(organização) Breve crónica do Congresso da FIJL em Candás (Astúrias) entre os dias 1 a 4 de Agosto de 2013


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Entre os dias 1 e 4 de Agosto, a Federação Ibérica de Juventudes Libertárias celebrou o seu Congresso Peninsular na Casa do Povo da localidade asturiana da Candás (Carreño). Ainda que um relato ampliado do que ali se passou vá aparecer na próxima edição do “Fuelle” (o órgão de expressão e combate da FIJL), queríamos destacar as mudanças mais relevantes que foram aprovadas e fazer um esboço do que pensamos ser mais um passo na reorganização da juventude para a luta contra qualquer forma de poder.

Consideramos que a alteração fundamental foi a mudança aprovada na nossa estrutura orgânica. A base organizativa da FIJL até este Congresso foram exclusivamente os grupos de afinidade e as os indivíduos, sendo os primeiros os únicos com capacidade de decisão. Os grupos de afinidade são formados por indivíduos que possuem uma proximidade entre si, seja ao nível teórico seja metodológico, a qual lhes permite amadurecer uma visão mais concreta do anarquismo e das múltiplas questões que este tem que enfrentar. Os indivíduos são pessoas federadas que não estão integradas em nenhum grupo, dadas circunstâncias conjunturais, mas que se entendem como o gérmen de novos grupos. Estes carecem de capacidade de decisão, uma vez que não têm possibilidade de levar à prática as decisões comuns que são tomadas, podendo acontecer, se assim não fosse, uma dissociação entre quem decide e quem executa, tal como existe nas organizações delegacionistas.

Os acordos alcançados neste último Congresso ampliam a base orgânica da FIJL aos grupos abertos e aos grupos de trabalho. Os grupos abertos são compostos pro indivíduos cuja afinidade não está consolidada, mas que têm como referente mínimo o Pacto Associativo e os acordos gerais da FIJL. Os grupos de trabalho, por outro lado, são formulas impulsionadas por grupos de afinidade ou indivíduos para trabalharem conjuntamente com outros indivíduos interessados na Federação, face a um futuro ingresso. Estes últimos grupos de trabalho, diferentemente dos outros, não têm qualquer peso orgânico, de maneira que não se cria uma dupla militância, incompatível para aqueles que também integrem grupos de afinidade ou individuais.

Entendemos que a existência de laços de afinidade nos termos antes referidos não é sempre fácil entre jovens, uma vez que requere anos de militância conjunta. De qualquer modo, cada localidade tem problemas, possibilidades e capacidades diferentes pelo que em cada local se poderá escolher o modo de funcionamento que melhor potencie a implantação da Federação como forma de organização da juventude anarquista e de luta contra a opressão.

Ainda assim, considera-se que a afinidade deve ser a aspiração. Por um lado, porque o grupo de afinidade é a fórmula que consideramos idónea para responder às diferentes necessidades imediatas, tanto da federação, como dos diferentes desafios sociais, pela sua capacidade de acção rápida, efectiva e concreta ao partilhar uma visão afim da realidade, das problemáticas que a afectam e da luta. Por outro lado, pelo desenvolvimento pessoal que a existência de fortes vínculos de afinidade proporciona a cada indivíduo, vínculos criados na luta conjunta que escapam à lógica desta sociedade superficial de consumo.

Naturalmente que estas decisões não estiveram isentas de debate, uma vez que se colocou a possibilidade de virem a existirem problemas devido a um crescimento repentino da organização, que pudesse desestabilizar a afinidade e a coesão internas. No entanto, apostou-se na manutenção do processo de avaliação já existente para evitar este tipo de problemas, que já surgiram mais do que uma vez no seio das organizações anarquistas. Em resumo, a realidade da  FIJL foi perfeitamente entendida como uma organização específica. Como uma organização que não pode permanecer hermética à juventude, mas que, de modo algum, é uma organização de massas, em que qualquer pode entrar sem um compromisso ideológico e militante prévio.

Para além das mudanças na estrutura foram debatidos temas importantes como os que se prendem com a violência e a sua relação com o anarquismo e a chamada “unidade de acção” e o “frentismo populista” como caso específico juvenil, em que reafirmámos a convicção de que não podemos diluir as nossas ideias na rua, colaborando com organizações que são contrárias às mesmas. Tendo em conta o interesse do debate, no próximo “Fuelle” vamos desenvolver estes temas, tentando recolher o sentir das propostas iniciais, das diferentes posições a as conclusões que foram alcançadas.

De qualquer modo, foi aprovada a realização de uma ampla conferência sobre anarquismo e juventude em que possam ser analisados em detalhe os pontos do encontro e desencontro entre os distintos modelos organizativos em que a juventude anarquista tem apostado. Esperamos tornar públicas rapidamente as primeiras propostas.

Por último, gostaríamos de expressar o nosso apreço e mandar uma forte saudação libertária a todos aqueles que, estando presentes ou não, mostraram o seu apoio à nossa Federação, sobretudo à CNT-AIT de Candás pelo seu acolhimento e esforço, desejando-lhes força e êxito no seu labor anarco-sindicalista. Foram quatro dias de companheirismo, de debate e de trabalho para estreitarmos os nossos laços de afinidade. Quatro dias para fortalecer uma organização, que integra um amplo movimento anarquista e que realizaram com êxito este Congresso no município de Carreño, graças precisamente a esse companheirismo e saber fazer d@s companheir@s da organização.

PELA AUTOORGANIZAÇÃO DA JUVENTUDE!

CONTRA O ESTADO, O CAPITAL E OS SEUS FALSOS OPOSITORES!

VIVA A ANARQUIA!

Aqui: http://www.nodo50.org/juventudeslibertarias/?e=127

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