Dia: Janeiro 28, 2014

(AIT) Sobre os acontecimentos actuais na Ucrânia


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Na Ucrânia, neste momento, está a haver uma luta pelo poder. Nestes acontecimentos têm participado muitos elementos da classe operária, cujos interesses não estão protegidos nem pelo estado nem pelo capital, assim como aqueles cuja situação material é, em geral, dramática, na esperança de que haja uma mudança que assegure um futuro melhor.

Lutar, protestar, fazer greve são reacções normais e positivas contra um sistema injusto e opressivo. A nossa solidariedade está com os trabalhadores e contra todos aqueles que os exploram, governam e confundem, tomando o poder e o controlo das questões que realmente afectam as suas vidas. Não obstante, é difícil não nos darmos conta que estes protestos se resumem a uma luta de poder entre diferentes grupos da burguesia, governantes e aspirantes a governantes, que não vão trazer qualquer benefício às pessoas, mas apenas mudar o nome das camarilhas que governam com o único objectivo de dirigir as vantagens de estar no governo para novos bolsos.

Denunciamos rotundamente a repressão e a violência utilizadas, mas fica claro que não podemos apoiar nenhum dos principais interesses de poder. Estamos igualmente contra o regime repressivo de Yanukovich e contra as principais tendências da “oposição”, que vão desde os euro-entusiastas, que acreditam inocentemente nos mitos neo-liberais, até aos nacionalistas e inclusive grupos fascistóides.

Os governos da União Europeia, apresentados como um tipo de “solução” por parte de alguns ucranianos, podem ser tão repressivos como o de Yanukovich e, como sabem os trabalhadores desses países, não é nada que dê garantias dum nível de vida melhor. Muitas das suas realidade são exactamente o contrário.

O que faz falta é um movimento que combata, ao mesmo tempo, as duas causas principais da miséria e da repressão: o estado e o capital. Fazemos um apelo a todos os trabalhadores e organizações libertárias da Ucrânia para que não se deixem utilizar como peões nem como idiotas úteis pelas principais facções, que convoquem assembleias de massas e criem palavras de ordem e objectivos alternativos para as suas lutas.

Viva a luta até à revolução social libertária!

Secretariado da Associação Internacional de Trabalhadores

Varsóvia, 26 de Janeiro de 2014.

aqui: http://www.iwa-ait.org/es/content/sobre-los-eventos-actuales-en-ucraina

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(Porto) Encontro/tertúlia com o militante libertário brasileiro Alexandre Samis


Documento-1.sla samisVai ter lugar amanhã, quarta-feira, pelas 21 horas na Associação Terra Viva, no Porto (Rua dos Caldeireiros, 213) um encontro/tertúlia com Alexandre Samis, um militante libertário brasileiro, historiador do movimento operário e libertário, autor de livros como «Minha Pátria é o Mundo Inteiro», sobre Neno Vasco,  e outros estudos, nomeadamente sobre a 1ª Internacional. O encontro é organizado pelo Sindicato de Ofícios Vários do Porto, filiado na AIT/SP.

Aqui:http://sovaitporto.blogspot.pt/

(Lisboa) Conferência/debate sobre Bakunin


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Realiza-se esta terça-feira à tarde, pelas 18,30H,  na Biblioteca/Museu República e Resistência, em Lisboa, uma conferência/debate inserida nas comemorações dos 200 anos do nascimento de Mikhail Bakunin.
Nascido na Rússia em 1814, Bakunin foi um teórico e activista do ideal da liberdade e da solidariedade, o anarquismo. Combateu em diversos lugares e países por esse ideal e deixou uma imensa obra escrita em defesa das suas ideias, bem como um historial de luta pela liberdade e emancipação de todos os trabalhadores, combatendo igualmente o carácter autoritário e paternalista dos proclamados amigos do povo.

No bicentenário do seu nascimento, a Tertúlia Liberdade em parceria com a Biblioteca/Museu República e Resistência, promove uma conferência/debate com António Baião, investigador da Universidade Nova e Eduardo Sousa, livreiro no dia 28 de Janeiro pelas 18.30 h no Edifício Grandela na Estrada de Benfica, 419 (Metro Alto dos Moinhos).

aqui: http://www.tertulialiberdade.blogspot.pt/

José Luís Félix (f. Lisboa, 25. Jan. 2014): mais um testemunho


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Marinaleda (Andaluzia): um dos projectos autogestionários apoiado pelo José Luis Felix e pela “Tertúlia Liberdade”

José Luis Félix partiu inesperadamente, deixando um vazio difícil de preencher junto daqueles que com ele privaram mais de perto. Para sempre ficará na nossa memória o lutador convicto por uma sociedade mais justa, livre entre iguais, organizada de baixo para cima, assente em princípios federativos, na democracia directa e numa ética que respeita integralmente a pessoa humana. Via o Homem como um todo e a Liberdade como imperadtivo muito embora, no seu estadio actual, o visse alienado numa sociedade desigual, devorado pelo trabalho sem sentido em que esgota a sua existência, reduzindo os seus tempos livres à sua função de consumidor. A sua formação de economista, longe de o afastar de utopias, cimentava nele a convicção do embuste escravocrata da vulgata do economês liberal. Descria do actual sistema partidocrático bem como nas esquerdas bem intencionadas que gastam a sua energia na politica partidária e numa retórica inconsequente.  Encarava este quotidiano, quase insuportável, com um humor próprio dos que se veem sempre entre as minorias mais fragilizadas mas, talvez por isso, mais lucidas na visão do mundo que constroem. Marcou-o na juventude a sua experiencia no SAAL (http://saal-memorias.blogspot.pt/)  e a sua passagem pelo MES, a “esquerda alegre” do pós-25 de Abril, começando a aproximar -se dos ideais libertários no período da “crise das ideologias”.

No seu percurso de militante social, recordo as suas actividades de animação da BOESG, e a fundação da Tertulia Liberdade que sempre viu como um espaço de heterodoxia, de debate e de animação socio-cultural. Sonhava com uma outra esquerda, com a possibilidade de desenvolver outras praticas e sociabilidades, economias e vivencias alternativas. Servia-lhe como referência imediata dessa possibilidade alternativa a experiência resiliente de Marinaleda, protagonizada pelo Sindicato dos Operários e Camponeses da Andaluzia desde 1977 (http://www.marinaleda.com/sindicato.htm).

Nesse percurso colaborei com algumas das suas iniciativas e varias vezes me visitou em Setúbal desafiando-me para reflexões e debates, sempre com novos projectos em mente. Admirei a sua forma de estar na vida, crítico sempre activo, na militância pelos seus ideais, tão utópicos quanto necessários.

PG

aqui: https://www.facebook.com/notes/projecto-mosca/jos%C3%A9-luis-f%C3%A9lix-f-lisboa-25-jan-2014/648390775203435