Dia: Janeiro 7, 2014

(Amor, Liberdade, Poesia) O surrealismo ainda mexe lá para os lados de Coimbra


de bout

1- “Debout Dur L’Oeuf” (DSO) é um lugar de reencontros, pondo frente a frente as motivações dos que fazem seu modo de vida a liberdade, o amor e a poesia.
DSO nasceu no Cabo Mondego e colabora com surrealistas do movimento/grupo criado em torno de  Breton, portugueses e internacionais, centrando a sua actividade na produção editorial e organização de  exposições internacionais de surrealismo. Porque surrealismo é aventura colectiva,
DSO criou o núcleo de criação artística colectiva (“the cabo mondego section of portuguese surrealism”).
DSO não disserta nem discute, dá a conhecer obras e ideias necessárias ao seu entendimento e difusão. (aqui)

Capturar2 -TRABALHOS DE PEDREIRA
(ensaio para manifesto do the Cabo Mondego Section of Portuguese Surrealism)

O surrealismo hoje no caos triturador da ilusão política, social e económica? Com certeza que sim e mais do que nunca. E tomamos de forma séria a luminosidade das palavras inscritas há 43 anos no túmulo de André Breton: procuro o ouro do tempo. Este ouro não tem idade e está fora de qualquer circuito económico. Também as nossas buscas o estão. Dentro da esfera da moralidade (em crise de valores), da estética, da arte e da literatura (dizem que se estuda na academias de belas artes e nas universidades), não tomamos em consideração o conceito de belo, até porque isso nos coloca perante a interrogação – o que é o belo? Evidenciamos antes uma outra sensibilidade, inerente à razão que produz uma obra de arte. Não nos choca a vulgaridade da forma como nos exprimimos pela poesia visual ou escrita, queremos antes chocar com o génio da liberdade através do acto poético e da poesia. A liberdade, essa máquina de propulsão, permite-nos o convívio com o homem integral, através da unificação de forças telúricas que esfacelam o logos. A lógica hoje parece-nos estranha. Por isso poetizamos a partir dos sonhos: uma boa utilização dos sonhos que permita nascer um novo modo de pensamento para não ceder às aparências. Interessa-nos conquistar novas geografias e vidas plenas nos interstícios da realidade, à margem da literatura e da arte. Propomos uma metamorfose exterior com a simples atitude marcada, fora da inércia, pela acção colectiva numa aventura que, através do surrealismo, condu-la à revolução interior de todos os poetas porque … a liberdade individual é um bem superior. (aqui)
Miguel de Carvalho, Rik Lina, Seixas Peixoto & João Rasteiro
Outubro de 2009 – Texto distribuido no dia 17 de Outubro de 2009 durante uma acção colectiva de poesia.

  Capturar13Colectivo Surrealista de Coimbra

Criadores estrangeiros mostram cada vez mais interesse em participar no coletivo surrealista Cabo Mondego, da região de Coimbra, tendo o grupo recebido nos últimos anos pessoas da Austrália, Brasil ou França.

O coletivo “The Cabo Mondego Section of Portuguese Surrealism” “é um grupo aberto que se reúne quando alguém quer e que recebe pessoas de fora que queiram criar connosco”, contou Miguel de Carvalho, um dos fundadores do grupo, referindo que as pessoas deslocam-se a Coimbra às suas custas, apenas para estarem “uns dias” a criar com o coletivo, sem uma data fixa.

“Bebe-se jeropiga, assa-se umas chouriças e vamos para as florestas do Cabo Mondego [na Figueira da Foz], ou para umas fábricas abandonadas, e até já fomos para a frente de uma igreja na Nazaré, a criar”, disse à agência Lusa o também livreiro de Coimbra, que admite que esses momentos são “o caos total”.

O coletivo, criado em 2008 juntamente com Rik Lina, Seixas Peixoto, Pedro Prata e João Rasteiro, realiza “trabalho coletivo, de forma libertária e desregrada” e segue a tríade de amor, liberdade e poesia de André Breton, que escreveu o primeiro manifesto surrealista, em 1924.

Desde 2008 que Miguel de Carvalho repara num “crescimento do interesse” do movimento surrealista internacional em Portugal, percetível também nas participações de criadores da “Austrália, Canadá, Brasil, Espanha ou França” no coletivo Cabo Mondego.

“Houve até um holandês que, quase aos 70 anos de idade, decidiu vir viver para a Figueira da Foz, para poder estar mais próximo do coletivo”, contou o fundador do coletivo.

O Cabo Mondego recebeu também em Coimbra, a 15 de junho de 2013, o poeta norte-americano Allan Graubard, que pertenceu ao Grupo Surrealista de Chicago, nos anos 1970, assim como “um criador das Antilhas Holandesas”.

Ao chegarem, a liberdade é total, em momentos de criação em que o surrealismo se afirma como “uma aventura coletiva”, sendo todo o processo criativo à volta do automatismo psíquico – onde os criadores se exprimem de forma automática.

Miguel de Carvalho diz que o coletivo, quer pela sua abertura a criadores de fora, quer pelo uso do automatismo psíquico, é “único no mundo”.

A maior parte das obras são efémeras.

Contudo a editora de Miguel de Carvalho, Debout sur l’Oeuf, reúne e publica algumas criações que são distribuídas, “mas que raramente estão à venda”, não havendo qualquer objetivo comercial.

As criações já resultaram numa “revista-objeto”, com o nome da editora, que conta apenas com uma edição de 100 exemplares e que consiste numa caixa que contém folhas soltas, textos teóricos, objetos artísticos diversos, fotografias e pinturas de “criadores de todo o mundo”, havendo objetos diferentes de caixa para caixa, tendo sido tudo feito à mão, sublinhou o responsável da editora. (LUSA – 7/01/2014)

m.f.

(memória libertária) Um cartoon da colecção de “A Batalha”


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Cartoon da colecção do jornal anarco-sindicalista  “A Batalha”,  da autoria de Eduardo Faria, pertencente ao espólio de E. Santana. Sem data.

Aqui: http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/index.php?option=com_jumi&fileid=12&id=901