Day: Julho 2, 2013

A esquerda política não tem estratégia nem programa. É irrelevante.


pombal

A frase a que estes manifestantes dão actualidade – algumas centenas de militantes de grupos como o 15 de Outubro, o BE ou o MAS reunidos esta noite no Marquês de Pombal –  remete para a resposta que Humberto Delgado deu a um jornalista que lhe perguntou o que faria a Salazar, se fosse eleito presidente da República. Delgado respondeu “obviamente, demito-o”. Ao dizer isto significava tirar Salazar do Governo, num gesto que – todo ele – prenunciava o fim do regime fascista e a abertura à liberdade de associação e expressão, ao fim da PIDE e à democracia.

Bem diferente é este “obviamente, estão demitidos”. Não significa nada, senão a falta de horizonte e perspectiva dos grupos da esquerda política, cujo programa apenas assenta na “demissão do Governo”. Nem no plano que é o seu – da política – têm alternativas ou qualquer construção de uma plataforma que se consiga apresentar pela positiva.

O mesmo significado tem as manifestações que o PCP está a convocar para amanhã. O  programa destes grupos da esquerda política resume-se a isso: o pedido de demissão do governo, o voto. De novo, o pedido de demissão do governo, o voto. Uma e outra vez. Sempre na esperança de terem mais um deputado, uns lugares de assessoria e uns dinheirinhos do orçamento de estado. O que dá bem a imagem da sua irrelevância não apenas social, mas como também de alternativa política. São um deserto de ideias, felizes por agora pedirem a demissão destes, amanhã do PS, depois de quem vier.

Gastam o tempo assim. Irrelevantes ideológica, social e  (também politicamente) como são, na verdade o que é que mais poderiam fazer?

(A saída de Portas) Sai um, sai outro. O que queremos é o navio ao fundo.


demosratosnavio

Um a um os ratos vão abandonando o navio. Ontem o rato das Finanças, Gaspar; hoje, a ratazana Portas; outros vão sair como os do CDS, Cristas e Mota Soares. Já anda gente a mirar-lhes o lugar: querem ocupar os seus postos na ratanagem governamental. Nos partidos já se faz o deve e haver para as eleições que Cavaco vai convocar para “preencher o vazio”. A Bélgica esteve vários meses sem governo e sempre teve indicadores melhores do que os países “com governo” Saiam os ratos e entrem outros. Pouco interessa. Continuaremos a lutar por um mundo sem governos nem desgovernos. Onde, através da democracia directa, as populações se auto-governem. Daí que achemos que mais importante do que tirar os ratos do navio é colocar o navio no fundo para que não possa ser ocupado de novo. Por ratos ou por outros que o queiram ser. Mas, chegados lá, sempre ratos.

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