(Barcelona) O despejo de Can Vies incendeia Sants e o protesto salta para outros bairros e cidades


manif

Crónica da noite de terça-feira, dia 27, na qual os vizinhos do bairro de Sants manifestaram-se pelo segundo dia consecutivo para mostrarem o seu repúdio pelo despejo e posterior derrube do Centro Social Autogestionado de Can Vies

A primavera incendiou-se em Sants. A chispa de Can Vies incendiou o bairro esta terça-feira pela noite e saltou para outros bairros de Barcelona. A tentativa do governo de Xavier Trias de derrubar a casa que alojou durante 17 anos o Centro Social Autogestionado (CSA) fez levantar a raiva nas ruas e as caçaroladas solidárias da vizinhança desde as varandas. Tudo começou quando, durante o segundo dia de manifestações em repúdio pelo despejo, os manifestantes pegaram fogo à grua que tinha começado a destruir o edifício da CSA. E terminaram de madrugada, depois de acabarem por se estender a outros bairros de Barcelona, principalmente a Gràcia. Para amanhã (esta quarta-feira) estão convocados mais protestos noutros bairros da cidade e em diferentes municípios da Catalunha.

A grua ardeu durante quase quatro horas

grua

O fogo nos bairros durou o mesmo que durou o fogo que consumiu a grua que, esta terça-feira, começou a destruir o CSA. O manifestantes incendiaram-na por volta das nove e meia, e a máquina ardeu durante quase quatro horas, até de madrugada, sem que ninguém a apagasse.

Pegaram-lhe fogo, ante um milhar de pessoas que aplaudiam e sem demasiadas dificuldades, depois dos Mossos (policia autonómica) tentarem dispersar o protesto contra o depejo do CSA de Can Vies, que começou às oito da tarde. Os manifestantes dirigiram-se para a sede do distrito, no Carrer de Sants, mas ao encontrarem esta rua blindada dirigiram-se a Can Vies. A Guarda Urbana e os Mossos tentaram dispersá-los com cargas policiais que fizeram que, pelo menos, duas pessoas fossem assistidas no Hospital Clínico: um homem de 68 anos com três dedos partidos e um jovem a quem um agente rasgou uma orelha com uma bastonada enquanto segurava a bicicleta.

agressão

Petardos nas ruas e caçaroladas nas varandas

Começaram então os cenários que se repetiram até depois da meia noite. Petardos, gritos e barricadas tentando impedir a passagem da policia que disparava balas de foam (espuma). Tudo isto na rua. E nas varandas numerosos vizinhos e vizinhas observavam tudo activamente. Frequentemente os petardos sobre o asfalto iam acompanhados do ruido das panelas, às vezes ensurdecedor, com que grande parte da vizinhança expressava o seu apoio.

Uma vez incendiada a grua, os manifestantes concentraram-se na praça de Sants e desde este epicentro o protesto estendeu-se ao longo da rua homónima, até Badal, e pelas ruas adjacentes. Às vidraças de agências bancárias partidas ou pintadas juntaram-se imagens como a de uma dezena de jovens encurralados e cercados por agentes antidistúrbios dos Mossos, no número 10 da praça de Sants. Quando os conseguiram juntar na entrada, os Mossos golpearam todas as pessoas que estavam no seu interior. À frente, o subinspector dos Mossos, Jordi Arasa. Um dos rapazes sofreu uma ferida na cabeça, outro uma ferida numa orelha e um terceiro sofreu uma forte contusão na mão.

Entretanto, a chama estendia-se a outros bairros barceloneses e a algumas cidades da Catalunha. Especialmente à Vila de Gràcia, onde vários activistas começaram a reunir-se a partir das onze da noite e se dirigiram à sede da Convergência Democrática da Catalunha (CDC), blindada pela polícia. Ali fizeram pinchagens e atiraram algumas pedras contra o edifício, embargado devido à investigação sobre alegado financiamento irregular através do Palácio da Música que salpica esta formação.

Por outro lado, houve também uma concentração em Premià de Mar e mostras de solidariedade com Sants em San Martí – onde foi apedrejada a sede de distrito – e em Clot. Alguns activistas de Poble Sec cortaram a rua Paralel durante alguns momentos, em Lleida apareceram também pinchagens na sede da CDC.

Seis detidos no final dos protestos

O protesto ameaçava extravasar e ante esta eventualidade os Mossos mudaram para a capital catalã efectivos das Àreas  Regionais de Recursos Operativos (ARRO) das Terras do Ebro e de Poniente. Dois helicópteros sobrevoaram Barcelona até às duas e meia da madrugada.

Finalmente, os protestos finalizaram à uma e meia. Os Mossos informaram que houve seis detidos, num balanço provisório. Para esta quarta-feira estão convocados mais protestos em mais bairros e cidades, tais como Nuevo Barrios, Tarragona, Lleida, Girona, Manresa, l’Hospitalet de Llobregat, Mataró, Terrassa, Rubí, o Valencia, entre outros. A primavera estende-se

Artigo originalmente publicado no semanário La Directa

Traduzido daqui.

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