Ucrânia: anarquismo no contexto da guerra civil


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Nos últimos meses muitos têm sido os textos publicados sobre a Ucrânia. Há análises para todos os gostos. Quem reafirme o perigo fascista, quem aponte a actividade das milícias pró-russas como terroristas, quem preveja uma guerra civil de alta intensidade no terreno ou quem diga que os dados estão lançados e que a parte leste do país se vai unir à Rússia, como fez já a Crimeia, sem grande resistência por parte de Kiev. No dia em que os pró-russos («federalistas») levam a efeito um referendo no leste da Ucrânia e em que, em várias cidades, há combates de rua, publicamos o texto de Antti Rautiainen, um anarquista finlandês de 35 anos, profundo conhecedor de todo o contexto geoestratégico da região, já que viveu 12 anos na Rússia, de onde foi expulso em 2012 pelo governo de Putin. Rautiainen defende que é preciso evitar por todos os meios a guerra civil já em marcha e considera que o perigo fascista tem sido sobrestimado.

 Antti Rautiainen (*)

Na sexta-feira, 2 de Maio, um incêndio destruiu a União de Sindicatos em Odessa. No total, pelo menos 42 pessoas perderam a vida durante os confrontos na cidade, a maior parte delas no incêndio e os outros em combates de rua. Há um excelente texto em língua russa (com fotos), de uma testemunha ocular dos acontecimentos disponível aqui.

Os incidentes começaram quando milicianos armados antiMaidan e pró-Rússia atacaram uma manifestação organizada por hooligans com simpatias nacionalistas. Este ataque resultou nalgumas mortes, mas depressa os pró-russos foram contidos e regressaram ao seu acampamento de protesto em Kulikovo. Manifestantes pró-Kiev seguiram-nos e incendiaram-lhes o acampamento que ficou em chamas. Os pró-russos, em seguida, fugiram para a União dos Sindicatos, que rapidamente começou a arder. Neste vídeo é visível o fogo a espalhar-se. Aos 2 minutos, pode-se ver uma chama atrás de uma janela fechada, o que torna plausível que alguns dos focos de incêndio tenham sido iniciados a partir do interior. Por exemplo, devido a acidentes com cocktails molotov que foram usados ​​por ambos os lados durante a luta. No entanto, pode-se ver também os nacionalistas pró-ucranianos a atirarem cocktails molotov, tornando-os, pelo menos parcialmente,  responsáveis pelo incêndio.

Há dúvidas quanto a se o núcleo de pró-russos que atacaram a manifestação com armas de fogo eram provocadores vindos de fora. Mas, com toda a certeza, havia pessoas na sede dos Sindicatos que não tinham nada a ver com o ataque. Numa série de fotos, pode-se ver a polícia a proteger o grupo de atacantes, mas foi muito passiva durante o incêndio e não interferiu nos incidentes. Mesmo que a polícia não tenha feito parte de qualquer conspiração, pelo menos agiu dum modo absolutamente não profissional.

Durante o fim-de-semana, as tropas do governo central e «federalistas» locais tinham travado uma verdadeira guerra na cidade de Kramatorsk no leste da Ucrânia. Isto significa que o que está acontecer na Ucrânia já pode ser considerado uma guerra civil. Nas próximas semanas isso vai-se tornar claro, tanto como se verá se ela se vai espalhar e se a Rússia vai interferir.

Eu considero-me um especialista no contexto russo, já que morei em Moscovo por mais de 12 anos, mas isso não quer dizer que seja um especialista na Ucrânia. Visitei o país apenas três vezes nos últimos anos e tenho lá pouco mais de 20 amigos. Ainda assim, quando me inteirei da situação na Ucrânia , rapidamente compreendi que a guerra civil poderia ser um cenário possível. Todos os meus amigos ucranianos, no entanto, estavam absolutamente seguros de que nada disso iria acontecer. Que, mesmo com todas as diferenças entre as regiões do Leste e do Oeste da Ucrânia, ninguém estava preparado para matar em nome dessas diferenças. Estavam convencidos de que a Ucrânia nunca se poderia tornar numa outra Jugoslávia. Todos eles, falassem russo ou ucraniano, tinham conhecidos, amigos e entes queridos em ambos os lados do rio Dnieper. Mas se alguém levar em linha de conta apenas os seus próprios amigos pode cair na armadilha da dimensão da amostra, ignorando os mecanismos que criam ódio em larga escala.

A guerra não requer que exista ódio pessoal entre as pessoas, as razões geopolíticas e económicas são suficientemente boas para isso. E na Ucrânia os interesses geopolíticos são muito maiores do que na Jugoslávia. Se alguém estiver interessado em fazer deflagrar o ódio étnico ou a guerra, pode ser suficiente uma pequena divisão étnica. Alguns abusos, assassinatos e sequestros e todos estarão prontos para a batalha. Isto aconteceu agora na Ucrânia, tal como aconteceu em muitos outros lugares.

Actualmente a “esquerda” ocidental parece ignorar bastante o que ali está a ocorrer. Isto acontece porque o termo “esquerda”, em termos gerais, não é um conceito muito útil na antiga União Soviética, uma vez que pode significar qualquer coisa desde social-democratas a anarquistas ou estalinistas que apoiam Putin. Pessoalmente, prefiro escrever sempre a palavra entre aspas. Eu identifico-me com os anarquistas, não com a “esquerda”, já que, desde há algum tempo os anarquistas foram a única força política na Rússia que juntou a oposição ao racismo, ao sexismo e à homofobia a uma ética de igualdade social. Até muito recentemente, não havia quase nenhuma “nova esquerda” de tipo ocidental na Rússia, com a excepção de um punhado de trotskistas.

A divisão dentro da “esquerda” na Ucrânia é completamente previsível e até mesmo necessária. Em Kharkiv nos combates de rua a organização estalinista “Borotba” (que significa Luta) esteve no lado oposto ao dos anarquistas. Nesta região da antiga União Soviética, 99,9 % da «esquerda» apoia sempre o imperialismo por uma questão de «estar com as pessoas». Já é tempo dos anarquistas recusarem o rótulo de “esquerda”. Nós não temos nada em comum com essas pessoas.

Mas também os anarquistas podem ser facilmente manipulados com chavões como «auto-organização» e «democracia directa» Por exemplo, Boris Kagarlitsky , um intelectual russo amplamente conhecido entre a “esquerda” ocidental e um convidado frequente de fóruns sociais mundiais, encontrou no Ocidente um terreno favorável usando esses chavões .

Aparentemente, os anarquistas ucranianos e russos não podiam prever os acontecimentos que levaram à guerra civil. Maidan só tinha sido discutida sob o ponto de vista de que poderia oferecer algo melhor do que o regime de Yanukovich . Não se esperava que a Rússia reagisse a uma vitória do movimento de Maidan com uma escalada consciente do conflito, e que eventualmente pudesse levar a uma guerra civil.

Ainda que se considere que a Rússia é a maior máquina de propaganda e de fornecimento de armas para este conflito, os países ocidentais não estão a fazer muito melhor, uma vez que apenas reconhecem os interesses do novo governo em Kiev e apresentaram o movimento no leste da Ucrânia como meros fantoches da Rússia. O braço armado dos «federalistas» é, definitivamente, um fantoche do Kremlin , mas se não fosse o descontentamento generalizado e os protestos contra o novo regime em Kiev este braço armado não teria surgido.

Eu não acredito que uma guerra civil fosse o objectivo do Kremlin. Primeiro do que tudo, a Rússia queria destabilizar a Ucrânia ao máximo para Kiev desistir de qualquer tentativa de retomar o controlo sobre a Crimeia. Agora a situação está fora de controlo do Kremlin, que pode ter de enviar tropas regulares para a Ucrânia de modo a cumprir a promessa de apoio que tem dado aos «federalistas».

O governo de Kiev fez tantos «ultimatos finais», que foram rapidamente esquecidos, e anunciou tantas «operações anti-terroristas» inexistentes que fica claro que tem muito poucas tropas prontas a combater. Algumas vezes, as tropas do governo central têm realmente agido e os resultados têm sido tragicómicos. Deste modo, o governo não sabe se teria sucesso numa guerra civil em grande escala. No entanto, também sabe que a guerra pode ajudar a disciplinar a sociedade e a estabilizar a nova ordem, já que algumas promessas feitas aos activistas de Maidan seriam esquecidas. Com o tempo, os dois lados começaram a pensar que uma guerra em grande escala poderia ser necessária para os seus interesses, mesmo que isso não tenha sido necessariamente planeado desde o início.

Os desentendimentos dentro do movimento anarquista

Durante o curso dos acontecimentos, os movimentos anarquistas ucranianos e russos dividiram-se em três posições diferentes. Um primeiro grupo concentrou-se na produção de textos na internet contra ambos os lados do conflito. Para eles, é uma questão de princípio manterem-se fora de todos os processos sociais, que só pretendem monitorizar e avaliar. A participação no protesto social não é um objectivo para eles, uma vez que preferem manter as mãos limpas. Uma vez que qualquer processo tem contributos quer de liberais, quer de repugnantes e odiados nacionalistas, quer de estalinistas terríveis, de todos os três ao mesmo tempo ou de outros indesejáveis, nunca se pode participar plenamente em nada e a única alternativa é ficar em casa e publicar comunicados na internet sobre como tudo está indo de mal a pior . No entanto, na maioria das vezes essas declarações são apenas auto-evidências, banalidades.

Um segundo grupo era constituído sobretudo por aqueles que ficaram animados com os motins e a violência anti-policial em Kiev, sem levar em linha de conta quem estava a praticar esta violência e quais os seus interesses. Certos antifascistas levaram muito longe a defesa da «unidade nacional » em Maidan , ameaçando particularmente os anarquistas de Kiev, devido à sua crítica da Maidan e a sua recusa em participarem. A maioria das pessoas neste grupo são apenas fãs da violência contra a polícia, sem qualquer contexto teórico, mas alguns querem dar de Maidan uma imagem anti-autoritária, comparando a assembleia geral de Maidan («Veche ») com os conselhos revolucionários estabelecidos durante as revoluções do século 20. Eles fundamentam essa afirmação com as exigências sociais ocasionalmente feitas em Maidan, mas essas exigências eram sempre feitas à margem da agenda de Maidan .

Uma dessas exigências laterais foi a proposta de que os oligarcas deveriam pagar um décimo dos seus lucros em impostos e estiveram na generalidade em sintonia com o populismo nacionalista. No entanto, as propostas da Maidan em Kiev estiveram longe de obrigar os oligarcas a devolverem os bilhões roubados à sociedade. Em Vinnytsa e Zhitomir , houve uma tentativa de expropriar as fábricas em empresas de capital  alemão, mas este foi o único caso, com que estou familiarizado, que vai além do contexto nacional -liberal.

Em qualquer caso, o principal problema em Maidan não foi a falta de uma agenda social e de democracia directa, mas o facto de que as pessoas nem sequer procuravam isso. Mesmo que todos continuem a repetir que não queriam outra «revolução laranja» , como em 2004, nem que Yulia Timoshenko regressasse , quem lidera as sondagens é o industrial do chocolate Poroshenko e Vitaly Klitchko. Esta é a escolha feita pelo povo que se cansou do caminho revolucionário proposto pelos nacionalistas radicais do “Sector de Direita”. A partir de agora, as pessoas querem voltar à «vida como de costume», à vida antes de Yanukovich e não estão dispostos a fazerem os sacrifícios que novos desenvolvimentos revolucionários exigiriam . A democracia representativa é, de facto, como uma hidra, se lhe cortar uma cabeça, duas outras vão nascer no seu lugar.

No entanto, nenhum dos medos da «tomada fascista» se materializou. Os fascistas ganharam muito pouco poder real e na Ucrânia o seu papel histórico será agora o de tropas de choque para as reformas liberais exigidas pelo FMI e pela União Europeia – isto é, cortes nas pensões, o aumento até cinco vezes dos preços do gás de consumo e outros. O fascismo na Ucrânia tem uma tradição forte, mas nesta onda revolucionária tem sido incapaz de manter a sua própria agenda. É altamente provável que o partido Svoboda se veja completamente desacreditado frente aos seus eleitores.

Mas qualquer tentativa de intervenção, incluindo a dos anarquistas, poderia ter tido o mesmo destino – isto é, ser posto à margem depois de todo o esforço. Durante os protestos, os anarquistas e a «esquerda» olhavam para a influência do “Sector de Direita” com alguma inveja, mas, no final, toda essa visibilidade e notoriedade, para a qual eles pagaram caro, não foi suficiente para ajudar o “Sector de Direita” a alcançar qualquer influência real.

Se os anarquistas de Kiev tivessem escolhido a posição de «observadores neutros», depois de Yanukovich ter mandado disparar contra os manifestantes, isso tê-los-ia desacreditado completamente. Depois dos disparos, se a classe operária, ou, mais exactamente «o povo», isto é, a classe operária juntamente com os estratos mais baixos da burguesia, não tivesse conseguido derrubar Yanukovich , a sociedade ucraniana cairia  num sono letárgico, tal como as sociedades russa e bielorrussa estão a experimentar . Obviamente, após o massacre não havia qualquer possibilidade de escolha, excepto derrubar o poder, não importando o que viria em seu lugar. Os anarquistas de Kiev não estavam em posição de influenciar significativamente a situação, mas ficarem de lado já não era uma opção.

E, assim, chegamos à terceira posição, «centrista», tomada pelos anarquistas – entre a o activismo desmiolado e as declarações de «neutralidade» na Internet. O campo dos anarquistas mais realistas percebeu que, mesmo que os protestos de Maidan praticamente não dispusessem de um programa positivo e significativo, algo tinha que ser feito ou o futuro seria terrível.

Os limites de intervenção

Em Kiev, os anarquistas participaram numa série de iniciativas importantes durante a onda revolucionária – em primeiro lugar a ocupação do ministério da educação e o ataque contra o escritório de imigração pelo grupo “Não às Fronteiras” local, que estava a procurar provas de cooperação ilegal com serviços de segurança estrangeiros. Mas a intervenção anarquista mais bem sucedida foi em Kharkiv, onde o movimento Maidan foi relativamente fraco, mas também mais livre da influência nacionalista.

Ainda assim, um tal “centrismo” tem os seus próprios problemas. Por um lado, pode-se sempre, de forma involuntária, ajudar as forças erradas a tomarem o poder, desacreditando também os protestos radicais. Um segundo problema é que se pode acabar por travar uma luta que não é a sua própria luta. Quando as milícias antiMaidan atacaram o Maidan na cidade de Kharkiv o seu inimigo imaginado não foram os anarquistas, mas os fascistas da NATO, da UE ou da Ucrânia ocidental. Uma vez que os anarquistas tinham aderido ao Maidan, teria sido cobarde desertarem quando começaram os confrontos. Por isso, os anarquistas acabaram por lutar lado a lado com os liberais e com os fascistas. Não pretendo criticar os anarquistas de Kharkiv, afinal eles fizeram, talvez, a mais séria tentativa entre os anarquistas da Ucrânia para influenciar o curso dos acontecimentos, mas este não foi nem o combate, nem os aliados que eles pretendiam.

E assim chegámos ao momento em que a deserção se torna imperativa, que é quando começa a guerra civil. A partir de agora, ainda sendo muito cedo para fazer qualquer avaliação final das tentativas anarquistas para influenciar Maidan, fica claro que após o início da guerra civil Maidan deixará de desempenhar qualquer papel. De agora em diante, o poder de decisão irá gradualmente voltar para o exército, e as espingardas de assalto irão substituir os cocktails molotov. A disciplina militar substituirá a organização espontânea.

Alguns defensores da organização ucraniana Borotba (significando Luta) e da Frente de Esquerda russa afirmam que estão as tentar fazer as mesmas coisas que os anarquistas fizeram em Maidan , isto é, o protesto directo para reivindicações sociais . Mas o movimento antiMaidan não tem estruturas de democracia directa, nem sequer distorcidas. O movimento rapidamente adoptou o modelo das organizações militaristas hierárquicas. A liderança antiMaidan consiste em ex-polícias e oficiais na reserva. Não tentam ter influência através das massas, mas através do poder militar e das armas. Isso faz sentido considerando que, de acordo com um recente estudo de opinião, mesmo na mais pró-«federalista» área de Lugansk, apenas 24 % da população é a favor da tomada do poder através das armas. Ou seja, antiMaidan não pode contar com uma vitória com manifestações de massas.

Considerando que, na sua essência, Maidan era um protesto da classe média liberal e nacionalista, apoiado por parte da burguesia, antiMaidan é puramente de tendência contra-revolucionário. Claro que o antiMaidan tem os seus próprios fundamentos. Pode-se tentar intervir, mas uma intervenção conjunta significaria apoiar uma abordagem soviética, imperialista. O Partido Comunista da Federação Russa, Borotba, a Frente de Esquerda Russa e Boris Kagarlitsky juntaram-se a este campo chauvinista soviético. Intervir na Maidan fazia sentido apenas enquanto o inimigo eram as forças policiais do Berkut e bandidos pagos. Quando os adversários são os activistas enganados do antiMaidan já não faz sentido lutar nas ruas.

Ao olhar para ambos os lados do conflito pode-se ver uma tendência perigosa, que todos os anarquistas e anti- autoritários terão que enfrentar no futuro: a recuperação da retórica e da terminologia anti-autoritárias por parte das ideologias hierárquicas . De um lado, «nacionalistas autónomos» que encontraram simpatia entre muitos anarquistas e, de outro , intelectuais como Boris Kagarlitsky. Ambos caracterizam as suas facções com atributos como «democracia directa» e «auto-organização». Na realidade, essas características ou são apresentadas de forma distorcida ou nem sequer existem. Quando dois tipos diferentes de nacionalismo se definem como «auto-organização», a fim de se mutilarem e assassinarem uns aos outros, não há nada para comemorar. Após os acontecimentos na Ucrânia, fica claro que os anarquistas têm que explicar, para o mundo inteiro, a diferença essencial entre «auto-organização» e auto-organização.

De acordo com o estudo de opinião acima referenciado, no leste da Ucrânia como um todo, apenas 12% da população apoia as acções armadas «federalistas», enquanto que o governo de Kiev é apoiada por cerca de 30%. Os 58% restantes não apoiam nenhum dos dois e em condições de guerra civil esta é a maioria com que devemos contar . Devemos encorajar a deserção e evitar confrontos. Noutras condições, e se os anarquistas tivessem mais influência, poderíamos formar unidades independentes contra as duas facções em guerra.

Civis desarmados pararam banhos de sangue em vários lugares, movendo-se entre as tropas como escudos humanos. Se não houvesse este tipo de desobediência civil, uma guerra em grande escala já há muito tempo que teria sido começada. Devemos apoiar este movimento e tentar dirigi-lo, em simultâneo, contra os «federalistas » e contra as tropas do governo.

Se a Rússia reagir ou ocupar partes do leste da Ucrânia ou no resto do país, podemos tomar o exemplo dos partisans anarquistas na época da II Guerra Mundial, na França e em Itália. Em tais condições, o inimigo principal é o exército de ocupação, uma vez que irá muito rapidamente afrontar toda a população. Mas também é necessário manter a distância máxima em relação aos elementos nacionalistas da resistência, do mesmo modo que qualquer aliança com eles impediria os anarquistas de realizarem o seu próprio programa no âmbito da resistência.

Os acontecimentos de Odessa são uma tragédia, e é possível que, entre aqueles que morreram na União dos Sindicatos também estivessem pessoas que não tiveram qualquer papel no deflagrar da violência. As pessoas que atiraram os cocktails molotov para a casa deviam ter percebido as consequências. Mesmo que o deflagrar do incêndio não se tenha dado só devido a eles, não foi por falta de o terem tentado.

No caso da guerra civil alastrar, essas mortes são apenas o começo. Não há dúvida de que, em ambos os lados, a maioria só quer uma vida melhor para os seus entes próximos e para a sua terra natal e muitos odeiam, de igual modo, os governos e os oligarcas. Quanto mais pessoas inocentes morrerem maior será a pressão para apoiar uma das facções em guerra, e devemos lutar contra esta pressão.

Considerando que, ocasionalmente, pode valer a pena ter de respirar gás lacrimogéneo ou sentir o cassetete numa revolução burguesa, não faz qualquer sentido morrer numa guerra civil em que nos dois lados estão facções igualmente burguesas e nacionalistas. Não seria outra Maidan, mas algo completamente diferente. Nenhum sangue, anarquista ou não, deve ser derramado devido a essa estupidez. (tradução P. Anarquista)

7/5/2014

(*)http://anttirautiainen.livejournal.com/profile

aqui: http://avtonom.org/en/author_columns/anarchism-context-civil-war

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