(Textos) Dois socialismos, por Ernest Lesigne


anarquismo-no-mundo-10

“Há dois Socialismos.
Um é comunista, o outro é solidário.
Um é ditatorial, o outro libertário.
Um metafísico, o outro positivo.
Um é dogmático, o outro científico.
Um é emocional, o outro reflexivo.
Um é destrutivo, o outro construtivo.
Ambos são pelo máximo bem-estar possível para todos.
Um procura estabelecer a felicidade para todos. O outro procura ser capaz de fazer feliz cada um à sua maneira.
O primeiro considera o Estado como uma sociedade sui generis, de uma essência especial,
o produto de uma espécie de direito divino à parte e por cima de toda a sociedade
com direitos especiais e com direito a uma obediência especial;
o segundo considera o Estado como uma associação como qualquer outra, geralmente pior conduzida do que as outras.
O primeiro proclama a soberania do Estado, o segundo não reconhece qualquer espécie de soberania.
Um ambiciona todos os monopólios controlados pelo Estado;
o outro deseja a abolição de todos os monopólios.
Um deseja que a classe governada se converta em classe governante;
o outro deseja a desaparição de todas as classes.
Ambos declaram que o estado de coisas actual não pode perdurar.
O primeiro considera as revoluções como os agentes indispensáveis da evolução;
o segundo mostra que a repressão por si só converte as evoluções em revoluções.
O primeiro tem fé num cataclismo.
O segundo sabe que o progresso social é o resultado do livre jogo dos esforços individuais.
Ambos compreendem que estamos a entrar numa nova fase histórica.
Um deseja que não haja senão proletários.
O outro deseja que não haja mais proletários.
O primeiro deseja tomar tudo para todos.
O outro deseja que cada qual tenha o que lhe pertence.
O primeiro deseja que todos sejam expropriados.
O outro deseja que todos sejam proprietários.
O primeiro diz: “Faz como o governo quer”.
O segundo diz: “Faz como achares melhor”.
O primeiro ameaça com o despotismo.
O outro promete liberdade.
O primeiro faz de cada cidadão um súbdito do Estado;
o segundo faz do Estado um empregado do cidadão.
Um proclama que o sofrimento dos trabalhadores é necessário para que nasça um mundo novo.
O outro declara que o progresso real não causará sofrimento a ninguém.
O primeiro tem confiança na guerra social.
O outro acredita nas obras da paz.
Um aspira a comandar, regular, legislar.
O outro deseja que exista um mínimo de comando, regulação, legislação.
Um será seguido pela mais atroz das reacções.
O outro abre horizontes ilimitados de progresso.
O primeiro fracassará, o outro triunfará.
Ambos desejam igualdade.
Um fazendo baixar as cabeças que sobressaiam muito alto.
O outro elevando as cabeças que estejam muito em baixo.
Um procura a igualdade sob um jugo comum.
O outro assegurará a igualdade em completa liberdade.
Um é intolerante, o outro tolerante.
Um assusta, o outro reconforta.
Um deseja dar instruções a todos.
O segundo deseja que cada um se instrua a si próprio.
O primeiro deseja sustentar todos.
O segundo deseja que cada qual seja capaz de sustentar-se a si próprio.
Um diz:
A terra para o Estado.
A mina para o Estado.
A ferramenta para o Estado.
A produção para o Estado.
O outro diz:
A terra para o agricultor.
A mina para o mineiro.
A ferramenta para o trabalhador.
A produção para o produtor.
Há só esses dois Socialismos.
Um é a infância do Socialismo; o outro a sua maturidade.
Um já é passado; o outro é o futuro.
Um dará lugar ao outro.
Hoje cada um de nós deve escolher um ou outro desses dois Socialismos, ou confessar que não é Socialista”.

Ernest Lesigne (publicado no “Le Radical”)

Aqui: http://drapeaunoir.blogspot.pt/

Também aqui (vesrão brasileira): http://aesquerdalibertaria.blogspot.pt/2013/07/socialismo-de-estado-e-anarquismo-ate.html#.U38U3PldVlw

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