Dia: Julho 18, 2013

(memória libertária) Espanha, 1936-1939: O Povo em Armas


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77 anos depois do início da Revolução, o Estado Espanhol é ainda um “viveiro” anarquista

A sublevação nacionalista contra a República Espanhola e o governo de Frente Popular, eleito nas eleições de 16 de Fevereiro, iniciou-se no dia 17 de Julho nas praças espanholas do norte de África e estendeu-se no dia seguinte a várias zonas do sul da Península. Nos dias 17 e 18 houve confrontos entre militares (fiéis e contra a República), tendo os sublevados controlado alguma cidades como Sevilha, por exemplo.

A 19 de Julho, os militares revoltosos tentam tomar conta de Barcelona, mas encontram forte resistência, por parte de milhares de civis, militantes da CNT e da FAI que, de armas na mão travam o passo aos militares sediciosos.  Vencidos estes, os quartéis são assaltados e os anarquistas ficam com um importante arsenal bélico, tomando conta da cidade.

Dá-se aqui, em Barcelona, a inversão no rumo da sublevação: a resistência organiza-se noutras cidades e as tropas nacionalistas são impedidas de reforçarem o controle planeado sobre a totalidade do território espanhol. O povo, verdadeiramente, está em armas e a revolução em marcha.

Hoje, 77 anos depois, Espanha é ainda um viveiro de práticas e experiências anarquistas e anarco-sindicalistas. As três centrais sindicais existentes, que se reivindicam do anarco-sindicalismo militante (CGT, CNT e SO), representam cerca de 100 mil trabalhadores organizados, com influência em milhares de locais de trabalho; existem inúmeros grupos, colectivos, associações anarquistas por todo o Estado Espanhol e mais de 60 ateneus que desenvolvem actividades culturais.

São também abundantes os jornais , revistas, blogs e sítios na internet que se reivindicam do anarquismo, ao mesmo tempo que a influência libertária está muito presente na maioria dos movimentos sociais.

 A reorganização libertária em Espanha – que viveu o período desde o fim da Guerra Civil na clandestinidade, com milhares de mortos, exilados e presos nas cadeias franquistas –  começou em 1977, ainda antes da legalização do movimento sindical, com um comício nos arredores de Madrid.