Day: Abril 23, 2014

(25 de Abril) Tolerância zero contra o fascismo


hitler

Para alguns sectores da sociedade portuguesa uma das formas de protesto pela actual situação de exploração e miséria que vivemos é o embranquecimento do regime fascista anterior ao 25 de Abril de 1974 dizendo que “… antes estava-se melhor”. Invoca-se depois a segurança, o emprego, a educação. Só mentiras. Mesmo que a sociedade portuguesa hoje continue profundamente desigual e a exploração em muitos sectores se tenha vindo a agravar nos últimos anos nada é comparável à bota fascista que nos espezinhou durante mais de 40 anos.

Hoje há fome. Durante o fascismo havia fome e campos de tortura e morte como o Tarrafal. Hoje há desemprego. Durante o fascismo havia desemprego e uma guerra colonial que obrigou a dezenas de milhar de jovens a terem que ir à guerra ou a abandonarem o país. Hoje há miséria. Durante o fascismo havia miséria e eram proibidas as associações políticas e sindicais que não pactuassem com o regime. Hoje há anlfabetismo. Antes do 25 de Abril a maioria da população, mesmo depois do ensino se ter tornado obrigatório até à 4ª classe, era analfabeta e havia a censura aos livros, jornais, rádios e televisão.

Branquear o fascismo só pode ser obra de fascistas. Mesmo que hoje haja dezenas de milhares de portugueses sem trabalho;  dezenas de milhar de jovens, de novo, no caminho da emigração; uma classe política corrupta e venal, que transformou o poder político num mero instrumento das máfias económicas; partidos políticos que dispuseram dos poderes públicos a seu belo prazer, apenas preocupados em arregimentarem votos para depois distribuirem as benesses entre os seus apaniguados; mesmo que hoje muitos de nós critiquemos o actual estado de coisas e lutemos para que haja uma transformação na sociedade que nos conduza a um outro tempo de bem estar e felicidade, nada disso tem a ver com o regresso aos tempos tenebrosos do fascismo, tempos de morte e repressão.

E por sabermos também que entre as alternativas que hoje se colocam – e algumas delas desfilam por estes dias nas ruas usando palavras que nos são gratas, como a liberdade ou a revolução – existem projectos políticos tão totalitários e opressores como os do fascismo (tentados, mas nunca concretizados em Portugal) é preciso sermos firmes e claros na resistência e no confronto face aos que pretendam reduzir (sob que pretexto for) o nosso espaço de afirmação individual e colectiva, cerceando as liberdades e os direitos de cidadania.

Por isso é tão importante, neste 25 de Abril, sabermos dizer, enquanto anarquistas e com um historial de muitos mortos, presos, torturados, humilhados e ofendidos, saídos das nosssa fileiras na luta contra o totalitarismo: FASCISMO, NUNCA MAIS!

antónio (via mail)

De Barcelona: o desalojo da Carbonería já teve resposta


Capturar

*O CSO “Banc Expropiat” vai a tribunal

*O braço de ferro entre Can Vies e TMB mantém-se

* Três agências bancárias já foram ocupadas e transformadas em Centros Sociais Autogestionados

Escrevemos em artigos anteriores (aqui e aqui e aqui ) que as okupações políticas em Barcelona estão a ser ameaçadas pelo Estado espanhol e pelo proto-Estado catalão. Falta dizer que o contexto de crise que potencia esta ofensiva militarizada contra a okupação também fornece novas perspectivas de luta política. Vislumbram-se novos caminhos para criar e visibilizar o conflito social nas cidades, e o caso barcelonês pode ser de utilidade para as lutas noutros lugares. Antes de entrar na matéria, resumimos brevemente a situação dos CSO’s mais emblemáticos da cidade. O Centro Social histórico Can Vies, do qual já tinhamos falado, continua numa situação extremamente delicada. A expulsão dos okupantes foi decidida no mês passado e pode ocorrer a qualquer momento, já que o tribunal determinou que o desalojo poderia produzir-se em qualquer momento entre dia 1 e 30 de Abril. O regedor do distrito de Sants, face ao apoio massivo do tecido social do bairro ao CSO, fez marcha atrás e anunciou que não se realizaria a expulsão. Por agora, ninguém acredita. Quando a população se encontra unida e organizada de forma auto-gestionária para suprir as suas necessidades, as acções colectivas levadas a cabo pelas assembleias tornam-se mais ameaçadoras para o poder. No outro extremo, encontram-se os individuos atomizados pela chamada “modernidade líquida”. As suas dívidas impagáveis e os seus trabalhos extenuantes não lhes permitem sair à rua para defenderem os espaços colectivizados que possam existir ou nos quais participem. No bairro de Sants, viveram-se momentos de re-encontro popular durante as várias manifestações, acções directas, actividades culturais e políticas etc. que Can Vies organizou para defender o CSO.

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