(Antifascismo) Da Suécia à Ucrânia, o mesmo combate


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Comunicado da Organização Autónoma de Trabalhadores (Ucrânia)

Os nazis ucranianos incentivam os colegas suecos a atacarem feministas

Na noite de 8 de Março vários activistas de esquerda foram atacados no centro de Malmö por membros do partido fascista Svenskarnas (Partido dos Suecos). Estavam de regresso a casa depois de terem participado numa manifestação do Dia Internacional da Mulher, contra a violência contra as mulheres. O ataque deu-se logo a seguir à manifestação. Uma pessoa ficou internada nos cuidados intensivos devido a ferimentos graves na cabeça e outros três sofreram golpes com faca de gravidade variável. Os nazis andavam à procura de vítimas potenciais durante a noite nas imediações do local da manifestação, ou por outras palavras, o ataque não foi coincidência.

Este não é o primeiro incidente deste tipo: a violência de extrema-direita contra a esquerda tem vindo recentemente a crescer na Suécia assim como na Ucrânia. Em Janeiro, dois homens atacaram um activista de 16 anos, da juventude do Partido Social Democrata, a quem tinham avisado para não promover os seus pontos de vista políticos. Noutras cidades, os nazis estiveram a assistir às manifestações do 8 de Março, identificando activistas individuais.

O activista de 25 anos que ficou gravemente ferido, e está neste momento ainda em coma induzido no hospital, é uma figura de liderança na luta contra o racismo e a homofobia no mundo do futebol, membro da central sindical SAC (sindicalista revolucionária) e um adepto dedicado do clube de futebol Malmö FF. Foi também um dos fundadores da organização  “Fãs de futebol contra a homofobia”. Por este motivo, a sua fotografia tinha sido recentemente colocada no website do  “Partido dos Suecos” intitulada “Realisten”.

De acordo com testemunhas no local, um membro destacado do “Partido dos Suecos”, Andreas Carlsson, foi visto a atacar feministas com uma faca. No início deste ano, juntamente com outros membros do “Partido dos Suecos” ele viajou com destino a Kiev como ” Ukrainafrivilliga” (Voluntário da Ucrânia) ) para apoiar as tentativas do partido Svoboda em tomar o poder . De acordo com o seu relato, alguns dos participantes da delegação terão ficado a fim de “se alistarem no exército ucraniano ” (provavelmente numa referência aos Grupos de Autodefesa de Maidan), enquanto outros, incluindo Carlsson, voltaram para a Suécia alguns dias antes do 8 de Março .

Bastante curioso é o facto de numa sua recente entrevista o ministro sueco dos Negócios Estrangeiros, Carl Bildt , ter dito que  o “Svoboda ” é um partido de “democratas europeus que trabalham para os nossos valores” . Os activistas de esquerda suecos acreditam firmemente que foi esta tolerância face aos partidos fascistas , que deu o sinal ao “Partido dos Suecos”  de que a sua violência seria publicamente tolerada. Obviamente, que esta violência não pode deixar de ter sido inspirada pela presença em peso do “Svoboda” e de outros grupos de extrema-direita na Maidan , onde conseguiram impor a sua própria hegemonia ideológica sobre cidadãos despolitizados .

Os nazis ucranianos são tão “crescidos” que até ensinam os seus colegas suecos

Há já algum tempo que as acções feministas são um terreno perigoso na Ucrânia. Por exemplo, camaradas nossos foram atacados no dia 8 de março de 2012, pelos membros do grupo neo-nazi “C14 “, que tem laços estreitos com o “Svoboda”.  Mais tarde, eles atacaram a manifestação dos activistas de esquerda e liberais, que teve lugar no dia 8 de dezembro de 2012. O número de ataques aumentou rapidamente durante o último ano . A maioria das vítimas são membros do grupo de estudantes “Acção Directa “. Um dos membros da Organização Autónoma de Trabalhadores também ficou gravemente ferido. É sintomático que tenham sido as reivindicações feministas a provocarem os primeiros casos de agressão da extrema-direita em Maidan : os elementos da extrema-direita consideraram “provocatórios” os cartazes exigindo igualdade de salários e mais jardins de infância e atacaram as feministas de esquerda .

Estamos longe de pretender repetir a propaganda russa de que todos os apoiantes de Maidan são nazis. Mais do que isso, os dados de sodagens recentes dão-nos razão de optimismo: apesar da frenética auto-promoção, os líderes do “Svoboda” e do “Sector de Direita” têm uma intenção de voto nas presidenciais extremamente baixa. A maioria dos trabalhadores não adere à propaganda nacionalista (constantemente disseminada pela intelligentsia urbana). Mas é claro que seria errado descartar e esquecer a presença da extrema-direita no Parlamento, no governo e nas forças de segurança . Esta presença é uma séria ameaça para toda a sociedade. Nos próximos meses, os nazis vão ajudar os seus parceiros seniores no governo a realizarem as “deformas” neoliberais, intimidando as forças progressistas que lhes tentem resistir. Tais eram as funções históricas do fascismo: ajudar os capitalistas a apertarem os cintos à classe operária e a neutralizarem qualquer resistência. A agressão russa é uma “mão amiga” adicional , uma vez que força muitos trabalhadores a alinharem atrás de um governo impopular, nacionalista e neoliberal, atirando os trabalhadores para os braços de políticos em quem, numa situação “normal”,  nunca confiariam.

Tal como na Ucrânia, a crescente onda de violência de extrema-direita está a ser ignorada na Suécia e considerada como “brigas internas entre marginais”. O preço desta tolerância vai ser uma mudança da sociedade mais para a direita. Este fenómeno é comum à Ucrânia e aos países europeus em que existem partidos do “neo-fascismo sedento de poder”, como o húngaro “Jobbik” ou o grego “Golden Dawn”  – parceiros próximos do ucraniano “Svoboda”. Enquanto espalham o terror político pelas ruas estão a correr para o Parlamento e ganham cada vez mais um poder real, fazendo um bom uso do apoio que lhes é dado pelos liberais tradicionais.

10/3/2014

aqui: http://avtonomia.net/2014/03/10/ukrainian-nazis-taught-swedish-colleagues-attack-feminists/

Noticia original da agressão na Suécia e na qual se baseia o counicado da OAT da Ucrânia: http://libcom.org/news/fascist-knife-attack-malm%C3%B6-sweden-night-international-womens-day-09032014

contra a guerra

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