Day: Julho 22, 2013

O uso da violência na luta contra o capital


violência

O uso da violência contra bens materiais em manifestações ou protestos, sempre foi apelidado pelos média e por quem nos governa como actos de vandalismo, normalmente realizados por “meia dúzia de profissionais da desordem”. Ora até que ponto é ou não legítimo o uso dessa violência da nossa parte? Recentemente no Brasil a televisão fez questão de mostrar a pilhagem de lojas, e a destruição de dependências bancárias, utilizando essas imagens para manipular a opinião pública. Ora sabe-se que a grande maioria das pessoas não concorda com essas atitudes e acha-as erradas, justamente aquilo que serve a quem faz questão de exibir tais imagens, e a quem controla os meios que as divulgam.

Sendo assim porque é que alguém recorre a essas acções? Tendo em conta que ao faze-las irá certamente por em causa a legitimidade do seu protesto aos olhos do comum mortal. Em primeiro lugar quem recorre a estas acções não esta minimamente preocupado com o que as massas pensam acerca de tais acções, em segundo porque se somos tratados como números, é em números que temos que nos exprimir.

O capital alimenta-se do lucro, é essa a sua razão de existir, e a sua avidez por este supera tudo e mais alguma coisa, quer seja o respeito pela natureza, pela forma como dizima os seus recursos, quer seja o valor da vida humana, pela forma como a explora e dela se aproveita.

Ao contrário de todos nós que temos vários e diferentes objectivos na nossa vida, o capital tem apenas um, o lucro, é este o seu único objectivo e a sua única razão de existir. Para ter lucro o capitalismo não olha a meios nem a fins, não respeita nada, nem ninguém.

Existem apenas duas maneiras de combater esse objectivo, ou boicotando ou causando prejuízo. A destruição de património de um banco não é vandalismo, é justiça, não é possível comparar a prejuízo causado a um banco destruindo o seu património com aquele que o banco causa a vida de milhares de pessoas diariamente, seja aquelas que explora directamente, seja aqueles que sofrem por causa das suas acções, com resgates, especulações e com a nova ditadura dos mercados financeiros. O combate tem que ser feito na mesma língua, se alguém me ameaça fisicamente eu posso responder da mesma forma, se alguém me explora com o objectivo de lucrar com o meu trabalho eu tenho que anular esse lucro, como? Simples, boicotando ou causando prejuízo. Preferencialmente  ambos.

FL (recebido por mail)

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A propósito dos últimos acontecimentos políticos


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DIFICULDADE DE GOVERNAR

1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2.
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertolt Brecht, in “poemas” presença, 1976
trad. Sylvie Deswarte, Arnaldo Saraiva

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