásia ou a América do Sul, que se estão a transformar em grandes potências económicas, enquanto a Europa e a América do Norte entraram em declínio. Muitos dos modelos que ainda nos servem de bandeira têm que ser analisados e actualizados neste contexto: em breve, sob a pressão do capital, os trabalhadores dessas novas zonas vão ter uma palavra a dizer e vamos ter que  ouvi-la. Em que sentido ela se vai fazer ouvir? Num reforço das correntes libertárias e anti-autoritárias ou, pelo contrário, num reavivar das frentes de luta autoritárias que marcaram grande parte do século XX? O sabermos isso vai ser determinante para sabermos que mundo e que solidariedades podemos construir.

e.m

em Boletim Acção Directa nº 4

bric22

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