Mês: Novembro 2013

(Solidariedade) Comunicado de Mario Gonzalez há 47 dias em greve de fome


mario

A todas as pessoas solidárias

Aos meios de informação livres

A todo o povo

Aos 47 dias de greve de fome quero fazer-vos saber que esta resistência sobrevive graças a todos vocês, quero tornar claro que ainda continuo com a greve e que estou hospitalizado porque as autoridades, querendo escamotear a sua responsabilidade no meu encarceramento e na situação de risco em que está a minha saúde, dizem que me internaram “por ordens de cima”. Aqui, como no reclusório, têm insistido constatemente para que comece a comer, mas tenho conseguido manter a greve de fome.

Agradeço imensamente a solidariedade de tod@s vocês, as vossas cartas enchem-me de força e as vossas acções fazem-me sentir que nada está perdido. Por isso quero convocar a todos os corações solidários que vencem o medo a que esta terça-feira, 26 de Novembro, venham assistir à minha audiência no tribunal 19, de delitos não graves, na rua Sullivan, 133, às 10 da manhã, para exigir de uma vez por todas que a juíza Marcel Angeles Arrieta resolva de imediato a minha situação jurídica determinando a minha absolvição e liberdade imediata, já que a minha prisão é um absurdo e as autoridades já não sabem como continuar a manter esta enorme mentira e, sabendo que não têm qualquer motivo para me manterem preso, negam-se a reconhecer o óbvio: que isto não é mais do que uma vingança política e que me querem como exemplo para calar os gritos de rebeldia que vão subindo, cada vez mais, de intensidade e que enchem de terror o governo. Mas desta vez demonstraremos que, por mais que o tentem, jamais nos poderão calar e tarde ou cedo vão cair.

Assistamos junt@s esta terça-feira e avancemos na luta quotidiana pela liberdade de tod@s.

Mario

Cidade do México/25 de Novembro de 2013

http://solidaridadmariogonzalez.wordpress.com/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/11/20/solidariedade-mexico-estudante-preso-em-greve-de-fome-ha-46-dias/

Junta-te a este grito: Mario Gonzalez Livre! (em greve de fome há 46 dias)


Nós exigimos a libertade de Mario Gonzalez, preso de forma arbitrária num transporte público a 2 de Outubro, na cidade do México. Está em greve de fome há 46 dias e pode morrer a qualquer momento.

Junta-te a este grito urgente #MARIOLIBRE!!

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/11/20/solidariedade-mexico-estudante-preso-em-greve-de-fome-ha-46-dias/
http://solidaridadmariogonzalez.wordpress.com/

Nº71/72 da revista libertária “A Ideia” vai ser apresentado em Lisboa no dia 14 de Dezembro


Convite - 14 de Dezembro

Está já em impressão o número duplo 71-72 da revista de cultura libertária “A Ideia” . Os editores vão apresentá-la numa sessão pública, que irá decorrer no espaço “Grandella”, em Lisboa (bairro de Benfica), no dia 14 de Dezembro, às 15 h 30, a que seguirá uma palestra de José Hipólito Santos sobre a figura de Moisés da Silva Ramos.

A passeata dos polícias escadaria acima


Palhaços de azul versus Cupcakes com cobertura rígida de mirtilo ou a carga da brigada do Priadel

Decorreu hoje, em Lisboa, entre o Largo Camões e a AR, uma das passeatas mais bipolares dos últimos tempos. As forças da desordem, compostas por cerca de 6000 “profissionais da desordem e da provocação” — como o Fuhrer Macedo seguramente não deixará de frisar publicamente com o olhar esquizóide que o caracteriza –, desfilaram alegremente como quem se manifesta legitimamente por direitos.

E digo legitimamente porque a legitimidade para protestar deriva da coerência com que se assume o protesto como forma de cidadania. Não se pode reprimir, obstacular, armar acusações contra quem protesta por direitos constitucionalmente reconhecidos um dia para, no dia seguinte, com a falta de decência, coerência e sem a verticalidade que deveria caracterizar o mais nhurro dos seres humanos, vir a público berrar pela manutenção de um estatuto que todos os profissionais de outras áreas já perderam. Não fosse uma fé que temos na veracidade dos testes psicotécnicos e nasceria em nós a sombra da dúvida que as forças da desordem não passam de uma seita bipolar que oscila entre a fase depressiva lamechas do “Nós também somos gente e temos famílias!” e a fase eufórica e caceteira do “Vamos lá malhar neste bando desordeiros que fazem coisas subversivas previstas na lei que juramos defender!”. Até prova em contrário a Constituição ainda é a lei fundamental cá no hospício!

Sim, porque de um hospício seguramente se trata, ou não seria possível vermos os mesmos estrumpfes que, há duas semanas atrás saudaram apoteoticamente o discurso do Fuhrer Macedo para, volvidas duas semanas, virem pedir a demissão do excelentíssimo protozoário ministeriável. Mas não é nada que a história não nos tenha já mostrado pois vários foram os tiranos que cederam à chantagem corporativa da guarda pretoriana que lhes protegia o bestunto.

E lá gritaram as mesmas palavras de ordem que os manifestantes normalmente gritam: “Demissão”, “Invasão”; abanaram grades e derrubaram barreiras com a naturalidade com que os infiltrados normalmente fazem nas manifestações normais. A prática cria rotinas e a rotina engendra a naturalidade dos gestos.

E lá subiram a escadaria sem que um ‘casse-tête’ esboçasse uma saida da bainha. Os cupcakes com cobertura rígida de mirtilo (a designação pasteleira é só para acontentar os que nos querem ver mais fofinhos com a bófia) assistiam com a cumplicidade normal para quem sabe que uma fractura no seio da guarda pretoriana tornaria a posição da corja desgovernadeira insustentável.

E foi durante esse curioso exercício aeróbico de step que se deu a ruptura do cordão de cupcakes que, ao verem a invasão ocorrer pela rampa ajardinada lateral e na eminência de serem cercados, lá deram corajosamente às de vila-diogo para se concentrarem junto às arcadas do pórtico do parlamento. Depois foi ver a estrumfaria subir e descer as escadas como quem passeia num luna parque e foi a debandada que isto de sindicatos da bófia também se rege pelos princípios de grupo excursionista que normalmente caracterizam o Grupo Recreativo e excursionista «Os Amigos das Carreiras», vulgo CGTP-IN. De facto, na 24 de Julho as carreiras aguardavam pachorrentamente a chegada da carga. Enquanto voltávamos para o cais do sodré ainda foi possível, seguramente por mais um sintoma da bipolaridade que os aflige, ver um grupo de polícias a mijarem alegremente contra uma parede e desrespeitando assim inúmeras posturas camarárias.
Que vândalos!

E é este o relato possível da chegada antecipada das festividades carnavalescas. Contudo, algumas inquietações ainda me assaltam:

a) como se distinguem os infiltrados numa manifestação de bófias se todas partilham o mesmo aspecto grunho?
b) Por que motivo não houve carga quando por muito menos vimos os cupcakes a ressumarem anfetaminas e testasterona?
c) Será que as carreiras irão ser objecto de uma operação stop para controlo da existência de manifestos de carga e adequação dos veículos ao transporte animal?

De resto, está tudo bem, o tolinho do Morais Sarmento até comenta as proezas do CR7 enquanto decorre a invasão da escadaria….

Para A Luta e Guilhotina.info

Ricardo Castelo Branco (bloqueado pela enésima vez pelo FB)

aqui: https://www.facebook.com/guilhotina.info

chuis

(Solidariedade) México: Estudante preso em greve de fome há 43 dias


mario-gonz

Mário Gonzalez é um estudante da Faculdade de Ciências e Humanidades da Universidade Autónoma do México. Está em greve de fome há 43 dias, desde o dia 8 de Outubro. Preso quando seguia num autocarro, com outros jovens, no dia da manifestação (que terminou com confrontos com a polícia, a 2 de Outubro, na Cidade do México), foi torturado e, muito debilitado, corre risco de vida. Há um grande movimento de solidariedade em marcha em todo o mundo  para com este jovem estudante anarquista mexicano.

Enquanto Mario González, estudante do Colégio de Ciências e Humanidades da UNAM (Universidade Nacional Autónoma do México) convalesce no interior do Reclusorio Oriente, a poucos dias da sua possível morte devido à greve de fome que mantém há mais de um mês, a sociedade mexicana dirige-se massivamente às lojas para ser roubada pelo crédito, passando assim a ressaca que lhes deixou a celebração do triunfo da sua patética selecção nacional. A possível morte de Mario não lhes magoa as consciências porque estão convencidos, devido ao pontificado das televisões, de que se trata de um vândalo, um ladrão, um terrorista: merece morrer na prisão.

Mário foi preso a 2 de Outubro passado, quando o fizeram descer de um autocarro, juntamente com outros estudantes, antes de que a manifestação e os enfrentamentos desse dia tivessem lugar e antes disso já ele estava algemado, já o estavam a torturar, já lhe davam choques eléctricos, já lhe tinham deslocado um braço. Há um mês já que quem entrou com ele no Reclusorio saiu em liberdade, sob fiança, enquanto que a ele o voltaram a prender e levaram-no outra vez para a prisão.

Não é o único que continua preso: no Reclusorio Norte permanecem outros oito presos que foram detidos durante a manifestação. Como mostram os vídeos, as detenções foram arbitrárias, não foi apresentada uma só prova contundente contra nenhum, a sua participação nos confrontos não foi corroborada a não ser pelos polícias que os apresentaram no MP e que não foram os mesmos que os prenderam. Sabemos que para o GDF (Governo do Distrito Federal), o correcto é estarem na prisão, que sejam castigados por terem acorrido a um protesto, por não serem potenciais vítimas do “bom fim” e por denunciarem a miséria, a injustiça e a corrupção do governo e do sistema.

A greve de fome de Mario está a poucos dias de acabar com a sua vida. A maior parte dos meios de comunicação guarda silêncio, a morte de um estudante arbitrariamente detido não lhes parece mais importante que a vida privada de um estúpido treinador de futebol. O próprio Estado ainda não se pronunciou publicamente, o Estado que é quem deve explicações à família de Mario e à sociedade que o verá morrer na prisão. O Estado é Miguel Ángel Mancera (chefe do governo federal, NdT) que deve explicar publicamente porque é que deteve Mario antes de começar a manifestação, porque é que ordenou que ele fosse torturado física e psicologicamente durante a detenção e já no interior do Reclusorio. O Estado é a CDHDF (Comissão de Direitos Humanos do Distrito Federal, NdT) que também não disse uma palavra nem cumpriu com a sua obrigação de salvaguardar a todo o custo os direitos de Mario. Mas o Estado são também as autoridades universitárias, às quais tão pouco parece preocupar que um dos seus estudantes venha a morrer na prisão por delitos que não cometeu.

Miguel Ángel Mancera quer que Mario morra na prisão.

José Narro Robles ( reitor da Universidade Autónoma, NdT) quer que Mario morra na prisão.

Lucía Laura Muñoz Corona (directora do Colégio de Ciências e Humanidades da UNAM) quer que Mario morra na prisão.

A sua possível morte excita-os, esperam-na com ansiedade. Quando acontecer, terão mandado a mensagem apropriada a todos os estudantes e a todos os que protestam contra as medidas que a classe dominante nos impõe todos os dias e em todos os âmbitos: o castigo por protestar é a pena de morte, questionar as decisões da Santa Reitoria e dos seus esbirros castiga-se com a tortura e com o assassinato; vale morrer de fome, humilhado e torturado dentro de uma cadeia sobrelotada. No fundo são apenas uns cobardes, autoridades patéticas que se escudam em discursos legalóides e pseudodemocráticos para imporem a sua lei, que não é sua mas dos seus patrões: Mario está preso porque o reitor e os seus escravos crêem que participou na ocupação da reitoria, na sequência de um conflito estudantil no CCH (Colégio de Ciências e Humanidades, NdT) Naucalpan em que tinha estado presente. Nem sequer são capazes de aceitar publicamente que o têm preso por razões políticas, não legais, e que é por essas razões que estão dispostos a deixá-lo morrer na prisão. As violações sistemáticas ao respectivo processo são tão evidentes que é perfeitamente possível intervir para que saia por via jurídica, e se não o fizeram é porque o consideram um inimigo político que deve perecer.

Se o Mario morrer, os responsáveis directos, os assassinos, serão o GDF (Governo do Distrito Federal, NdT) e as autoridades universitárias. Ter-se-á registado um precedente importante para o que virá a seguir nesta conjuntura álgida da luta de classes e da organização contra as reformas estruturais, particularmente no que diz respeito ao papel e ao compromisso assumidos peloes estudantes: o castigo por contradizer o poder é a tortura e a pena de morte e a garantia de que isso é assim é da responsabilidade das autoridades universitárias.

Mancera, Narro, Muñoz: Assassinos e torturadores!!

Liberdade imediata, absoluta e incondicional para Mario e reparação de todos os danos!

Liberdade para todos os presos do 2 de Outubro e para todos os presos políticos do estado capitalista!

Izquierda Revolucionaria Internacionalista Buenaventura Durruti
“Levamos um mundo novo nos nossos corações”
16 de novembro de 2013

Aqui: http://www.proyectoambulante.org/index.php/noticias/internacionales/item/3090-si-mario-gonzalez-muere-los-responsables-directos-los-asesinos-seran-el-gdf-y-las-autoridades-universitarias

mario

Mario toma a palavra

Saudações desde o Reclusorio Preventivo Varonil Norte, sexta-feira-feira, 15 de Novembro, os magistrados da quinta sala negaram-me a liberdade sob caução alegando que sou um perigo para a sociedade, ainda que não haja qualquer prova contra mim mantêm-me preso, isto reafirma a cumplicidade repressora das diferentes instâncias do Estado.
Aos 41 dias de greve de fome mantêm-me privado da liberdade e apenas exijo o meu direito à liberdade provisória, de forma a conduzir o meu processo fora da prisão, o que não é nenhum favor, mas é o que as suas próprias leis permitem e que eles passam por alto, e por isso estou disposto a levar esta greve até às últimas consequências para alcançar a minha liberdade.

Mario González García, 18 de Novembro de 2013

http://solidaridadmariogonzalez.wordpress.com/

presos_politicos_a

(Efeméride) Buenaventura Durruti morreu às primeiras horas de 20 de Novembro de 1936 na frente de Madrid


Por allí viene Durruti
con una carta en la mano,
donde pone la miseria
de este pueblo soberano.

Por allí viene Durruti
con un libro en el morral,
donde apunta los millones
que ha robado el capital.

Por allí viene Durruti
con catorce compañeros
y le dice a los patronos
lo que quieren los obreros.

Por allí viene Durruti
con un pliego de papel,
a decirle a los soldados
que se salgan del cuartel.

Por allí viene Durruti
sin carroza y sin dinero,
saludando a todo el mundo,
campesino y jornalero.

Por allí viene Durruti
con las tablas de la ley
pa que sepan los obreros
que no hay patria, Dios ni rey

Chicho Sánchez Ferlosio

In memoriam a Joe Hill, rebelde, agitador, sindicalista. Assassinado pelo Estado a 19 de Novembro de 1915.


A vida deste agitador sindical sueco de princípios do século XX é algo que merece ser relatado e recordado. É um dos heróis e mártires dos IWW norte-americanos. Compositor de canções, trabalhador itinerante e organizador sindical, Joe Hill tornou-se mundialmente conhecido depois de um tribunal do Utah o ter condenado à morte. Mesmo antes da campanha internacional para revogar a sentença, Joe Hill já era bem conhecido nos grupos de vagabundos, nas linhas de piquetes e nas manifestações operárias como o autor de canções operárias populares e como o agitador da Industrial Workers of the World (IWW). Graças em grande parte às suas canções e ao seu comovedor e bem divulgado apelo em vésperas da execução – “Não gasteis tempo em funerais, organizai-vos!”  – Hill converteu-se, e assim é recordado, no mártir mais conhecido dos IWWW e um herói operário popular. 

Joe HillJoe Hill

Tendo nascido como Joel Hägglund a 7 de Outubro de 1879, o futuro “trovador do descontentamento” cresceu como o quarto dos seis filhos sobreviventes numa devota família luterana, em Gävle, na Suécia, onde o pai, Olaf, trabalhava como ferroviário. Os seus pais gostavam de música e frequentemente faziam com que a família cantasse. Ainda jovem, Hill compunha canções sobre os membros da sua família, assistiam a concertos na sede da associação operária de Gävle e tocava piano num café local.

Em 1887, o pai de Hill morreu de uma ferida ocupacional (acidente laboral??) e os filhos viram-se forçados a saírem da escola para seguirem para a frente. Hill, com 9 anos, trabalhou numa fábrica de cordas e mais tarde como bombeiro numa grua a vapor. Infectado pela tuberculose na pele e nas articulações, em 1900, Hill foi a Estocolmo a procurar cura para a doença e trabalhou em pequenos ofícios enquanto recebia um tratamento de radiação e uma grande série de operações que o desfigurantes na cara e no pescoço. Dois anos mais tarde, a mãe de Hill, Margareta Katarina Hägglund morreu depois de uma série de operações para tratar uma dor persistente nas costas. Com a sua morte, os seis filhos sobreviventes dos Hägglund venderam a casa de família e aventuraram-se por sua conta. Quatro deles ficaram nalgum lugar da Suécia, mas o futuro Joe Hill e o seu irmão mais pequeno, Paul, compraram uma passagem para os Estados Unidos em 1902.

Pouco se sabe do que aconteceu e por onde andaram os Hill nos 12 anos seguintes. Sabe-se que trabalhou em várias actividades em Nova Iorque antes de se mudar para Chicago, ode trabalhou numna fábrica de maquinaria, foi despedido e posto numa lista negra por tentar organizar um sindicato. Os registos encontram-no em Cleveland em 1905, em São Francisco durante o Grande Terramoto de Abril de 1906 e em São Pedro, Califórnia, em 1910. Aí aderiu à IWW, desempenhando por vários anos o cargo de secretário da secção local em São Pedro e escreveu as suas canções mais famosas incluindo The Preacher and the Slave” (O pregador e o escravo) e  “Casey Jones-A Union Scab” (Casey Jones-O Fura-Greves). As suas canções apareceram no “Pequeno Livro Vermelho de Canções” do IWW, ligadas à experiência dos vários grupos que integravam os IWW, desde trabalhadores fabris imigrantes, a trabalhadores migrantes sem tecto ou a ferroviários.

Em 1911 esteve em Tijuana, México, fazendo parte de um exército de várias centenas de vagabundos errantes e radicais que procuravam derrubar a ditadura mexicana de Porfírio Diaz, tomar a Baixa Califórnia, emancipar a classe operária e declarar a liberdade industrial. (A invasão durou seis meses antes que as dissensões internas e um grande destacamento, o melhor treinado das tropas mexicanas, empurrasse os últimos 100 rebeldes pela fronteira). Em 1912 parece que Hill esteve activo numa coligação da “Liberdade de Expressão” de Wooblies, socialistas, sufraguistas e membros da AFL em São Diego protestando contra uma decisão da polícia de fechar a zona central a comícios de rua. Apareceu também numa greve de construtores de caminhos de ferro na Columbia Britânica, escrevendo várias canções antes de voltar a San Pedro, onde prestou apoio musical aos estivadores italianos em greve.

A greve dos estivadores de San Pedro levou Hill a ter o seu primeiro encontro registado com a polícia, que o prendeu em Junho de 1913 e esteve detido 30 dias acusado de vagabundagem, porque como se disse mais tarde, ter sido “um pouco mais activo do que o fato do chefe da aldeia” durante a greve. A 10 de Janeiro de 1914 Hill bateu à porta de um médico de Salt Lake City às 11.30 da noite pedindo para ser tratado a uma ferida de bala que disse ter-lhe sido infligida por um marido furioso que o acusou de insultar a mulher. Antes, na mesma noite, noutra parte da cidade, um vendedor de hortaliças o seu filho tinham sido assassinados. Um dos assaltantes foi ferido no peito pelo jovem antes de morrer. A ferida de Hill ligava-o, por isso, ao incidente. O incerto testemunho das testemunhas e a falta de corroboração do álibi de Hill convenceram o júri local da sua culpabilidade, ainda que nenhuma testemunha tenha sido capaz de identificar Hill duma forma concludente e que a arma utilizada nos assassinatos nunca tenha sido encontrada.

A campanha para libertar Hil começou dois meses antes da sentença e continuou inclusivamente depois da sua execução frente ao pelotão de fuzilamento a 19 de Novembro de 1915. Entre os seus defensores incluíam-se a socialmente progressista filha de uma antigo presidente da Igreja mórmon, operários radicais, activistas e simpatizantes, incluindo o presidente da AFL Samuel Gompers, o embaixador sueco nos Estados Unidos e inclusivamente o presidente Woodrow Wilson. O Tribunal Supremo do Utah, no entanto, recusou repetir o julgamento e a Junta de Amnistias do Utah recusou-se a comutar a pena de Hill. A Junta não quis ouvir o testemunho da mulher a quem supostamente teria ofendido numa sessão sem público, e Hill renunciou a identificar o seu atacante, insistindo que ao fazer isso estaria a causar danos à reputação da senhora.

Hill tornou-se mais famoso depois de morrer do que quando era vivo. A Bill Haywood, o antigo presidente da Federação de Mineiros do Oeste e o líder mais famoso da IWW, Hill escreveu “Adeus Bill: morro como um verdadeiro rebelde. Não gasteis tempo em funerais, organizai-vos! Daqui até ao Wyoming são cem milhas. Achas que consegues que o meu corpo chegue à fronteira do Estado para ser enterrado? Não quero ser encontrado morto no Utah!. Parece que realmente morreu como um rebelde. Um membro do pelotão de fuzilamento que o executou revelou que a ordem de “Fogo!” partiu do próprio Hill.

Depois de um breve serviço fúnebre em Salt Lake City, o corpo de Hill foi levado para Chicago onde milhares de pessoas de luto escutaram a canção “Rebeld Girl” (Rapariga Rebelde), de Hill, pela primeira vez, escutaram horas de discursos e depois seguiram a carruagem funerária ao cemitério Graceland, onde o corpo foi incinerado e as cinzas enviada por correio às sedes do IWW em cada estado, excepto o Utah, assim como a simpatizantes de cada um dos continentes habitados do globo. Segundo um dos colegas woobblies compositores de canções, Ralph Chaplin (que escreveu as palavras de “Solidarity Forever”, entre outras canções), todos os sobrescritos foram abertos no dia 1 de Maio de 1916 e o seu conteúdo espalhado ao vento, de acordo com a última vontade de Hill, expressa num poema escrito na véspera da sua morte:

Testamento  de Joe Hill

My body? Ah, if I could choose,
I would to ashes it reduce,
And let the merry breezes blow
My dust to where some fading flowers grow.
 
Perhaps some fading flowers then
Would come to life and bloom again.
This is my last and final will.
Good luck to you.
 
(O meu corpo? Ah, se pudesse escolher,
Faria com que fosse reduzido a cinzas
E deixaria as breves brisas soprarem
O meu pó até onde algumas flores murchas crescem.
 
Talvez que algumas flores murchas então
Voltassem à vida e florescessem outra vez.
Esta é a minha última vontade.
Boa tarde para vocês.)

aqui: http://noografo.org/in-memoriam-joe-hill-rebelde-agitador-sindicalista-asesinado-por-el-estado-el-19-de-noviembre-de-1915/