Day: Março 19, 2014

(S.f.f. aponte já na agenda) Debate em Castelo Branco


palestra

Dia 12 de Abril, às 15H na Biblioteca Municipal de Castelo Branco

O desabamento da URSS e a consagração dos EUA como única hiperpotência permitiu que o modelo capitalista liberal se expandisse a todo o Mundo. Eis que chegou a crise económica mundial, e com ela o desespero de milhões e milhões de pessoas nos quatro cantos da Terra.

É neste contexto que outros modelos socioeconómicos são apresentados como melhores, mais eficazes, mais justos. Marxismo-leninismo e anarquismo são dois modelos sócio-económicos que rejeitam o capitalismo e e têm como objectivo a criação de um novo Mundo. Convidamos todos os albicastrenses, dos mais jovens aos mais velhos, a assistir a uma palestra sobre estas duas teorias políticas.

Entre os intervenientes estarão dois companheiros anarquistas, entre os quais uma sócia do Centro de Cultura Libertária (Cacilhas).

aqui: https://www.facebook.com/events/279906628832159/?ref=22

(22M) Marchas da Dignidade convergem para Madrid: a paz social acabou!


Cartel 22M animado w

CGT

22-M rojinegro

SOLIDARIDAD OBRERA

MADRID22M

CNT

Por todo o território do Estado Espanhol, de norte a sul, estão já em marcha as colunas que se dirigem para Madrid onde haverá uma grande concentração dos protestos já no próximo sábado, dia 22. Centenas de militantes das organizações anarcosindicalistas (CNT, CGT e Solidaridad Obrera) bem como activistas de dezenas de associações e espaços sociais de cariz libertário integram as colunas que convergem para Madrid. Num comunicado emitido pelo secretariado confederal da CNT, a central anarcosindicalista explica as razões deste protesto.

 22M: Marchas da Dignidade convergem em Madrid

No dia 22 de Março convergem em Madrid as Marchas da Dignidade. A CNT considera que há motivos de sobra para convidar todos e todas a juntarem-se e a participarem nos diversos actos em torno das marchas, bem como a estarem presentes em Madrid no sábado, 22.

Há anos que vemos, enquanto o desemprego e a pobreza não param de crescer, como os vários governos servem as elites financeiras e patronais, a quem destinaram lucros de milhões e milhões de euros, obtidos pela destruição de serviços e de cuidados públicos já de si muito precários, numa gigantesca operação de socialização dos prejuízos e de privatização dos lucros. Em resumo, agridem-nos com uma politica económica e social cada vez mais repressiva e injusta.

É hora de dizer basta. É hora de dar uma resposta contundente, uma resposta que para a CNT só pode vir da mobilização, na rua, nos locais de trabalho, nos bairros; a partir da confrontação com o poder e desde baixo, apostando na auto-organização dos trabalhadores e trabalhadoras.

As Marchas da Dignidade devem ser um passo mais, o mais massivo e contundente que sejamos capazes de construir, um passo a que será necessário dar continuidade e onde os movimentos sociais e o sindicalismo mais combativo devem tomar o protagonismo, avançando para a convocatória de uma greve geral que tenha a capacidade real de fazer inverter a favor da classe trabalhadora as políticas que estamos a sofrer.

A CNT estará presente nesta mobilização. Estamos seguros que entre todos seremos capazes de enviar uma mensagem clara aos poderes económicos e políticos, assim como às cúpulas dos sindicatos oficiais. Esta mensagem é que a paz social acabou e que o esbulho dos direitos e liberdades dos trabalhadores não lhes sairá de graça. A luta está na rua e alarga-se. Esperamos que este dia sirva para que a sociedade desperte, se junte ao protesto e se organize.

Dito isto, desde a CNT queremos afirmar claramente que não partilhamos nem apoiamos o carácter eleitoralista e de opção pela via política que alguns actores do 22M pretendem oferecer à classe trabalhadora como caminho para a solução dos seus problemas. Repudiamos que se queiram aproveitar as energias e as esperanças de mudança e voltar a dirigir a luta popular para o beco sem saída do voto.

Nem a dignidade nem a liberdade serão negociadas por nenhum novo líder saído das urnas do sistema. Devemos ser nós, sem delegar em ninguém, a conquistar novos e mais direitos. E para o fazer não podemos apostar mais uma vez nos instrumentos do poder estabelecido, porque seremos atraiçoados como historicamente tem acontecido. Só será possível empreender o caminho da dignidade quando o poder residir nas assembleias, afastadas do modelo politico e sindical hierárquico, de eleições e parlamentos, de “liberados” sindicais e de comités.

Este caminho deixou-nos totalmente claro que o capitalismo não vai ter mais camadas de maquilhagem nem de reformas e que a sua desaparição constitui o único cenário razoável. Devemos lutar por uma revolução social que seja capaz de transformar desde os alicerces esta sociedade baseada na desigualdade e essa é a única forma de reconquistarmos a nossa dignidade.

Vemo-nos nas ruas no próximo dia 22, mas a luta deve continuar. Do 22 M ao 1º de Maio, à Greve Geral. Impulsionemos um sindicalismo baseado na acção directa, no federalismo, na solidariedade e na autogestão, uma ferramenta capaz de fazer frente ao capitalismo até à transformação da sociedade: o anarcosindicalismo. A CNT pode ser a tua ferramenta de luta.

A luta está na rua! A 22M todos e todas a Madrid!

Dignidade, rebeldia e revolução social!

Secretariado Permanente do Comité Confederal da CNT-AIT

aqui: http://www.cnt.es/noticias/22m-cnt-en-marcha-cnt-en-lucha

http://marchasdeladignidad.org/

À Comuna (Elle n’est pas morte)


A Comuna de Paris (18 de Março de 1871 – 28 de Maio de 1871)

A insurreição proletária de março de 1871, que ocorreu na capital francesa, instaurou uma experiência de autogoverno dos trabalhadores, conhecida como a Comuna de Paris.
Sendo um dos marcos da luta dos trabalhadores contra a exploração e opressão burguesa, a Comuna da Paris suscitou importantes debates acerca da ideologia, da teoria, da estratégia e do programa revolucionários. Entretanto, o predomínio das análises de orientação marxista tem negligenciado aspectos centrais dessa experiência revolucionária, especialmente, no que diz respeito à participação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), o papel da Aliança e a teoria do anti-Estado.


1. O contexto político da Comuna de Paris

A derrota na guerra contra a Prússia (1870) pôs fim ao regime do imperador francês Napoleão III, Luís Bonaparte, e deu início ao Governo Provisório liderado pela burguesia. Inicialmente o Governo Provisório foi exercido por Leon Gambetta, posteriormente passou ao comando de Adolphe Thiers.
Sob a liderança de Bismarck, a Alemanha estava em processo de unificação e disputava a hegemonia européia com a França e a Inglaterra. Os alemães já tinham conquistado as regiões francesas de Alsácia e Lorena, pelo Tratado de Frankfurt.
O exército prussiano sitiou a cidade de Paris e o Governo Provisório francês propôs um armistício.
Por sua vez, o movimento operário na França estava consolidando sua organização política e sua consciência de classe, através da AIT. Estava mobilizado para a luta reivindicativa e começava a tomar parte nas questões da guerra. O movimento dos trabalhadores se deu conta que somente a sua iniciativa seria capaz de derrotar a ameaça de invasão prussiana, uma vez que a burguesia havia capitulado.
A insurreição começa em 1871 com a rebelião da Guarda Nacional que não aceitou a ordem de depor as armas. A Guarda Nacional executou seus generais e tomou a prefeitura de Paris. Thiers transferiu a sede do governo burguês para Versalhes e organizou a invasão da capital francesa. A resposta da classe trabalhadora foi a organização da Comuna de Paris – o autogoverno dos trabalhadores. A insurreição dos communards estabeleceu uma dualidade de poder: de um lado o poder burguês representado pelo Governo Provisório e seus aliados alemães; do outro lado, um poder operário-popular materializado na Comuna de Paris.

2. O papel da AIT e da Aliança na Comuna de Paris
O predomínio das interpretações marxistas sobre a Comuna produziu dois grandes equívocos: primeiro, a idéia de que o movimento insurrecional teve um caráter espontâneo, isto é, não foi o resultado de uma ação consciente dos trabalhadores, e, o segundo equívoco, é a defesa, feita por Engels e por Lenin, de que a Comuna foi a primeira experiência da “Ditadura do Proletariado”. Em 1870 a AIT já se constituía com uma das principais forças políticas da Europa, o espaço de organização das lutas dos trabalhadores europeus. A Associação Internacional dos Trabalhadores aprovou uma resolução contra a Guerra Franco-Prussiana, conclamando a unidade dos trabalhadores dos dois países.

Por sua vez, o movimento operário francês, responsável pela fundação da AIT juntamente com os trabalhadores ingleses em 1864, encontra-se fortemente organizados, enfrentando o governo absolutista de Napoleão III. Entre as lideranças dos trabalhadores franceses destaca-se Eugène Varlin (1839-1871), encadernador de livros, um dos principais organizadores da seção francesa da AIT e membro da Aliança (organização revolucionária anarquista da qual fazia parte Mikhail Bakunin).
Varlin participou ativamente da insurreição de março, sendo eleito para o Comitê Central da Guarda Nacional, convocando os demais membros da AIT à participação no Comitê, também foi eleito para três distritos da Comuna e participando da resistência da última barricada.
Antes da eclosão da insurreição, o posicionamento da Aliança, a partir dos escritos e das ações de Bakunin e Varlin, é bem explícito: somente a Revolução Social poderia garantir a proteção do povo francês diante da opressão interna, o governo monárquico de Napoleão III, e da opressão externa, a invasão prussiana.
Em 1870, Bakunin estava em Lyon e organizou o Comitê para a Salvação da França e participou na Comuna de Lyon (também foram proclamadas Comunas em Marseille, Narbonne, Saint-Etienne, Toulouse e Creusot), defendendo a destruição do Estado e a organização do autogoverno dos trabalhadores.
Na sua obra, “Cartas a um francês”, de 1870, Bakunin afirmava de maneira categórica: “Está aqui provado que a França não pode salvar… o Estado. Mas, separadamente desta instituição parasitária e artificial, uma nação somente consiste em seu povo; consequentemente, somente a ação imediata, não partidária, do povo pode salvar a França, por meio de um levante massivo de todo o povo francês, espontaneamente organizado de baixo para cima, por uma guerra de destruição, uma guerra sem misericórdia, até a morte”.
No início do mês de março de 1871, escrevia Varlin, no texto “As sociedades operárias”: “Enquanto os nossos estadistas procuram substituir o regime do governo pessoal por um governo parlamentar e liberal (estilo Orléans), esperando assim desviar o avanço de uma revolução que ameaça os seus privilégios. (…) Devemos dedicar ativamente à preparação dos elementos de organização da sociedade futura, de modo a tornar mais fácil e mais certeira a obra de transformação social que se impõe à Revolução”.

Portanto, não há dúvidas de que a teoria e a estratégia revolucionárias anarquistas foram determinantes da deflagração do movimento insurrecional da Comuna de Paris.
Do mesmo modo, o programa dos communards foi o programa da Aliança. Isto é, a abolição do Estado, o povo em armas, a coletivização das fábricas, a igualdade entre homens e mulheres, entre outras…
Sendo assim, o programa da Comuna, por suas características e natureza ideológica, não tem nenhuma relação com a “Ditadura do Proletariado”. Muito pelo contrário, a Comuna de Paris foi, como conclui Bakunin, a negação do Estado: “Sou um partidário da Comuna de Paris, (…) sou seu partidário em grande parte porque foi uma negação audaz, bem pronunciada, do Estado” (A Comuna de Paris e a noção de Estado).
Também encontramos no texto já citado de Varlin a sua defesa da teoria do anti-Estado: “Até agora, os Estados políticos mais não têm sido do que a continuação de regime de conquista que presidiu ao estabelecimento da autoridade e à opressão das massas. (…) Se não quisermos converter tudo num Estado centralizador e autoritário, que nomearia os diretores das fábricas, das manufaturas, dos estabelecimentos de distribuição, os quais por sua vez nomeariam os subdiretores, os contramestres, etc., organizando-se assim hierarquicamente o trabalho de alto a baixo e deixando-se o trabalhador como uma mera engrenagem inconsciente, sem liberdade nem iniciativa, se não quisermos nada disto temos de admitir que os próprios trabalhadores devem dispor livremente dos seus instrumentos de trabalho, possuí-los, com a condição de trocar os seus produtos ao preço de custo, para que exista reciprocidade de serviços entre os trabalhadores das diferentes especialidades”.
Não se pode negar que a Comuna foi composta maioritariamente por republicanos radicais e que os setores socialistas (os chamados “internacionalistas”) eram minoritários. Entretanto, a partir da análise histórica correta sobre a Comuna de Paris não se pode negar que ela foi a primeira experiência anti-Estado. Resultante de uma insurreição proletária que buscava a abolição do Estado e a construção da Federação e do autogoverno dos trabalhadores. Essa experiência histórica deve ser lembrada pela coragem dos communards em levar às últimas consequências o lema da AIT: A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores! 

aqui: http://geolibertaria2.blogspot.pt/2011/06/os-140-anos-da-comuna-de-paris-e-teoria.html

A semana sangrenta (21 a 28 de Maio de 1871)