Mikhail Alexandrovich Bakunin, duzentos anos de anarquia


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Assinalam-se hoje os 200 anos do nascimento de Mikhail Bakunin. Um revolucionário, um pensador e um activista que tinha a emancipação do proletariado como o seu principal objectivo.

Julián Vadillo (*)

A 18 de Maio de 1814 (30 de Maio segundo o calendário ocidental) nasceu em Premukhino, Mikhail Alexandrovich Bakunin. Filho de um diplomata muito próximo da corte do czar, Bakunin  teve formação militar e académica. Mas, apesar disso, muito cedo começou a formar uma personalidade a que não agradava o sistema estabelecido. Bakunin começou a tomar contacto com personagens como Herzen e Ogarev, bebeu da tradição revolucionária russa representada pelas rebeliões cossacas de Stenka Razin no século XVII e Y/emelian Pugachov no século XVIII, aproximou-se do significado da luta dos dezembristas russos em 1825 como reflexo das revoluções de 1820 na Europa ocidental.

Mas foram as suas viagens à Europa ocidental que fizeram por formar o revolucionário Bakunin. Aqui conheceu de perto a filosofia de Hegel, de Kant, de Feuerbach. Fez amizade com o poeta George Herwegh. Em Paris, Bakunin conheceu Marx, Engels e Proudhon. Bakunin ficou fascinado por estas figuras ainda que fosse crítico delas em muitos aspectos. Considerou Marx como um vaidoso, A Engels como um mestre na calúnia e acusou Proudhon de excessivo idealismo. Ainda assim, Bakunin admirava-os a todos.

Em 1848, no calor das revoluções democráticas que se estendiam pro toda a Europa, Bakunin participou em Maio de 1849 na rebelião popular de Dresde. Com ele participaram revolucionários como Huebner ou o músico Richard Wagner. Ainda que a rebelião tenha sido esmagada, o próprio Marx reconheceu, em 1852, na sua carta “Revolução e contra-revolução na Alemanha”, a importância de Bakunin neste acontecimento.

Bakuni foi preso e penou por várias prisões, inluindo a sua extradição para a Rússia e a sua reclusão na terrível fortaleza de Pedro e Paulo. Apesar das torturas e das supostas confissões tiradas com elas, Bakuinin foi deportado para a Sibéria, de onde conseguiu evadir-se em 1861 graças à colaboração do governador da zona, Muraviev, parente distante do revolucionário russo. Passou brevemente pelo Japão, Panamá e Nova Iorque, chegando novamente a Londres.

Na capital inglesa Bakunin voltou a entrar em contacto com Herzen e o grupo que se movia à volta do jornal Kolokol. Mas Bakunin tinha avançado muito na sua forma de pensar e as tendências de Herzen e Ogarev ficavam-lhe estreitas. Funda, por isso, uma organização internacional a que dá o nome de Aliança dos Socialistas Revolucionários, que logo se chamará Aliança da Democracia Socialista, tendo membros na Suécia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Inglaterra, França. Espanha e Itália.

Bakunin não só contribui com o seu trabalho para a criação de movimentos e associações revolucionárias na Europa ocidental, como as suas teorias também chegam ao coração da própria Rússia onde contribui para a expansão de círculos revolucionários contra o cazarismo.

Pouco depois Bakunin entra também para a Associação Internacional dos Trabalhadores. O debate que se gerou no seio da AIT levou à sua ruptura. Por um lado, Marx considerava que o modo de organização da Internacional tinha que ser centralista e onde o Conselho Geral tivesse capacidade decisória. Bakunin, mas também os seguidores de Proudhon, consideravam que a AIT devia ter uma estrutura federal, em que as secções marcassem o futuro da organização e o Conselho Geral fosse um órgão meramente executivo. Esta diversidade de opiniões levou à ruptura da Internacional.

Ainda assim as ideias que se espalhavam pelas Europa geraram movimentos como a Comuna de Paris em março de 1871. No movimento revolucionário que se gerou em Lyon um pouco antes, em Setembro de 1870, Bakunin teve uma participação activa. Constituído um Comité para a Salvação da França, imersa na guerra contra a Prússia,  Bakunin e outros tomaram a Câmara Municipal de Lyon. Com ele estavam personagens como Ozerov, Blanc ou Bastelica. O fracasso da revolução fê-lo fugir para Marselha e sair posteriormente de França, estabelecendo-se em Locarno junto do seu amigo Carlos Cafiero, em La Baronta.

A ruptura da Internacional, a desilusão que o levou a romper relações com um personagem como Netchaiev, marcaram a última etapa da vida de Bakunin. Apesar disso continuou a escrever livros em que desenvolveu os seus conceitos de patriotismo, anarquismo, participação dos trabalhadores nas lutas operárias, antiteologismo e ateísmo, nacionalismo, etc.. Começou inclusivamente tradução de “O Capital” para russo.

A 1 de Julho de 1876 falecia em Berna Mikhail Bakunin, um dos grandes revolucionários do movimento operário, revolucionário e anarquista dos anos vindouros. A sua morte foi sentida por todas as escolas do socialismo, ainda que a unidade do proletariado, pedida ao pé da sua campa pelos que participaram no funeral, nunca se tenha chegado a alcançar.

(*) Publicado no jornal CNT, de Maio de 2014.

aqui: http://www.cnt.es/sites/default/files/Peri%C3%B3dico%20CNT%20411%20-%20Mayo%202014.pdf

relacionado: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/01/21/2014-ano-do-nascimento-de-bakunin/

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