Day: Abril 16, 2014

(Texto) O PCP e o nacionalismo antieuropeu


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Jorge Valadas (*)

A 5 de julho de 2012, António Vilarigues (A.V.), figura importante do partido comunista português, publica no jornal do partido, Avante, o texto «Algumas notas sobre o óbvio», no qual critica «alguns radicais pequeno-burgueses (que) descobriram duas teses espantosas: os partidos comunistas são «nacionalistas de esquerda», e, logo são incapazes de políticas internacionalistas». Segundo o autor, estes «radicais pequeno-burgueses» falam «em contradições insanáveis entre o nacional e o internacional na luta dos trabalhadores ».  A.V. sublinha que «os progressos realizados pelos povos da União Soviética e dos outros países socialistas provam a superioridade do modo de produção socialista em relação ao capitalista». «Em praticamente todos os países onde se verificaram revoluções socialistas foi impressionante o desenvolvimento das forças productivas nomeadamente na industria e agricultura. As evoluções negativas verificadas, fruto de erros internos e da acção externa do capital e do imperialismo […] não contradizem estes factos. Por muito que isso custe aos “nossos” radicais pequeno-burgueses»

Assim, em 2012, voltamos a ouvir estas afirmações barrocas. Alguns partidos comunistas europeus – cujo caso mais paradigmático é o do partido comunista grego, o KKE -, debilitados na sequência do colapso do bloco capitalista de Estado, encontram um novo fôlego num nacionalismo antieuropeu, espoletado pela decomposição social das sociedades em crise.

António Vilarigues, com a sua diatribe contra os «radicais pequeno-burgueses» efetua provavelmente um ajuste de contas no interior da sua própria organização. De um modo mais geral, responde à crítica que é feita ao partido comunista de resvalar para a defesa de posições nacionalistas suscetíveis de conduzir a uma convergência com as correntes da direita patriótica, uma tendência que se pode observar desde há anos na Rússia com a emergência do nacional-bolchevismo e, mais recentemente, na Grécia. A retórica marxizante e o culto do progresso económico, do produtivismo e das forças produtivas, essa vulgata bolchevique que entende o internacionalismo como uma adição de socialismos nacionais, envolvem a reivindicação de um hipotético retorno do país de Camões à «independência nacional», concretizado por uma saída unilateral do Euro, uma ideia de recuo nacional que contamina toda a velha esquerda impotente perante a crise. No espírito dos chefes neo-estalinistas, tratar-se-ia de uma etapa benéfica para o seu reforço. Não lhes passa sequer pela cabeça que o único caminho para uma emancipação dos explorados em Portugal possa porventura residir antes do mais numa união com os outros revoltados europeus e ibéricos, ao contrário de um retorno à suposta «independência nacional» e ao culto do patriotismo.

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(Casa Viva, Porto) Que o Douro se faça Tejo: apresentação das manifestações ‘Todos os Rios vão dar ao Carmo’


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Que o Douro se faça Tejo

Hoje, quarta-feira, dia 16 de Abril, pelas 21,30H, na Casa Viva, PRAÇA MARQUÊS POMBAL 167 PORTO

Este é um apelo explícito ao esvaziamento das comemorações do 25 de Abril no Porto. Este ano, se há potencial de criação de situações inesperadas que possam servir de fermento para novas atitudes, ele está em Lisboa, com o “Todos os Rios vão dar ao Carmo”   riosaocarmo.wordpress.com/
Para informar, discutir e mobilizar, organizou-se uma sessão, lançada por um gajo que sabe umas coisas do que se vai passar e com esperança de poder responder a questões de pessoas que ainda sabem menos.

A ver se nos animamos a ir.

Entrada livre

aqui: http://casa-viva.blogspot.pt/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/04/13/25-de-abril-todos-os-rios-vao-dar-ao-carmo-2/