Day: Março 2, 2014

(Ucrânia) Sobre a intervenção russa na Crimeia


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(Enquanto Kiev considera a intervenção russa na Crimeia como uma declaração de guerra, os anarcosindicalistas ucranianos dizem que é preciso uma intervenção do proletariado internacional para evitar a guerra. Consideram que o imperalismo russo, agora com Putin à frente, deseja anexar todo o território ucraniano e que uma frente conjunta proletária, ucraniana e russa, poderia fazer colapsar os regimes de Putin e do neoliberalismo ucraniano. São momentos de grande tensão estes que se vivem nos territórios ucranianos onde a presença e a cultura russas são mais fortes.)

Comunicado sobre a intervenção russa na Crimeia

No dia 27 de Fevereiro de 2014 os chauvinistas pró-russos da Crimeia, apoiados pela Berkut (unidade especial da polícia, ndt) e pela Frota Russa do Mar Negro deram um golpe militar na Crimeia. Neste momento já é óbvio que o governo do movimento “Unidade russa”, liderado por Aksionov, não é mais do que um fantoche do regime do Kremlin.

Não consideramos a integridade e a inviolabilidade das fronteiras territoriais da Ucrânia como um valor, somos contra a “pacificação” violenta da Crimeia, mas julgamos que o estatuto da Crimeia deve ser definido tendo em conta a opinião da minoria tártara da Crimeia .

Os últimos acontecimentos mostram que Putin não vai se vai limitar a querer a anexação da Crimeia. O objectivo do regime imperialista do Kremlin é estender as práticas russas a todo o território da Ucrânia.

Por ser assim, o regime russo já provou ser a principal ameaça para os interesses do proletariado na área pós-União Soviética .

Somos adversários da guerra e do militarismo e consideramos que na actual situação os proletários conscientes não podem confiar em ninguém a não ser em si próprios.

Não há qualquer vantagem em esperar uma “intervenção de resgate” da NATO . Os políticos nacionalistas ucranianos só podem organizar, na melhor das hipóteses, a defesa de uma parte do território. A guerra só pode ser evitada se os proletários de todos os países, em primeiro lugar ucranianos e russos , assumirem em conjunto uma posição contra o regime criminoso de Putin.

A acção conjunta do proletariado ucraniano e russo e de todas as forças democráticas progressistas, que poderá pôr fim ao regime de Putin , significará também o fim do actual regime nacionalista marcadamente neoliberal na Ucrânia.

Entretanto já está na hora dos esquerdistas e anarquistas do Ocidente cortarem os laços com o chamado “anti-imperialismo” que se resume apenas ao apoio ao regime de Putin contra os Estados Unidos.

Nem guerra entre as nações, nem paz entre as classes!

2 de Março de 2014

Organização Autónoma de Trabalhadores (Ucrânia)

aqui: http://avtonomia.net/2014/03/02/awu-statement-russian-intervention-uber-die-russische-intervention-erklarung-der-autonomen-union-der-arbeiterinnen-kiev/

(Barcelona) Salvador Puig Antich assassinado pelo garrote vil há 40 anos


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Cumprem-se hoje 40 anos do assassinato do anarquista e militante do MIL (Movimento Ibérico de Libertação), último executado em Espanha pelo garrote vil. A 2 de Março de 1974 era executado em Barcelona Salvador Puig Antich, condenado à morte por um Tribunal Militar.

Puig Antich nasceu a 30 de Maio de 1948 no seio duma família operária. O seu pai foi militante catalão durante a República. Depois da Guerra Civil exilou-se, mas foi preso e internado no campo de concentração de Argéles-sur-Mer. Condenado à morte em Espanha, acabou por ser indultado. Este ambiente em que Salvador foi criado facilitou a sua entrada no mundo da política e da resistência ao franquismo. O assassinato do estudante Enrique Ruano em 1969 foi a gota de água. Com a ideologia anarquista no sangue, Salvador ligou-se às lutas operárias de Barcelona. Vendo que algumas lutas ficana limitadas, junta-se ao Movimento Ibérico de Libertação (MIL).

O que era o MIL?

O Movimento Ibérico de Libertação foi um grupo revolucionário armado sugido em finais de 1969. Com o anticapitalismo como base, o MIL tem no seu seio uma forte influência conselhista, anarquista e antiparlamentar. O seu objectivo era influir e ajudar o movimento operário tanto de forma teórica, com a edição de folhetos, com o prática, com o apoio às greves e acções de expropriação. Longe da visão que alguns quiseram estabelecer, equiparando-o a organizações como a Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica (FRAP) ou a ETA, o MIL não tinha como objectivo atacar as forças de segurança. As razzias levadas a cabo contra o grupo, que acabam com a detenção de Salvador e a descoberta de numerosos apartamentos da organização, põem-lhe ponto final. Parte da tradição que marcou o MIL foi assumida por organizações como os Grupos de Acção Revolucionária Internacionalista (GARI) ou a Organizaçaõ de Luta Armada (OLLA)

A prisão de Puig Antich

Depois de numerosas acções do MIL na forma de assaltos, começaram a produzir-se detenções entre os seus membros. Com a prisão da noiva do membro do MIL Luis Pons e a de Santi Soler, estes foram usados como um anzol para deter Xabier Garriga e Puig Antich. No dia 25 de Setembro de 1973, Garriga tinha marcado encontro com outros elementos do grupo no bar El Funicular. A polícia estava de alerta e pôs em marcha um dispositivo de segurança. Na refrega, Salvador sai a correr e é interceptado pela polícia. No meio do tiroteio, o inspector Francisco Amguas é morto. A quantidade de ferimentos de bala que tinhaAÁnguas mostra a dureza do tiroteio, mas não a responsabilidade de Puig Antich. Depois de ter recuperado dos ferimentos, Puig Antich foi julgado e condenado à morte num processo em que se ocultaram provas e se impediu a defesa de convocar testemunhas. Puig Antich estava condenado de antemão.

O caso de Puig Antich contou apenas com o apoio do movimento libertário no exílio e dos seus companheiros do MIL que estavam em França. Mas, em Dezembro de 1973, depois da morte de Carrero Blanco, o regime franquista não ia ter piedade para com um militante libertário condenado à morte. As tentativas para conseguir um indulto foram em vão. Na manhã de 2 de Março de 1974 era executado pelo garrote vil na prisão Modelo de Barcelona. As suas irmãs levam 40 anos lutando pela memória do irmão e para demonstrarem a sua inocência.

traduzido e adaptado de Juan Vadillo – Periódico Diagonal número 217, através de http://www.rojoynegro.info/articulo/memoria/salvador-puig-antich-la-memoria

relacionado: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/03/01/2-de-marco-de-74-puig-antich-o-ultimo-anarquista-a-ser-assassinado-pelo-garrote-vil-em-espanha/

também aqui: http://www.cgtcatalunya.cat/spip.php?article10016#.UxJ8CPl_tlx

http://www.lavanguardia.com/politica/20140302/54401902878/puig-antich-40-anos-ejecucion.html

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