Mês: Junho 2013

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Testemunhos


Julgamento dos 226 detidos da Greve Geral vai ser a 12 de Julho

O julgamento das 226 pessoas detidas na quinta-feira no bairro da Bela Flor, em Lisboa, vai ter início a 12 de julho, disse hoje o presidente do conselho distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, Vasco Marques Correia.

“Foi-nos concedido prazo para apresentar defesa. A advocacia sai daqui reforçada, porque os direitos dos cidadãos estão a ser assegurados”, afirmou Vasco Marques Correia aos jornalistas no Campus de Justiça, em Lisboa.

O advogado Garcia Pereira acrescentou que foi requerido prazo para defesa, que é de 15 dias, e que “naturalmente impedia que se fizesse o julgamento” antes.

“Parece-me que era a única solução possível, face à confusão aqui instalada”, disse o advogado Vasco Marques Correia, referindo-se às 226 pessoas notificadas durante a noite de quinta-feira para comparecerem hoje de manhã no Tribunal de Pequena Instância de Lisboa.

“Trata-se de um processo uno, que continua como processo sumário e que segue no dia 12 de julho às 09:30”, reforçou Garcia Pereira.

Os defensores, que puderam ver o auto, confirmaram que a acusação citada é de atentado à segurança de transporte rodoviário.

O advogado manifestou a convicção de que os arguidos não cometeram qualquer crime e acrescentou: “a polícia também sabe que não houve qualquer manifestação de desobediência”.

Garcia Pereira reiterou que as pessoas foram “conduzidas pela polícia a uma armadilha, montada” com o objetivo de “criar ficheiros de pessoas ligadas a estas iniciativas de protesto”.

“Aliás, perguntámos se os 226 arguidos deste processo eram os agentes da polícia que os conduziram”, afirmou Garcia Pereira, referindo-se à escolta policial que os manifestantes tiveram quando saíram da Assembleia da República.

Os advogados frisaram que o tribunal não tem condições para realizar um julgamento desta dimensão (com mais de 200 arguidos), acrescentando que um cidadão teve um ataque epilético no local, “onde não há ventilação”.

Garcia Pereira disse que não é próprio de um Estado de Direito forçar pessoas a comparecerem em tribunal nestas circunstâncias, depois da noite que passaram.

O advogado frisou que se cada arguido arrolar dez testemunhas, serão 2.260 testemunhas que terão que comparecer. (LUSA)

(Solidariedade) COMUNICADO DE IMPRENSA DOS MANIFESTANTES DETIDOS NO BAIRRO DA BELA FLOR


manif

Nós, os manifestantes detidos hoje, 27 de Junho de 2013, no bairro da Bela Flor, saímos em manifestação espontânea a partir de S. Bento, com a polícia constantemente a acompanhar-nos sem nos nos dar qualquer tipo de indicações. Durante todo o percurso, os manifestantes foram pacíficos e não causaram qualquer tipo de danos. Após a passagem pelo Centro Comercial das Amoreiras, quando nos aproximámos do acesso para a Ponte 25 de Abril, pela primeira vez, as autoridades comunicaram connosco para nos indicar que enveredássemos para o acesso à Ponte 25 de Abril. Fomos encorralados por dezenas de membros e carrinhas do corpo de intervenção que esperavam fora de vista, e então dirigidos para o bairro da Bela Flor, sempre rodeados pelo corpo de intervenção. Ficámos detidos na rua desde as 19 horas (passa já das 23 horas e só agora estamos aos poucos a ser libertados), sem acesso a água ou sanitários. Após identificação e revista um a um dos cerca de 200 manifestantes, foram-nos apresentados, documentos para assinar ao mesmo tempo que se dificultava o acesso a advogados. Acabámos por saber que teremos que comparecer todos amanhã, 28 de Junho, às 10 da manha no Campus da Justiça do Parque das Nações. Pedimos a presença e solidariedade de todos para os procedimentos.
Já na anterior Greve Geral aconteceram inúmeras irregularidades nas detenções que foram efectuadas e, mais uma vez, o governo procura formar um escândalo para tentar abafar o impacto da Greve Geral.
Aqui não há criminosos mas há arguidos; no governo não há arguídos, há criminosos.

Os Manifestantes Detidos no Bairro da Bela Flor
Bairro da Bela Flor, 27 de Junho de 2013

manifestantes.da.bela.flor@gmail.com

Solidariedade, hoje, dia 28 de Junho,  às 10 da manha no Campus da Justiça do Parque das Nações (Lisboa): AQUI

Dia 27 de Junho: à greve, companheiros (laboral, de consumo, de lazer, etc.)


As centrais sindicais do sistema, CGTP e UGT, convocaram para o próximo dia 27 de Junho uma greve geral em protesto contra as medidas que o governo tem vindo a pôr em prática contra os trabalhadores. Razões para esta greve geral não faltam e só é pena que o reformismo das duas centrais sindicais maioritárias não lhes permita irem mais além e convocarem uma greve geral, de duração indeterminada, que só terminasse quando o governo revogasse as medidas mais gravosas que atingem quem trabalha  (nomeadamente o corte de salários e as reestruturações que apenas visam o despedimento de trabalhadores) ou aceitasse a redução do horário de trabalho para as 30 horas semanais de forma a permitir combater o desemprego e não o aumento para as 40 horas que anuncia.

Apesar das limitações da greve e de todos sabermos que ela pouco irá mudar na situação em que vivem os trabalhadores portugueses é nas ruas que os anarquistas e os anarco-sindicalistas devem estar, explicando as limitações deste tipo de luta proposto pelas centrais sindicais reformistas e incentivando os trabalhadores a outras formas organizativas e de combate.

Os últimos grandes movimentos de jovens, trabalhadores, desempregados na ruas das principais cidades brasileiras, turcas e gregas indicam o caminho:  só através da mobilização generalizada e da criação de estruturas antiautoritárias, assembleárias e de base,  horizontais, é possível combater o Estado e o capital . Não através de desfiles do “faz de conta” ou de greves em que, no dia seguinte, se conclua que nada mudou. Sabemos que é assim, mas até chegarmos a esse momento e a esse patamar de organização é preciso aproveitarmos todas as oportunidades para fazer com que a influência das ideias libertárias cresça e se afirme.

Por isso, é tão importante estarmos presentes em todas as lutas que vão acontecendo, marcando presença e influenciando-as no sentido de uma maior radicalidade e de uma mais rigorosa definição de objectivos: para nós, anarquistas e anarco-sindicalistas, é irrelevante que este governo caia ou não. Lutamos para que todos os governo desapareçam e sejam substituídos pela auto-organização dos explorados e oprimidos.

 em

A Batalha Está Proclamada a Greve Geral

Boletim Acção Directa Nº 7


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Sumário:

À greve, companheiros!

O que é o anarco-sindicalismo

O Estado e o governo numa deriva cada vez mais autoritária

Entrevista a Noam Chomsky: o anarquismo, o leninismo, o capitalismo…

Polícia: bater, reprimir e matar não é trabalho!

Memória Libertária: Aquilino Ribeiro

A Greve dos Grãos de Trigo

Turquia: do lado solidário da barricada

Brasil: viva o protesto popular

Para descarregar:

Aqui: (Issuu)

Aqui: (PDF)

Polícia: bater, reprimir e matar não é trabalho!


É impossível olharmos para os acontecimentos da última semana no Brasil e na Turquia sem referir o papel da polícia nesses eventos.

 Numa sociedade democrática como aquela que querem fazer pensar que vivemos a polícia tem como missão “assegurar a liberdade democrática, garantir a segurança interna e o livre exercício dos direitos fundamentais dos cidadãos, bem como o normal funcionamento das instituições democráticas”, ora do meu ponto de vista apenas um dos quatro pontos referidos tem sido cumprido. A polícia proíbe a liberdade democrática, causa insegurança aos cidadãos, reprime o livre exercício dos direitos civis, e apenas garante o normal funcionamento das instituições democráticas, mas com um pequeno senão, essas instituições não são democráticas como se tem constatado.

É impossível a uma pessoa normal ver a atuação da polícia nos eventos da semana passada e não sentir o mínimo de repulsa ou aversão, para não falar de odio ao papel da polícia. Ora podem dizer que estão apenas a cumprir o seu dever, e que tem filhos para alimentar entre outras desculpas, mas vendo as coisas por esse prisma o ladrão ao roubar também faz o seu trabalho tal como o traficante de droga tem filhos para alimentar.

Bater, reprimir, e matar não é trabalho.

FL (recebido por email)

(Agenda) Lançamento do livro “Roteiros da Memória Urbana Setúbal – Marcas deixadas por libertários e afins ao longo do século XX”


setúbal

A “Casa da Cultura” de Setúbal vai ser palco este sábado para o lançamento  do livro “Roteiros da Memória Urbana Setúbal – Marcas deixadas por libertários e afins ao longo do século XX”, de João Freire e Maria Alexandre Lousada, com apresentação de Albérico Afonso, Luísa Tiago de Oliveira e Paulo Guimarães. Pelas 22 horas.