Mês: Julho 2013

(Debate) O Outono do nosso descontentamento: sobre as manifestações anti-austeridade em Portugal


ccl

Este sábado, dia 3 de Agosto, os protestos e as manifestações do Outono passado vão estar em debate no Centro de Cultura Libertária, em Cacilhas.

No dia 15 de Setembro de 2012, centenas de milhares de pessoas saíram à rua em protesto contra as chamadas “medidas de austeridade” na manifestação convocada com o lema “Que se lixe a Troika!”. No final do dia, dezenas de milhares negaram-se a dar por terminada a manifestação e rumaram a São Bento, onde um grupo numeroso e heterogéneo de manifestantes confrontou as linhas do Corpo de Intervenção da PSP, através do derrube das barreiras e do lançamento de objectos. Este tipo de actos tornou-se quase um ritual nos dois meses seguintes. As manifestações e os cercos ao Parlamento sucederam-se e os mitos do protesto pacífico e dos “brandos costumes” portugueses foram paulatinamente sendo quebrados. O corolário deste período teve lugar na Greve Geral de 14 de Novembro de 2012, com a repressão policial sobre a multidão concentrada em frente ao Parlamento.

A partir do visionamento de uma compilação de vídeos das manifestações, lançamos um debate sobre este período, analisando as suas contradições e potencialidades.

Às 17h30 – Vídeos + debate: O Outono do nosso descontentamento: sobre as manifestações anti-austeridade em Portugal

20h – Jantar vegano

Centro de Cultura Libertária (Cacilhas)

Facebook: www.facebook.com/CentroDeCulturaLibertaria
Blog: http://culturalibertaria.blogspot.pt/
E-mail: ateneu2000@gmail.com
Endereço postal: Apartado 40 / 2800-801 Almada (Portugal)
Sede: Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas – Almada

manifestação-14-novembro-

Qual era aquela frase que costumávamos gritar? Banqueiros aos candeeiros?


puta

Há quem estranhe o dito desta Maria Antonieta de trazer por casa. Nós não. Sabemos bem de que é feita esta burguesia aristocrata de banqueiros e outros profissionais do roubo. Nas férias, vêm ao Alentejo, para nas “suas” propriedades e nos “seus” resorts “brincar aos pobrezinhos”. Mas um dia – já aconteceu e vai voltar a acontecer – aos “pobrezinhos” vai apetecer brincar às revoluções, à reforma agrária e a um mundo sem patrões nem chefes. Nesse dia haverá banqueiros que irão também, quais Marias Antonietas, ver rolar as suas cabeças. Ou talvez não: são cabeças tão vazias, ocas e desprovidas de qualquer interesse que o melhor talvez seja, nesse dia, pô-los todos num resort e ali os deixarmos a brincarem aos seus sonhos molhados de “meninos ricos”. Até que a raça se extinga.

e.m.

images (19)

L’humanité ne sera heureuse que le jour où le dernier bureaucrate aura été pendu avec les tripes du dernier capitaliste! (frase de maio/68)

(Eles comem tudo) PSD/CDS aprovam aumento de horário de trabalho na Função Pública


Publicação1

Os deputados do PSD/CDS acabam de levar a efeito mais uma afronta aos direitos dos trabalhadores. Depois dos cortes nos mais variados sectores, dos salários até aos feriados, o governo prepara-se agora para aumentar aquilo que é uma das conquistas centrais dos trabalhadores: o horário de trabalho.

Até agora os trabalhadores da Função Pública, como muitos outros trabalhadores do sector privado, trabalhavam 35 horas semanais. A contraciclo com as inovações tecnológicas, que permitem a redução do tempo de trabalho e diminuir o desemprego, o governo aumentou o horário de trabalho dos funcionários do Estado para as 40 horas semanais.

Quando o movimento sindical em vários países da Europa reivindica as trinta horas de trabalho semanal para todos, sem baixa de salário, o governo português, num braço de ferro com os trabalhadores, tentando vergá-los à sua ideologia ultramontana e de classe, aumenta os horários, lançando milhares de trabalhadores para o desemprego – uma realidade que em Portugal atinge já mais de um milhão de portugueses, mais de metade sem direito a subsídio de desemprego.

É necessária uma resposta mais forte do que aquela que os sindicatos oficias têm preconizado e que pouco mais tem sido do que protestos avulsos nas galerias ou frente ao Parlamento. Será que o aumento do tempo de trabalho desta forma tão drástica, não mereceria também uma resposta drástica – uma greve geral na Função Pública até que as 35 horas fossem repostas (uma vez que a reivindicação das 30 horas semanais nem faz parte da agenda da CGTP ou da UGT)?

r.

Um Povo em Armas (1937) : um documentário da CNT


Documentário  sobre o início da Revolução Espanhola realizado pela CNT. Imagens e canções marcantes da época, numa altura em que já é visível o confronto entre Revolução Social e Guerra Civil. Neste documentário são também já bastante nítidas as divergências com os comunistas que seguiam, no terreno, a estratégia de Staline e para quem a vitória da Revolução Espanhola, de cariz acentuadamente libertário, era algo a combater. É também criticada a participação da CNT no Governo da República, pelos compromissos e tibiezas que gerou.

(cinema) Luís Buñuel morreu há 30 anos deixando uma obra subversiva e revolucionária de cariz libertário


Capturar

Retrato de Luis Buñuel por Salvador Dali

Assinalam-se hoje 30 anos sobre a morte de Luis Buñuel, o grande cineasta e realizador espanhol.

Revolucionário, Buñuel bebeu nas raízes surrealistas e libertárias do imaginário castelhano, produzindo obras de clara ruptura e confronto com o mundo burguês, clerical e autoritário que vingou em grande parte do sul da Europa e de que “O Cão Andaluz” ou “Viridiana” são apenas dois exemplos.

Um artigo publicado por ocasião do centenário do seu nascimento, a pretexto duma  mostra da sua cinematografia realizada no Brasil, dá conta da “alma anarquista” de Luis Buñuel. (aqui)

A ler também: um artigo do realizador Carlos Saura hoje no El Pais.

Escreve Carlos Saura, citando Luís Buñuel:  “Os católicos inventaram a confissão para poderem controlar o último reduto da nossa liberdade: a imaginação; tive maus pensamentos, confessava, quando era criança, atormentado pelas chamas do inferno”. “Que pensamentos eram esses, filho”, perguntava-me o padre. “Mulheres nuas, o sexo, masturbava-me”…

Capturar

“Viridiana” – A “Ceia dos Pobres”

ver o vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=3lLsZATANAQ

(AIT/SP) Resumo das acções de solidariedade com os trabalhadores do Minipreço


porto

Acção junto ao Minipreço do Porto (foto jornal Público)

Na quinta-feira, dia 25, a partir das 19h, realizaram-se acções no Porto, Lisboa, Setúbal e Faro, em solidariedade com os 4 trabalhadores do supermercado Minipreço da Rua Miguel Bombarda (Porto) transferidos por terem aderido à Greve Geral de 27 de Junho. As acções foram convocadas na Internet e realizadas por iniciativa de pessoas solidárias.

– No Porto, entre as 19h e as 21h, as caixas de pagamento do Minipreço da Rua Miguel Bombarda estiveram bloqueadas, o livro de reclamações foi preenchido massivamente por mais de 100 pessoas e os clientes foram sensibilizados para o caso. Nos dias anteriores, já tinham sido colados cartazes de solidariedade nas imediações desta loja do Minipreço.

– Em Lisboa, cerca de duas dezenas de pessoas concentraram-se em frente ao Minipreço da Rua Carlos Mardel, por baixo dos escritórios desta empresa. Foram distribuídas centenas de comunicados às pessoas que entravam na loja, que iam sendo informadas sobre a situação dos 4 trabalhadores do Minipreço do Porto. Foram vários os clientes que manifestaram a sua indignação e desistiram de fazer compras no supermercado.

– Em Setúbal, foram distribuídos cerca de 400 panfletos de solidariedade com os trabalhadores do Minipreço e com os estivadores do porto de Lisboa a clientes de duas lojas do Minipreço (5 de Outubro e Av. Guiné-Bissau) bem como a muitas outras pessoas nas ruas circundantes e em automóveis estacionados.

– Em Faro, foram distribuídos 80 comunicados aos clientes e trabalhadores do Minipreço da Praça Ferreira de Almeida. Os trabalhadores de um restaurante próximo solidarizaram-se, preenchendo o livro de reclamações do Minipreço.

A AIT-SP participou nas concentrações no Porto, em Lisboa e em Faro onde distribuiu comunicados de solidariedade apelando ao boicote aos supermercados Minipreço até à readmissão na loja de origem dos trabalhadores transferidos.

Surpreendentemente, no mesmo dia 25 de Julho, a Comissão Sindical CESP/CGTP-IN, na empresa Dia Portugal Supermercados, divulgou um comunicado em que repudia “o boicote que algumas organizações, que nada têm a ver com os trabalhadores do grupo ou seus representantes, estão a desenvolver contra as lojas desta empresa”.

Por uma simples questão de solidariedade de classe, sem a qual a luta dos trabalhadores estará invariavelmente condenada ao isolamento e à derrota, somos perfeitamente indiferentes a esta acusação. A AIT-SP/Núcleo de Lisboa considera que é importante que situações como a do Minipreço comecem a ser alvo de uma resposta contundente por parte dos trabalhadores, não apenas dos directamente implicados, mas de todos. Só dessa forma se poderá pôr cobro à impunidade de que gozam actualmente os patrões em tantas empresas e que fazem com que, para tantos trabalhadores, todos os direitos que as leis prevêem e os sindicatos defendem não passem de uma miragem.

Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa (Núcleo de Lisboa)

27/Julho/2013

Mais um morto em acidente de trabalho no Alentejo


acidentes

A morte de um trabalhador tem sempre a ver com infracções às regras de segurança. Muitas vezes isso acontece, não por culpa dos trabalhadores – que é quem arrisca a vida -, mas das deficientes condições de trabalho, do diminuto número de braços para um determinado serviço, no desenrasca-que-assim-o-patrão-tem-mais-consideração-por-ti, na avidez patronal pelo lucro. É necessário pôr termo a este flagelo e temos que ser nós, trabalhadores, a exigirmos melhores condições de trabalho e segurança.

Um homem de 52 anos morreu hoje num acidente de trabalho ocorrido em Santiago do Cacém, quando procedia ao descarregamento de uma máquina de rasto de um reboque, informaram fontes dos bombeiros e da GNR.
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal indicou que o acidente, cujo alerta foi dado às 09:48, ocorreu na Herdado de Pasmo, perto de Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém.
A vítima terá sido atingida por uma máquina de rasto, que capotou quando estava a ser descarregada do reboque de um veículo pesado.
Em 2012 os acidentes de trabalho na agricultura e florestas causaram 23 mortos, um número que tem vindo a aumentar nos últimos três anos, segundo dados divulgados pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).
Segundo esta entidade, estima-se que, em Portugal, morra diariamente uma pessoa devido a acidente de trabalho ou doença profissional.

e.m.

O uso da violência na luta contra o capital


violência

O uso da violência contra bens materiais em manifestações ou protestos, sempre foi apelidado pelos média e por quem nos governa como actos de vandalismo, normalmente realizados por “meia dúzia de profissionais da desordem”. Ora até que ponto é ou não legítimo o uso dessa violência da nossa parte? Recentemente no Brasil a televisão fez questão de mostrar a pilhagem de lojas, e a destruição de dependências bancárias, utilizando essas imagens para manipular a opinião pública. Ora sabe-se que a grande maioria das pessoas não concorda com essas atitudes e acha-as erradas, justamente aquilo que serve a quem faz questão de exibir tais imagens, e a quem controla os meios que as divulgam.

Sendo assim porque é que alguém recorre a essas acções? Tendo em conta que ao faze-las irá certamente por em causa a legitimidade do seu protesto aos olhos do comum mortal. Em primeiro lugar quem recorre a estas acções não esta minimamente preocupado com o que as massas pensam acerca de tais acções, em segundo porque se somos tratados como números, é em números que temos que nos exprimir.

O capital alimenta-se do lucro, é essa a sua razão de existir, e a sua avidez por este supera tudo e mais alguma coisa, quer seja o respeito pela natureza, pela forma como dizima os seus recursos, quer seja o valor da vida humana, pela forma como a explora e dela se aproveita.

Ao contrário de todos nós que temos vários e diferentes objectivos na nossa vida, o capital tem apenas um, o lucro, é este o seu único objectivo e a sua única razão de existir. Para ter lucro o capitalismo não olha a meios nem a fins, não respeita nada, nem ninguém.

Existem apenas duas maneiras de combater esse objectivo, ou boicotando ou causando prejuízo. A destruição de património de um banco não é vandalismo, é justiça, não é possível comparar a prejuízo causado a um banco destruindo o seu património com aquele que o banco causa a vida de milhares de pessoas diariamente, seja aquelas que explora directamente, seja aqueles que sofrem por causa das suas acções, com resgates, especulações e com a nova ditadura dos mercados financeiros. O combate tem que ser feito na mesma língua, se alguém me ameaça fisicamente eu posso responder da mesma forma, se alguém me explora com o objectivo de lucrar com o meu trabalho eu tenho que anular esse lucro, como? Simples, boicotando ou causando prejuízo. Preferencialmente  ambos.

FL (recebido por mail)

images (13)

A propósito dos últimos acontecimentos políticos


11

 

DIFICULDADE DE GOVERNAR

1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht, in “poemas” presença, 1976
trad. Sylvie Deswarte, Arnaldo Saraiva

751520