Day: Março 25, 2014

Se não lutarmos, a pobreza de hoje será a miséria de amanhã


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Os últimos números do INE (Instituto Nacional de Estatística) vêm apenas comprovar aquilo que vemos nas ruas e nos bairros: pobreza. Há zonas deprimidas das cidades, de Norte a Sul, onde a pobreza, a miséria, a falta de alojamento são cada vez mais visíveis. Não é apenas a procura de comida em refeitórios e instituições vocacionadas para esse fim: é a pobreza que volta a pedir de porta em porta; a procura por algum bem alimentar nos caixotes de lixo; as filas à porta das instituições de apoio social.

Segundo os números do INE, publicados pelo jornal I, “quase 2 milhões de portugueses estão à beira da pobreza e um em cada dez já atravessou essa fronteira. Jovens, famílias com crianças e desempregados estão entre os mais afectados O risco afecta 18,7% da população portuguesa e atingiria quase 50% se não fossem as pensões e as transferências sociais. Os dados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a taxa é a mais alta desde 2005, ano em que 19% dos portugueses viviam sob a ameaça iminente de pobreza, definida como um rendimento mensal inferior a 409 euros. Adolescentes com menos de 18 anos, casais com crianças a cargo e ainda desempregados são as populações mais vulneráveis, tendo em conta os rendimentos de 2012 analisados e divulgados ontem pelo INE.”

Quarenta anos depois do 25 de Abril de 1974, de inúmeros governos e governantes, de partidos da esquerda à direita, o retrato é vergonhoso para a classe política enfeudada em sucessivos escândalos de corrupção, compadrio e vilaneza.

Com o pagamento da dívida (que eles provocaram e nós estamos a pagar com fome e miséria, despejos e desemprego) a situação geral aponta para que este estado de coisas permaneça, com um ainda maior aumento do fosso entre os mais ricos e os mais pobres.

A alternativa só pode ser uma: a tomada de consciência de que o futuro está nas nossas mãos e que só nós o podemos transformar. Não é com eleições, nem com novos ou antigos governos: é pressionando no sentido de tomarmos o controlo sobre as nossas vidas, recusando o pagamento da dívida e dos cortes sociais, construindo organizações de base, horizontais e assembleárias, de democracia directa, que é possível inverter estes indicadores. Caso contrário, o fosso social ainda se irá alargar mais e a pobreza de hoje será a miséria de amanhã para a esmagadora maioria da população portuguesa.

M.T. (recebido por email)

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Sobre as Marchas da Dignidade: Comunicado das Juventudes Libertárias de Madrid


Grande

Sobram os motivos para lutar. E não para dignificar as condições de exploração e de sujeição de antes da crise. Nem queremos desemprego, nem nos queremos ver obrigados a vender o nosso tempo e esforço para enriquecer um empresário. Não queremos maior controlo sobre a classe política, nem mais votações nem consultas públicas; queremos destruir o Poder e a Autoridade e construir a organização da vida social e económica de baixo a cima, de forma horizontal, através da livre união e da federação das pessoas de modo a organizar conjuntamente e de forma solidária as nossas vidas e dar respostas colectivas aos problemas que surjam no nosso dia-a-dia. Não queremos uma tíbia igualdade política, como conceito abstracto: lutamos pela igualdade económica e social, pela destruição das classes sociais que se cimentam sobre o roubo legal (a propriedade privada), acreditamos na necessidade de combater o sexismo, o racismo e qualquer forma de domínio como pilares do Estado e do Capital.

Como aspiramos a isso, começamos desde a nossa própria luta diária a tentar funcionar da forma como pretendemos: sem líderes, nem hierarquias, mediante a acção directa dos próprios implicados nas lutas sem delegar em ninguém (nem juízes, nem políticos, nem profissionais dos sindicatos, nem polícias), tendo a solidariedade e o apoio mútuo como base.

Por isso nos enoja tanto ver aspirantes a líderes de massas, como o alcaide Gordillo ou o “liberado” Cañamero, a tomarem banhos de multidão e a “engolirem” câmaras de filmar. Que faz um alcaide, que participa na estrutura do Estado, que serve para manter a ordem estabelecida e que ostenta um cargo de poder, ou um profissional dos sindicatos, que participa no sistema de delegação que destruiu o movimento operário através do voto nas eleições sindicais, a conduzir lutas? A resposta é simples: carreira política. Para eles e para os seus seguidores apenas lhes podemos dizer que, como anarquistas, nos negamos a participar no colorido de siglas que marcham ao som dos seus interesses.

Não nos importa o carácter massivo de um protesto onde prima o espectáculo e o aparecer na televisão, em que partidos políticos e sindicatos disfarçados de alternativos dão colorido a um carnaval que disfarça a luta para pescar adeptos e conseguir lucros eleitorais. Lutaremos contra o Estado e o Capital como a origem das injustiças e das desigualdades, e lutaremos contra os seus gestores e CONTRA OS ASPIRANTES a serem gerentes de um capitalismo e de um poder autoritário, ainda que mais tíbio e mais difuso.

Organiza-te e luta sem líderes nem hierarquias!

Contra toda a autoridade! Pela anarquia!

Juventudes Libertárias de Madrid

24/3/2014

http://juventudeslibertariasmadrid.wordpress.com/