Militares e Irmandade Muçulmana contra a revolução egípcia


egipto

16 Agosto 2013-Tanques nas ruas do Cairo onde é esperado um protesto das forças rivais (Irmandade Muçulmana)

Comunicado do Colectivo Tahrir-ICN sobre os últimos acontecimentos no Egipto

O regime autoritário da Irmandade Muçulmana tinha que ser afastado. Mas o regime que o substituiu é a verdadeira face dos militares no Egito – não menos autoritário, não menos fascista e com certeza mais difícil de depôr.

O massacre perpretado pelo Exército contra os apoiantes de Morsi em Nadha Square e Raba’a deixou cerca de 500 mortos e até 3000 feridos (os números são do Ministério da Saúde , a realidade é provavelmente muito maior). Foi um ato pré-orquestrada de terrorismo de Estado, com o objectivo de dividir a população e levar a Irmandade Muçulmana a criar mais milícias para se vingarem e e protegerem . Isto, por sua vez, vai permitir que o exército rotule todos os muçulmanos de terroristas e crie  um “inimigo interno” no país, fazendo com que o exército mantenha o regime militar num estado permanente de emergência.

Os militares perseguem hoje a  Irmandade Muçulmana,  mas vão perseguir também quem se atreva a criticá-los amanhã. O exército já declarou o estado de emergência pelo período de um mês, dando à polícia e aos militares poderes excepcionais e o recolher obrigatório de 6 – 7 horas, pelo mesmo período de tempo,  foi declarado em muitas províncias.  Isto dá ao exército mão livre para reprimirirem qualquer dissidência. É um retorno aos dias antes da revolução,quando a lei de emergência estava em vigor desde 1967 e que  permitiu a generalizada repressão e negação das liberdades.

O caráter do novo regime é claro. Apenas alguns dias atrás 18 novos governadores foram nomeados, a maioria dos quais saiu fileiras do que restou do exército, da polícia ou até mesmo do regime de Mubarak. Houve também um ataque contra  os trabalhadores que continuam a greve em defesa dos seus direitos (como o recente ataque do exército e a prisão de metalúrgicos em greve em Suez). O regime militar também está à procura de militantes revolucionários;  jornalistas foram espancados e presos; os estrangeiros têm sido ameaçados quando são testemunhas de qualquer acontecimento. Os media locais e globais contam meias verdades e publicam narrativas construídas como suporte de uma agenda política. A contra-revolução está em plena marcha  e sabe como quebrar a unidade do povo, dividindo para reinar.

Nos últimos dois dias tem havido um aumento de represálias sectárias, com mais de 50 igrejas e instituições cristãs atacadas. O exército e a polícia não foram vistos a protegerem estes edifícios da comunidade cristã. É do interesse de ambos – do exército e da Irmandade Muçulmana – para atiçarem as tensões e criarem medo e o ódio entre as populações. Ambos vão lutar pelo controle do Estado enquanto o sangue das pessoas enche as ruas.

Condenamos os massacres em Raba’a e Nadha Square, os ataques contra os trabalhadores, ativistas e jornalistas, a manipulação do povo por aqueles que disputam o poder, e os ataques sectários. Para a revolução continuar a população deve permanecer unida na sua oposição aos abusos e à tirania do poder, que é dirigida contra si.

Abaixo os militares e Al-Sissi! 
Abaixo os herdeiros do regime de Mubarak e a élite empresarial! 
Abaixo o Estado e que toda a energia vá para as comunidades autónomas! 
Viva a revolução egípcia!

aqui: http://tahriricn.wordpress.com/2013/08/15/tahrir-icn-statement-on-events-in-egypt/

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