Dia: Dezembro 11, 2013

(Press) XXV Congresso da AIT: Secretariado Internacional fica com a ZSP polaca


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XXV Congresso da AIT, mais um patamar do anarcosindicalismo mundial

No passado dia 8 de Dezembro terminou o Congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores, em que a CNT-AIT está filiada com o resto das organizações internacionais do sindicalismo revolucionário. Um Congresso que permite a entrada num novo patamar, que será para a Internacional o desafio de ampliar a sua presença num mundo que atravessa tempos conturbados que afligem toda a classe trabalhadora.

Durante o Congresso ficou patente a consolidação de aspectos organizativos que são fundamentais para melhorar o funcionamento interno de forma a reverter numa acção mais coordenada. Grande parte dos esforços do Congresso se centraram na coordenação da acção sindical das federações autónomas associadas. Vale a pena destacar o interesse em manter uma rede de trabalho coordenado por ramos de produção.

A expansão continua a ser um tema principal que se analisa continuamente, sobressaindo desta vez a orientação para a Ásia Oriental, com o objectivo de melhorar os contactos já estabelecidos e levar as ideias anarcosindicalistas aonde ainda não haja presença da AIT. O incremento na Ásia da actividade sindical de base, à margem dos sindicatos tradicionais, de perfil vertical, ligados a governos e partidos, sendo a China o seu maior expoente, aumenta o interesse da Internacional em desenvolver estratégias próprias de afirmação nessa zona.

Do mesmo modo analisou-se a conflitualidade da actual exploração capitalista no campo, onde se produzem confrontos sérios entre o trabalho e o capital, denunciando a partir de critérios anarcosindicalistas a especulação financeira dos produtos alimentares, que leva à pauperização da população mundial. Constata-se um paulatino aumento de projectos libertários, indígenas, etc., autogestionários, o que, na óptica do comunismo libertário, facilita a inter-relação entre as iniciativas da produção e o consumo.

O interesse que suscita a AIT em diferentes países ficou patente com a  incorporação como Amigos da AIT da FAS austríaca e da STA da Bulgária. Por outro lado, a ASF australiana, coincidindo com a sua actividade sindical mais dinâmica, deixa de ser Amiga da AIT para se converter em Secção de pleno direito.

Não menos importante foi o trabalho impecável de organização que foi levado a cabo pelo sindicato anfitrião, a CNT-Valência, permitindo um óptimo desenrolar do Congresso. Foram também organizadas umas jornadas culturais internacionais centradas em temas relacionados coma actividade da Internacional, que serviram de impulso ao Congresso. Trataram-se, entre outros, de temas como a repressão ou a imigração procedente dos dos países pobres através das prisões encobertas chamadas de Centro de Internamento de Estrangeiros (CIE), as diversas reformas económicas e laborais dos últimos anos na Alemanha ou a recuperação de empresas e iniciativas autogestionárias nos tempos de crise económica na Argentina. Também esteve exposta uma interessante colecção de cartazes históricos.

A secção polaca ZSP recolhe agora o testemunho do Secretariado da Internacional, ficando com a árdua tarefa de continuar com a expansão do sindicalismo revolucionário e a coordenação das lutas das diferentes Secções.

 O Secretariado Permanente do Comité Confederal da CNT.

Tradução CLE

Aqui: http://cnt.es/noticias/xxv-congreso-de-la-ait-un-paso-m%C3%A1s-del-anarcosindicalismo-internacional

Relacionado: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/11/13/anarcosindicalismo-mundial-vai-se-renir-em-valencia-a-5-6-e-7-de-dezembro/

AIT: http://www.iwa-ait.org/

http://internationalworkersassociation.blogspot.pt/

http://ait-sp.blogspot.pt

o que é a AIT: http://www.freewebs.com/ait-sp/oqueeaait.htm

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(África do Sul) Está na hora da classe trabalhadora e dos pobres despertarem


South Africa shacks residents protest for lack of services

por Lucien van der Walt
(Tokologo African Anarchist Collective)

O nosso país está numa confusão. A fome, a pobreza, a exploração e a injustiça espreitam.

A classe trabalhadora e os pobres deparam, a cada passo, com os muros altos da injustiça, as cadeias do desemprego e as balas e os cassetetes da polícia.

Os conflitos agitam o país e as esperanças que brilhavam em 1994 estão a desaparecer, envelhecidas, enferrujando sob as águas da ganância, da opressão e da desigualdade; essas esperanças são como um sonho que desaparece quando se desperta para uma realidade sombria.

A questão nacional, as nossas profundas divisões de raça e nacionalidade, continuam sem solução: os políticos, pretos e brancos, pioram ainda a situação com o objectivo de obterem votos.

Nós vemos o Congresso Nacional Africano (ANC), partido que para muitas pessoas da classe trabalhadora encarnou tantas esperanças, a desiludir essas pessoas e a destruir essas esperanças. Vemos políticos do ANC a comprarem votos, a roubarem dinheiro,  gerindo um sistema educativo que já ruiu e a esmagarem os trabalhadores e os pobres.

Vemos as diferentes facções do ANC fazerem as mesmas promessas falsas, mas o seu historial fala por si: no poder eram exactamente iguais. Vemos também os grandes partidos da oposição, como a Aliança Democrática (AD): mais promessas, mais mentiras, e todos com uma história terrível quando estão no poder.

Enquanto há milhões de desempregados, os que têm emprego trabalham horas sem fim,  com suor, a sangrarem,  rostos marcados pela exaustão. As grandes corporações capitalistas como a Lonmin espremem o sangue da classe trabalhadora; as grandes empresas governamentais como a Eskom reduzem os salários e forçam a subida dos preços.

Quem matou os trabalhadores em Marikana? A polícia? E quem mandou a polícia?

O governo do ANC e os seus amigos mais próximos, os generais do exército e da polícia, e as grandes corporações capitalistas.

As pequenas facções do ANC afirmam ser diferentes e atribuem-se mesmo outros nomes, mas apenas têm como objectivo regressar para o círculo dos ricos e poderosos, esquecendo o sofrimento das massas em troca de cargos altamente pagos , propostas de negócios e mansões nos subúrbios mais caros. Isto não pode continuar assim.

Está na hora da classe trabalhadora e dos pobres despertarem e afirmarem o seu poder para que possamos quebrar as cadeias, romper as ilusões, quebrar o ciclo de miséria.

Isto significa voltar ao essencial e construir o poder da classe trabalhadora e dos pobres através de organizações de massas, educação política e uma real percepção do objectivo: a luz brilhante do anarquismo e do sindicalismo.

Citando os Industrial Workers of Africa (IWA), a central sindical revolucionária que os nossos predecessores fundaram em 1917, em Joanesburgo, e que foi o primeiro sindicato negro no país:

Enquanto estavas a dormir, as fábricas do homem rico estavam a moer o teu suor em troca de nada.

Acorda! Abre os ouvidos.  O sol acaba de romper e o dia está a nascer.

Tradução: CLE

aqui: http://zabalaza.net/2013/12/09/wake-up-the-power-of-the-working-class-and-poor/