Month: Maio 2013

Avante! – um jornal anarquista de Évora (1909)


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“Avante!…

O Grupo de Propaganda Livre ao lançar à publicidade esta folha, não tem em vista, mais do que contribuir para o bem estar da Humanidade, conduzindo a todos à felicidade commum.
Tendo a nossa iniciativa o fim único de concorrer para a libertação de todo o proletariado em geral; conglobaremos n’esta folha as doutronas e ensinamentos dos apostolos do Ideal Libertario, para que assim, expostas por toda a parte, por todos os recantos do globo terrestre, emfim: essas idéas possam ser apreciadas, estudadas e conscientemente discutidas.
Para nós e certamente para todos os que se interessam pela causa dos opprimidos, ser-nos-há satisfatorio o vermo-nos auxiliados por todos os que se interessam pelas luctas sociaes para assim travarmos a lucta em que todo o proletariado consciente anda empenhado, e assim faremos alguma coisa de pratico e de util para todos.
Queremos todavia informar que aqui trabalham na maioria operarios, e por isso na parte que diz respeito a fórma litteraria ou corréção da escrita desculpar-nos-hão decerto aquelles que nos lerem.
Sendo as nossas aspirações livres, respeitaremos toda a forma ortographica em que os originaes nos sejam enviados.
Avante! A lucta está encetada e o calôr que nos anima ao dar publicidade ao nosso jornal; será sempre o mesmo, embora por momentos moderados; o que sempre succede. Torna-se necessaria uma boa e sã propaganda entre os camponezes e essa será a nossa missão. Instruir mas Revoltar.
Tendo em mira de que uns render-nos-hão justiça, outros guerra sem tréguas, nós saudamos toda a imprensa operaria e todo o operariado em geral:
Avante! Pelo futuro bem-estar da Humanidade!
Avante! Pela Revolução Social.

O Grupo de Propaganda Livre”.

Avante! – Ano I, nº1, Évora, 1 fevereiro 1909 (pagina de rosto) 01/02/1909
Descrição:
Jornal AVANTE!: orgão e propriedade da Biblioteca do Grupo de Propaganda Livre. Jornal Anarquista. Série I e II, 8 números. 1909-1911. Ano I, nº 1. Évora,1 Fevereiro 1909. Administrador: Sertório Augusto Fragoso, Redator: Francisco Direitinho.

A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã (IAC) mandou a toalha ao chão


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Grazia Tanta

A imprensa divulgou o próximo projeto da IAC – Iniciativa para uma Auditoria Cidadã[1].

Ficámos a saber que a IAC se vai entreter durante as férias a recolher assinaturas para entregar na AR, para esta criar uma Entidade que acompanhe a auditoria. Já temos a IGF – Inspeção Geral de Finanças e o Tribunal de Contas, lembramos nós; é o habitual pendor para a burocracia e a estatização de keynesianos ou, de próceres do trotsko-estalinismo que reina naquelas bandas. Parece brincadeira de carnaval…

Assim, a IAC desiste da auditoria cidadã, do desenvolvimento da democracia inerente à intervenção das pessoas num processo de abertura e de transparência das contas públicas. Aliás, a referência a “cidadã” sempre foi propaganda pois uma grande abertura significaria riscos de radicalização que o controlo partidário exercido sobre a IAC poderia não conter.

A IAC encaminha a questão da dívida para o vespeiro parlamentar pedindo aos deuses que a maioria PSD/CDS aprove os seus propósitos. Para que isso aconteça terão de pedir ao Cavaco que interceda junto da Nª Sª de Fátima. Quanto às pessoas comuns, que se resignem ao que os seus “representantes” decidam, do alto do seu reconhecido brilhantismo intelectual…

Não é estranho que, com tantos académicos, a IAC, ano e meio depois da abertura com pompa e circunstância no S. Jorge, chegue a esta pífia proposta, reveladora de paralisia e total fracasso. Só revela a sua ausência de trabalho concreto e a sua preferência para debitarem no palanque para plateias selecionadas e normalizadas, adequadas ao seu reacionarismo.

A IAC nunca defendeu que a dívida é um problema político, sem solução neste sistema institucional. Não é capaz de assumir que esta divida não é pagável e que só uma posição de princípio – não pagamos – pode abrir caminho ao apuramento de dívidas ilegítimas, a anulações, à criminalização de quantos participaram em actos danosos de gestão pública. Objetivamente, a IAC coloca-se ao lado de Vitor Gaspar, da troika e do capital financeiro, na perpetuação dos sacrifícios e na punição pelo pecado de “vivermos acima das nossas posses”.

A IAC não quer assumir que não se vai a lado algum com as atuais instituições que acoitam uma classe política que se auto-reproduz e para a qual as pessoas são débeis mentais incapazes de perceber a complexidade da situação e as dificuldades da governação; esta, que como sabemos, se reduz ao roubo de rendimentos e direitos da esmagadora maioria dos sobreviventes em Portugal.

Na IAC mandou-se a toalha ao chão e espera-se que uma pouco reflexiva imprensa divulgue prometidas glórias futuras, já que do passado há pouco para apresentar. Como aliás em outras iniciativas dominadas pelo BE, como se verá em breve.

Estivemos recentemente em Espanha num dos muitos “nós” da Auditoriaciudadana e que compõem a rede que se espalha pelo país. Nesse “nó” – criado em outubro último – vimos trabalho, abertura a todos, organização e propostas políticas adequadas à situação que se vive, em Espanha ou Portugal. Não descortinámos a presença de infiltrados ou controleiros partidários embora estivessem presentes algumas pessoas com simpatias partidárias e que, naturalmente, eram encaradas como quaisquer outras. Nem vimos nenhum caso de premeditada exclusão como na IAC que, em dezembro de 2011, recusou a integração de um ativista enquanto explícito defensor da anulação da dívida pública portuguesa.

[1]  http://democraciaedivida.wordpress.com/2013/05/29/iac-promove-pobreza-nao-paga-a-divida-renegociacao-ja/

aqui: http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/05/a-iac-mandou-toalha-ao-chao.html

Até domingo, o livro anarquista marca presença na Feira do Livro de Évora


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A Feira do Livro de Évora conta este ano com uma banca de livros anarquistas no espaço da Livraria “Ler Com Prazer”. Esta mostra/exposição/venda, organizada pelo Colectivo Libertário de Évora (com o apoio do Centro de Cultura Libertária de Cacilhas) vai-se prolongar até ao próximo domingo dia 2, data do encerramento da Feira.

Os livros anarquistas expostos  são a preços acessíveis e ali estão também para venda o jornal MAPA e as revistas Alambique e Apoio Mútuo e o boletim Acção Directa (grátis).

A Feira do Livro de Évora realiza-se na Praça do Giraldo, até domingo, no seguinte horário: de 2ªa 5ª: das 10 às 14 e das 17 às 23h.   – 6ªs e sábado: das 10 às 14 e das 17 às 24h – domingo: das 17 às 23h.

Esperamos por ti.

Entretanto terminou ontem em Lisboa a 6ª Feira do Livro Anarquista, na associação “Amigos do Minho”. Muita gente, muita animação e muito convívio marcaarm esta feira até ao último minuto. Ontem à tarde e noite passaram pela Feira centenas de pessoas, com grande interesse pelos livros e materias expostos (com uma grande persença  das livrarias e editoras do Estado Espanhol, mas também de Portugal).  Para um dos debates a Bibliooteca Terra Livre, do Brasil, enviou um vídeo interessante sobre livros e tudo o que lhe está associado.

A GRÉVE DOS GRÃOS DE TRIGO (texto de Henrique Fèvre)


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     Quasi uma ninharia, semente ligeira, pequenino fruto, talo de erva num sulco, grão rubro numa espiga, pó branco no moinho, festim de inséto, na minha pequenez possuo a humilde inocencia campezina, ocupo um logar impercétivel na natureza, razo com a terra, ignorado dos grandes vegetaes prodigos de sombra e que enormes e musicaes se erguem até ás nuvens como nas igrejas.

      Tão debil e modesto, nada valho por mim mesmo; é necessario que sejamos muitos.  Começam a olhar-nos com consideração quando nos juntamos um centenar para formar uma espiga; uma palhinha nos ergue então um pouco acima do sólo e em volta de nós avistamos o mundo; a brisa que passa faz-nos enclinar em reverencias humildes, pois que ainda nos ergamos continuamos sendo modestos, sempre coisa minima; o primeiro que passa pisa-nos sem querer e morremos. A nosso lado as papoulas levantam as suas pequenas cabeças roxas e as margaridas as suas estrêlas brancas. Entre os seus requebros permanecemos simples, rubros, timidos, um pouco candidos, e os pequenos escaravelhos roxos encarrapitam-se nas hastes que os sosteem como o poderiam fazer num mastro de cocanha. Nem sequer possuimos a barba dos barbudos centeios que vivem perto de nós.

*
     Porém, se a nossa importancia aumenta um pouco com a espiga, torna-se consideravel pela associação das espigas, e então respeitam-nos quando formamos um campo, e até o governo delega um guarda campestre para velar por nós como se fossemos altos personagens. A nossa humilde personalidade desapareceu. Convertemo-nos em multidão e a nossa idilica massa cobre a terra. Todos procuram fazer-nos cêrco; os grandes e orgulhosos vegetaes retrocedem e por mais insignificantes que por nós mesmos sejamos, o numero converte-nos num elemento poderoso. As nossas espigas ondulam como o mar agitado; combatem-nos como se fossemos um ezercito, com as fouces, e como a mão do homem, só, não basta,é precisa a maquina que nos ceifa. A agua, o vento, o vapor, pó. E este mesmo pó é preciosissimo. Somos o pão que nutre os homens.
*
     Então a nossa importancia cresce até chegar á hiperbole. De humildes e rusticos grãos de trigo convertemo-nos em politicos. Para os graves economistas somos os cereais. Na bolsa cotisam-nos como se fossemos ouro; pezamos nos destinos dos imperios, fazemos as revoluções. Por nós se matam os homens. Por nós o sangue corre.
      Na nossa humildade campesina, na nossa benignidade e inocencia de grãos de trigo, em vez de nos orgulharmos, esta luta dos homens entristece-nos.
     O valor que os homens nos impõem, não o queremos, pois é feito da necessidade dos homens e do sofrimento dos pobres. A nossa força bemfeitora e doce despresa-o. Nós queriamos multiplicar-nos; a nossa fecundidade inesgotavel está á disposição dos homens; oferecemos a nossa abundancia e a nossa prodigalidade naturaes; um punhado de nós constitue um tesouro na terra; oferecemos os nossos tesouros inesgotaveis que podem aplacar os mais famintos e saciar todo o mundo. Só pedimos que nos semeiem.
     E os homens negam-se a isso. O cego interesse duns quantos o impede. Roubam-nos a terra, desterram-nos. Os semeadores desfalecem ante este interesse particular e as leis interveem para nos encarecer. Formam-se ligas para restringir a nossa fecundidade. Fazem-nos abortar. E o que mais choca é que os homens se batem por nós, encerram-se entre fronteiras, odeiam-se, levantando ezercitos e alfandegas.
*
     Por fim, este espectaculo, irrita-nos, e ante a maldade dos homens que nos obriga, apesar do nosso caráter modesto e bom, a converter-nos em objéto de lucro têma de assassinato, nós cujo sonho pacifico é dispensar a todos gratuitamente a vida, como o ceu dá o ar e o sol a sua luz, nós rebelamo-nos. A nossa natureza amigavel não quer, não pode suportar este papel de discordia. Vamos declarar-nos em greve sobre toda a superficie da terra. Permaneceremos enterrados nos sulcos, pediremos á tempestade que nos incendeie com os seus raios, que destrua com o seu graniso e ao sol que nos queime. Converter-nos-hemos em palha inutil e esteril. E então os homens famintos compreenderão.
     Compreenderão a inutilidade das suas guerras, a mentira dos seus interesses, a puerilidade do seu orgulho. Terão que considerar que, como nós, são pouca coisa; como nós, compreenderão que nada valem senão em comum, pela associação fraternal de todos, e então a humanidade não formará mais que um só homem, como uma espiga. E não terão medo de semear a terra. Unir-se-hão para semear em logar de  se separarem para combater.
     Os nossos grãos, arremessados profusamente, voarão para os sulcos; cresceremos robustos, macissos; cobriremos a terra com o ouro bemdito e rubro das colheitas que fazem o pão do homem. E todo o mundo poderá viver, porque, então, já nada valeremos. E na nossa modestia ficaremos contentes.
     Mas atualmente o nosso valor espanta-nos, a nossa carestia envergonha-nos…
     Na procima primavera vamo-nos declarar em greve.
Henrique Févre
in A Sementeira – Publicação mensal ilustrada – Crítica e Sociologia, nº 1, Lisboa, Setembro de 1908, pp. 7 e 8
(este texto foi publicado em francês, «La grève des grains de blé», no suplemento literário de domingo do jornal Le Figaro, em 3 de Março de 1894)
sementeira

Contra a Monsanto: “A greve dos grãos de trigo” (uma homenagem também à revista anarquista “A Sementeira”)


A greve dos grãos de trigo…
Grão rubro numa espiga
Pó branco no moinho
Um centenar forma uma liga
A greve dos grãos de trigo

Somos destinos de impérios
Como se fôssemos ouro
Somos riqueza e a miséria
De quem trabalha como um mouro
Por nós o sangue corre
Há carestia e guerra
O que pedimos é só
Que nos semeiem na terra

A greve dos grãos de trigo…
Grão rubro numa espiga

Pó branco no moinho
Um centenar forma uma liga
A greve dos grãos de trigo

Quantos séculos de pão
De mãos e de pés atados
Cada grão vale um milhão
E querem patentear-nos

Rebelde, festim de insecto
Que o sol nos venha queimar
Um colectivo insurrecto
Não teme semear

A greve dos grãos de trigo…
Grão rubro numa espiga
Pó branco no moinho
Um centenar forma uma liga
A greve dos grãos de trigo

Canção interpretada pelo Coro da Achada, letra de Diana Dionísio, a partir de um texto de Henrique  Fèvre com o mesmo título,  publicado na revista anarquista “A Sementeira”  (1908), com música da canção «Andaluces da Jaén». Seria bom que o Coro da Achada desse voz também ao “Hino da Batalha” de que há o texto e a música, mas nenhuma gravação. Obrigado amigos por esta “a greve dos grãos de trigo”, hoje tão actual, a poucas horas da manifestação internacional contra a “Monsanto”. (através de acf)

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(Lisboa) Feira do Livro Anarquista até domingo


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Bancas na 6ª feira do livro anarquista (de 24 a 26/5)

– Acção Popular Libertária

– AIT-SP – Núcleo de Lisboa

– Anarchist Black Cross Brighton*

– Anarchist Black Cross Bristol*

– Biblioteca Libertaria Francisco Ferrer (Génova)

– Biblioteca Terra Livre (São Paulo)*

– Black Bear Distro ( Lisboa )

– BOESG (Lisboa)

– Casa Viva (Porto)

– Centro de Cultura Libertária (Almada)

– CNT-AIT-Almería

– CNT-AIT-Granada

– CNT-AIT-Madrid

– Contra Info

– Deriva & Federação Anarquista Gaúcha (Porto Alegre)

– Distribuidora La Lima (Salamanca)

– Distri Maligna (Madrid)

– Enclave de Libros (Madrid)

– Gruppo Anarchico Germinal (Trieste)

– Grupo Surrealista de Madrid 

– Guarrilleras (Madrid)

– In My Time Distro

– La Felguera Ediciones ( Madrid )

– Librería Bakakai (Granada)

– Librería Nosaltres ( Madrid )

– Livraria Letra Livre (Lisboa)

– Mapa : Jornal de Informação Crítica

– No Borders Brighton*

– Ediciones Madre Tierra (Madrid)

– Revista Alambique (Alentejo)

– Raividições 

– Tertúlia Liberdade (Lisboa)

– Oak Distro

* Participação através de envio de material.
Mais informações AQUI

AMNISTIA INTERNACIONAL CONDENA “USO EXCESSIVO DA FORÇA” PELA POLÍCIA PORTUGUESA


violência

O “uso excessivo da força” por parte da polícia contra manifestantes e ciganos em Portugal é assinalado no relatório da Amnistia Internacional (AI) divulgado hoje (22/5), que adianta que a violência doméstica continua a constituir uma “preocupação séria”.

O relatório anual da organização de defesa dos direitos humanos, com dados de 2012, enumera alguns casos, entre os quais o da manifestação realizada em Lisboa a 22 de março, dia de greve geral, e promovida pela Plataforma 15 de Outubro.

A polícia terá usado “força excessiva contra manifestantes pacíficos”, refere a AI, adiantando que “dois jornalistas receberam tratamento médico depois de alegadamente terem sido espancados pela polícia”.

Os fotojornalistas José Goulão, da agência Lusa, e Patrícia Melo Moreira, da AFP, faziam a cobertura da carga policial sobre os manifestantes no Chiado quando foram agredidos.

Indica ainda que alguns dos detidos (foram detidas nove pessoas e identificadas 21) não foram informados das razões da detenção e não tiveram acesso a um advogado em tempo oportuno.

O terceiro caso apontado ocorreu em setembro em Vila Verde, numa busca para a detenção de um homem num acampamento cigano. “Pelo menos nove ciganos, incluindo crianças, foram alegadamente espancados e abusados física e verbalmente por cerca de 30 polícias; pelo menos três tiveram de receber tratamento médico”, precisa o relatório.

Em relação à violência doméstica, a Amnistia Internacional nota que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e o Provedor de Justiça informaram sobre um aumento de queixas de idosos e que a primeira dá conta de 16.970 vítimas em 2012, contra 15.724 em 2011.

A organização internacional com sede em Londres refere ainda dados da UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta sobre a existência de 36 mortes devido a violência doméstica até setembro de 2012, quando no ano anterior o número tinha ascendido a 27. (LUSA)

(Lisboa) 6ª Feira do Livro Anarquista é já este fim de semana


FLA2013

Programa

Dia 24 – Sexta-feira

15.00 – Abertura da Feira

18.00 – Roda de Capoeira Angola, por Irmãos Guerreiros

19.00 – Apresentação do livro “Crisis de la exterioridad: crítica del encierro industrial y elogio de las afueras”, pelo Grupo Surrealista de Madrid

20.30 – Jantar vegetariano

22.00 – Apresentação de bancas

23.30 – Performance: “Verde Tinto, ou Os Infortúnios da Virtude”, pelo Colectivo Negativo

24.00 – Encerramento

Dia 25 – Sábado

14.00 – Abertura da Feira

14.30 – Apresentação do livro “Flores Silvestres, uma antologia de Abele Rizieri Ferrari”, editado por Textos Subterrâneos

16.00 – Debate: Bibliotecas em espaços autónomos

19.00 – Livro do mês da Casa Viva: “Come Hell or High Water”, de Delfina Vannucci e Richard Singer (AK Press, 2010)

20.30 – Jantar vegetariano

22.00 – Concerto “Corisco”

24.00 – Encerramento

Dia 26 – Domingo

14.00 – Abertura da Feira

14.30 – Apresentação do livro “Diseño sin Diseño: 50 Objetos Anarquistas”, editado por Vacaciones en Polonia e Fundación Anselmo Lorenzo

16.00 – Debate: A indústria mediática e as suas alternativas

19.00 – O legado Olímpico do Rio de Janeiro: Violações de Direitos Humanos e Estado Policial na implementação dos Megaeventos desportivos

20.30 – Jantar vegetariano

22.00 – Encerramento da Feira

Actividades permanentes:

Espaço de actividades para crianças
(pinturas faciais, desenhos, trabalhos manuais)
Sábado e domingo das 15.00 às 20.00

Exposição: Um laboratório de experimentação… desde 2006

Exposição: Aldeia de Maracanã em Dezembro, Rio de Janeiro – Fotografia de Sofia Yu

aqui: http://feiradolivroanarquista.blogspot.pt/p/programa.html

Sobre a detenção dos anarquistas de Sabadell e o terrorismo mediático, judicial e policial


Capturarperiodico diagonal – operação policial em Sabadell

Desde as primeiras horas da manhã do dia de ontem que alguns anarquistas estamos na expectativa de saber quem são os detidos, uma vez que não sabemos quem são nem de que são acusados exactamente. Segundo a imprensa são “membros” do grupo anarquista Bandeira Negra,  doiqual tampouco temos conhecimento e de que apenas soubemos que têm uma página no facebook (entretanto já apagada, NdT)

A verdade é que estas prisões não são mais do que a matrerialização de uma situação que já estávamos à espera que acontecesse. Nas últimas semanas foram saindo esporadicamente artigos na imprensa virtual (Cadena Ser, Europa Press, etc.), fazendo uma salganhada entre factos que não têm uma relação real, mas que servem para criar um ambiente propício a uma acção destas. E não são poucos os companheiros que se manifestaram, através de blogues, páginas e outras publicações, sobre este tema.

 “Enaltecimento do terrorismo” dizem os meios de informação. Mas não mencionam o terrorismo que na própria tarde das detenções levou um jovem de 30 anos de Sant Carles de la Rápita a imolar-se pelo fogo junto à Câmara Municipal da cidade, nem qualificam como terrorista a situação que levou um homem de Murcia a suicidar-se à espera de ser despejado, um dia antes das prisões de Sabadell, mas preferem falar de terroristas anarquistas e condicionar a opinião sobre o descontentamento generalizado que faz com que muitos jovens já não acreditem nas “soluções” políticas estabelecidas (ver o ridículo artigo de La Vanguardia, no próprio dia das detenções, “Cerca de 12.000 pessoas pertencem a grupos violentos em Espanha”, em que se metem no mesmo saco anarquistas, Lating King e grupos fascistas).

“Enaltecimento do terrorismo” dizem os juízes. Mas não referem o terror que cria a aplicação das suas leis cada vez mais duras contra os pobres nem o endurecimento penal que este ano aumenta as penas (muitas delas relacionadas com os protestos). Preferem continuar com a sua política de terror , desalojando famílias, condenando duramente a pobreza e o protesto, atacando os que lutam contra este Sistema que asfixia e oprime.

 “Enaltecimento do terrorismo” diz a polícia. Mas não mencionam o terror que geram as suas balas de borracha e os seus gases, a sua prepotências  e as suas agressões. A sua cumplicidade com os grupos neonazis e fascistas aqui, na Alemanha, na Rússia, seja onde for.

De momento nem sequer sabemos os nomes dos detidos, apenas (e também segundo a imprensa) que amanhã serão presentes na Audiência Nacional ao ju+iz Santiago Pedraz, o nosso novo Garzón. Este personagem, que passa por ecologista e progressista é o anel que serve bem ao dedo da situação actual, é o que se pode chamar de juiz centauro: ao mesmo tempo que decide não processar De Juana Chaos pelos seus artigos de opinião e arquiva o processo pelo cerco ao Congresso em Madrid, declarando que “é preciso que se saiba que não nos cabe proibir o elogio ou a defesa de ideias ou doutrinas, por mais que se afastem ou, inclusive, ponham em questão o marco constitucional”, assinou a sentença contra trinta e três pessoas acusadas de pertencerem a Jarrai, Segi e Haika (organizações independentistas bascas, NdT) e manda prender anarquistas por enaltecimento do terrorismo.

Pois bem, supomos que, da mesma forma que o seu antecessor Baltazar, aplaudirá e fomentará a tortura aqui e agora enquanto condena a repressão no Tibete e interroga os ditadores guatemaltecos.

Enquanto esperamos por mais notícias sobre os nossos companheiros apelamos à solidariedade para com eles. Sabemos que está aberta a investigação e que está a haver mais prisões na mesma zona (desta vez em Terrassa e Cerdanyola).

Liberdade para os/as anarquistas presos/as!

Algumas anarquistas de Barcelona

16/5/2013

fonte: http://www.alasbarricadas.org/noticias/node/24677

«Guerra Civil»!, por Joaquim Palminha Silva


ZePovinhoOraToma

Joaquim Palminha Silva

            O que vou escrever não pretende ser uma análise aprofundada.
            A crise económica, cultural, política e de mentalidades que se vive em Portugal, neste início do século XXI, deverá um dia ser objecto de estudo documentado e profundo, desde que beneficie de distância histórica suficiente. Vou, pois, analisar, no actual contexto, algo para lá da fronteira do imediatamente visível, naturalmente sob o ângulo da experiência vivida e, é claro, como tantos outros, sofrendo inelutavelmente na própria existência as turbulências do tempo.
            A clássica luta de classes (segundo a definição marxista) não desapareceu de todo, mas foi largamente acrescentada e, por conseguinte, acabou ultrapassada com o aparecimento de novas formas de choque de interesses, luta e combate que lhe subalternizam o impacto.   Comecemos por dizer isto: – A situação actual é o resultado de uma experiência política e social estudada, depois praticada sistematicamente e, finalmente, concluída com sucesso, através da orquestração de um conjunto de forças financeiras, culturais, políticas e sociais a que, à falta de melhor definição, dou o nome deInterterror mercenário ao serviço do Kapital!
            Na realidade, a presente situação ultrapassou o modelo repressivo clássico usado em Democracia pluralista, mas limitativa no âmbito institucional e social, e praticado sobre os diversos escalões da população trabalhadora, da pequena-burguesia, mesmo de quadros técnicos e algumas empresas de tipo familiar.
            Desde sempre, o Estado e os governos que o usam (e abusam) retiraram a sua sobrevivência parasitária da colecta de impostos e taxas aos cidadãos, devolvendo depois ao contribuinte (quando devolvem!) a prestação de alguns serviços públicos (ensino, saúde, etc.), naturalmente na sua versão minimalista.
            Súbito, esta lógica tradicional e periódica de cobrança de impostos foi alterada. Embora não existam barricadas nas ruas (algum dia as veremos?), não se assista ao marche-marche da soldadesca mercenária, nem a constantes cargas policiais de bastão em punho, desbobinam-se aqui e agora uma série de operações repressivas, seguindo moldes militares,  levadas a efeito porcomandos treinados na repressão e, pior que tudo, existe do lado do Poder Político e do Kapital um espírito de ataque, de emboscada, de colocação de minas e armadilhas para aniquilar os escassos meios de sobrevivência do cidadão desprevenido. Existe, na verdade, sob uma forma não declarada e ainda não identificada pela população sofredora, um autêntica guerra civil!
            Entretanto, através do governo que o usa, o Estado criou uma autênticafrente terrorista para executar acções especiais, cirúrgicas, nesta modalidade de guerra civilFrente terrorista, cuja operacionalidade e eficácia ficou garantida desde o primeiro instante da sua estreia no terreno. Porquê, pergunta-se? – Na verdade, se a alta burguesia nunca se distinguiu por nobreza cavalheiresca na luta de classes, não seria possível que na actualidade isso se viesse a modificar, antes foi acrescentada à sua crueldade e frieza, de forma desapiedada, uma maior dureza na luta, porque este corpo de operacionais do terror foi treinado para servir o Kapital sem obedecer a qualquer moral, exibindo como suplemento um vazio de memória religiosa, cultural e histórica até hoje nunca experimentado em regime democrático (salvo talvez, e de forma incipiente, no período da 1ª República, 1910-1926)! *
            Esta força de operacionais do terror, uma vez instalada no Poder, passou ao ataque das forças do Trabalho de forma violenta e inesperada, levando para o território social um arsenal que possibilita a exterminaçãodeterminada de numerosos cidadãos de fragilidades mais acentuadas: – Mês após mês é anunciado inesperado imposto, cobrada insólita taxa moderadora num qualquer serviço de Estado. Mais, e pior, chegam mesmo a retirar dos salários subsídios tradicionais (Natal e Férias) e, pasme-se, reduzem os próprios salários de forma arbitrária.
            Como se sabe, acções destas nascem da intenção de angariar fundos mas, na medida em que estes visam desesperadamente um fim (suposto pagamento de enorme dívida externa), este encontra-se implícito no desespero violento destas acções de colecta de taxas e impostos. Digamos mesmo, há nestas medidas algo de alucinado, de suicidário!
            Resumindo, a relação destas acções de colecta violenta com a vida mental que nelas se exprime, é de tal forma constante que nos permite plausíveis radiografias sobre o conteúdo do pensamento dos governantes, e sobre esta sua frente de interterror mercenário! – O fundo aparentemente oculto das suas mentes, aparece à luz do dia pela sua ausência de ética, de humanismo (cristão ou laico), do uso contínuo ora do cinismo ora da mentira no discurso institucional, de Estado. Por outras palavras, estas mentes revelam-se praticantes do fascismo mental a resvalar para um “nazismo caseiro”, digamos, género «Pátio das Cantigas»!
            A iniciativa desta nova forma de violência está, naturalmente, nas mãos do governo, o que quer dizer que quem leva vantagem nesta guerra civil é o Poder Político que serve o Kapital!
            O Parlamento apenas regista as lamúrias de uma oposição reformista, completamente aborregada, bem como os seus ralhetes palavrosos, incapazes de motivarem a resistência activa dos cidadãos e, portanto, sem qualquer influência revolucionária nas massas pauperizadas.
            Quanto aos sindicatos, diga-se que organizam desfiles onde se repetem até à saturação as mesmas lamúrias, os mesmos ralhetes ao governo, que a oposição dos partidos de “esquerda” pratica no Parlamento. Devo acrescentar que a imensa multidão de gente auto-intitulada indignados, com as suas manifestações e desfiles mais ou menos “ordeiros”, acabam por praticar uma espécie de terapia de grupo, boa apenas para o ego dos próprios, nunca por nunca algo que atemorize o Interterror mercenário ao serviço do Kapital, e o faça recuar!
            Em síntese, a guerra civil está instaurada, mas com o factor surpresa a funcionar em desfavor dos sofredores, do mundo do Trabalho!
            O Interterror mercenário, além do apoio táctico e estratégico das força militares e para-militares, dos juízes e tribunais, passou presentemente a beneficiar da impunidade que lhe advém de administrar o País ao serviço de prestamistas estrangeiros, em nome de uma enorme dívida nacional, de contornos mal definidos e pagamento mal explicado e pior organizado. Com este imbróglio na ordem do dia, como factor “natural” impera o reino da “chantagem”, da ameaça velada ou declarada, da perseguição burocrática, do absoluto controlo dos cidadãos através do número fiscal, bem como um sem número de baterias que com o seu fogo podem varrer as “barricadas” dos eventuais insurrectos, mesmo antes que estes levantarem as “barricadas”.
            A violência, que é lançamento desprevenido de enormes quantidades de cidadãos na precaridade económica e, portanto, a resvalarem para a indigência, desenha-nos um autêntico cenário de guerra civil. Já o dissemos: –Guerra civil com vantagem para os inimigos dos cidadãos, dos trabalhadores, dos contribuintes. O Interterror mercenário está definitivamente instalado!
            Assim, em meu entender, a visão do momento histórico não pode fugir à figura histórica da guerra civil!
            Acontece, porém, que a maioria da população, porque ainda não vê o sangue dos combates manchar as calçadas (embora esse sangue já exista!), julga que vive no território da calmaria civil e institucional. Esta ideia não pode estar mais errada!
            Com efeito, nos nossos dias, existirá algo que não se encontre rodeado de ameaças, incertezas e riscos? – O emprego, a compra de medicamentos, a vida, a escolha dos estudos, a constituição de família, a reforma e pensão disto e daquilo, a emigração de portugueses, os “subúrbios” onde habita toda a miséria; tudo, mas mesmo tudo, é motivo de inquietação e insegurança!
            O nosso dia-a-dia está povoado de armadilhas. A toda a hora sofremos autênticas emboscadas, planeadas como operações militares (acreditem ou não) a sofrer por todos nós, “declarados inimigos” do Estado e, naturalmente, do governo que o usa. Enfim, quase tudo é motivo de inquietação; quase tudo está armadilhado para nos explorar, para nos surpreender pela negativa, para nos emboscar, com métodos que conduzem ao nosso aniquilamento como seres humanos e cidadãos, cuja designação só encontramos recuando aos anos europeus anteriores a 1945.
            Tentacular, omnipresente, o processo de ataque, municiado com um sistema matreiro de minas e armadilhas contra os cidadãos desprevenidos, acabou por transformou o território português num espaço de inquietação, e colocou a própria sociedade a respirar uma atmosfera de receios e temores.
            Já quase não se acredita num futuro necessariamente melhor que o presente, porque ganham forma todos os dias novos medos ligados à prática governativa actual e àquela que vier no dia de amanhã.
            Estamos sofrendo todos os dias, porque desapercebidos, uma enorme derrota nesta guerra civil, dado que nos tem faltado o essencial… – A coragem para erguer a barricada (que não é apenas levantar pedras da calçada), criar uma nova e organizada desobediência civil, alternativas sociais concretas e não retórica, criação de estruturas paralelas de sobrevivência, que ignorem o mundo do mercado e do lucro capitalista (ressuscitando um efectivo cooperativismo!) e, finalmente, colocar as renovadas bandeiras negra e vermelha a flutuarem ao vento no campo da imaginação e da nova insurreição!
            Nem só de sangrenta violência são feitas as insurreições: – É urgente, como fonte de inspiração, voltar a estudar o exemplo da luta de independência …  na Índia do Mahatma Gandhi!
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publicado no nº 254 de “A Batalha”, Março-Abril de 2013
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* Excluímos o largo período da Ditadura por razões óbvias, entre as quais se salienta o facto essencial de que  esse regime foi um absurdo e uma ilegalidade institucional.

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