“Uma cidade sem muros nem ameias”: comemorar o 25 de Abril em nome da Utopia


abril

Para a geração que viveu o 25 de Abril de 1974, o golpe militar que pôs fim a 48 anos de fascismo foi, independentemente das ideologias individuais, um abrir de portas e janelas,  um entrar de ar e liberdade na sociedade portuguesa que, hoje, os mais novos têm dificuldade em imaginar.

O 25 de Abril de 1974 não resolveu muitos problemas estruturais, tais como a posse dos meios de produção por parte de uma minoria que continua a explorar a grande maioria; o militarismo e o autoritarismo muito presentes na sociedade portuguesa; o papel do Estado ou a necessidade de uma profunda revolução na estrutura administrativa do país, nem isso fazia parte do seu programa.

No entanto, trouxe algumas transformações bastante relevantes, que, em muitos aspectos, mudaram profundamente o país e as mentalidades. O fim da guerra colonial; a liberdade de associação e expressão (com os limites conhecidos, é verdade); uma maior regulação, controlo e denúncia das arbitrariedades e violência policial; a garantia de direitos sociais, sindicais e políticos, etc., foram algo de adquirido com o 25 de Abril e com as movimentações que se lhe seguiram e que não podem ser esquecidos.

Hoje, num momento em que o capital e o Estado juntam forças para cortarem direitos e regalias à generalidade dos trabalhadores e da sociedade, a força criativa que irrompeu no pós-25 de Abril deve ser tomada como exemplo e, nalguns casos, como bandeira para erguer de novo. É o caso, por exemplo, da autogestão que esteve sempre presente a seguir ao 25 de Abril de 1974, seja por fuga dos proprietários das fábricas, seja por ocupação dos trabalhadores. Importante foi também a ocupação de casas e de bairros inteiros por pessoas que viviam em barracas ou que, simplesmente, não tinham um tecto para se abrigarem.

Comemorar o 25 de Abril é trazer para os dias de hoje o sonho colectivo da transformação da sociedade, que nos foi roubado muito cedo, e a utopia de um mundo sem senhores nem escravos, sem ricos nem pobres,  sem explorados  nem exploradores. Um sonho difícil de concretizar, mas como dizia o anarquista Gustave Landauer (1870-1919) “os homens crêem que chegará um dia em que serão livres e iguais, quando tiverem destruído os obstáculos que os impedem de o ser, sem se darem conta de que só o são enquanto lutam para o conseguir”.

e.m.

cnew036001

aqui:  https://colectivolibertarioevora.files.wordpress.com/2013/04/acc3a7c3a3o-directa-6.pdf

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s