Dia: Junho 13, 2014

Da simbologia lusa como uma das Belas Artes…


Cavaco-Silva
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Não assisti, nem em directo nem pela televisão, nem pela rádio e só hoje pelos jornais (por um jornal que me foi gentilmente oferecido) aos sucessos e insucessos do Dia de Portugal e das, creio eu se acaso digo bem, Comunidades & etcetera.
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Não por desinteresse e, muito menos, por desprezo ou desconfiança para com a nobilíssima data, mas porque muito chãmente estive fora, na saborosa Espanha, a falar a meia-dúzia de convivas sobre voltas e revoltas de “Alguns impressionistas e pós-impressionistas” (textote com que em breve, no salutar TRIPLOV, conto posicionar-me ante a vossa nunca desmentida paciência para com o meco).

E, tendo voltado ontem pela tardinha ao meu poiso portalegrense, para além do aludido jornal de que aliás transcreverei um artigo que proponho a seguir à vossa leitura – uma vez que o acho notável de engenho e verve – tinha no aparelhómetro correspondência de vários amigos da corda: Floriano Martins e a sua especificidade bem cearense, Lionel Crabowe que aos 87 anos afivela o fresco perfil de um rapaz de 45, o grande poeta C.Ronald e a sua fraternal postura e, the last but not the least (como usa dizer um formidando crítico luso) o meu compadre Manuel Caldeira que com frequência e vivacidade é por vezes quem lá de fora me alerta a atenção para factos e coscuvilhices cá de dentro.

A certa altura dizia-me, a secas, “E então aquilo do Cavaco?”. O que me deixou digamos que a zero – pois além das costumeiras…inabilidades do nosso mais alentado magistrado da nação, não me havia tocado as orelhas nada de especial sobre o digníssimo cavalheiro de alta estirpe.

E foi só hoje, ao catrapiscar o tal jornal que me ofereceram, que soube – com natural consternação e ligeiro estremecimento, ainda que póstumos – que Sua Excelencia havia tido em directo um delíquio, vulgo desmaio ou xilique, quando se encontrava frente às câmaras discursando nobremente. como é seu apanágio, a propósito da honrosa data.

E o texto que agora vos transcrevo, na íntegra pois não é muito longo (mas é bem apaladado!) é do publicista Francisco J. Gonçalves, editor de Mundo do referido diário matutino a quem se endossa a devida vénia:

>“MELHOR QUE FALECER –  O Presidente da República portuguesa caíu em direto durante as celebrações do Dia de Portugal. Desfalecer é, por certo, melhor que falecer, mas o que a queda põe em destaque não é a fragilidade de Cavaco Silva; é a sua imensa capacidade de ler simbologias. Sabedor do que ele mesmo fez pelo País, quis dar-nos, com esta encenação física, um símbolo poderoso da situação de Portugal neste tão desalentado início do segundo decénio do novo século. Os antigos mares portugueses e a sua conquista, que tanto orgulho ainda nos suscitam – como se a nobreza dos avós, embora discutível, pudesse desculpar a falta de raça dos netos – servem de pouco para compensar e dar alívio à miséria de valores em que vivemos. Estamos em queda acentuada e imparável, e por isso mesmo, neste dia 10 de junho, no qual celebramos mais o passado do que o presente sombrio que nos coube em sorte, o desfalecimento presidencial significa a queda de toda uma nação no buraco negro da mediocridade dos coelhos, cavacos e sampaios, dos sócrates, guterres e barrosos que nos têm servido de comandantes e que tão eficazmente souberam conduzir o navio português a sucessivos portos de saque.”  – in Correio da Manhã, secção Dia a Dia.

Recebam o proverbial abraço firme do vosso

ns (via email)

(14 de Junho) “O projeto libertário no século XXI: A perspetiva de Carlos Taíbo”, na Universidade de Évora


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Amanhã, dia 14 de Junho, o II COLÓQUIO DE TEORIA JURÍDICO-POLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS, a realizar na Universidade de Évora (sala 131), inclui uma comunicação sobre o pensamento do investigador e académico libertário contemporâneo Carlos Taíbo, bem como comunicações sobre dois outros autores que se inscrevem, de alguma forma, na linha do pensamento anti-autoritário e anti-estatal: o alemão Ulrich Beck e o canadiano Charles Taylor.

Assim, segundo o programa, na segunda parte da manhã, será este o desenrolar das actividades previstas no painel entre as 11.30h-13.00h com moderação de Marco António Martins (UE/NICPRI/Diretor LRI):

João Tavares Roberto (estudante do DTJPRI/NICPRI/UE)
Título: “O projeto libertário no século XXI: A perspetiva de Carlos Taibo”

Resumo: Neste trabalho pretendemos abordar os eixos fundamentais que sustentam a visão anarquista e libertária proposta por Carlos Taibo. O autor espanhol, nosso contemporâneo, é professor de Ciência Política na Universidade Autónoma de Madrid e  as suas posições permanentes ao serviço da construção de uma abordagem alternativa,  distante do modelo vigente, suscitam o nosso interesse académico. Conceitos que  parecem hoje fazer parte de um passado quase inverossímil são chamados a terreiro pelo  autor e defendidos como elementos basilares de um novo imaginário libertador, face a  um capitalismo em fase de corrosão terminal. Numa luta de classes agora desencadeada pelos de cima, termos e expressões associadas ao léxico anarquista, como a autogestão, a  democracia direta e a autonomia encontram no decrescimento uma plataforma onde lhes é possível desenvolver o seu potencial libertário ao serviço do Homem e de sociedades  mais justas.

José Vilema (estudante do DTJPRI/NICPRI/UE)
Título: “A Europa ameaçada e a crise do “político”. Argumentos a propósito do pensamento de Ulrich Beck”

Resumo: A disseminação criada à escala global em função dos riscos políticos, sociais, económicos, financeiros e geográficos, abalaram a arquitetura, anteriormente concebida, que é a União Europeia. As mudanças nos equilíbrios de poder que a crise dos mercados impôs e o mais recente mapa político que dela resultou, e a marcha a um cenário incerto e previsível catástrofe, servirão de ponto de análise à luz de três conceitos fundamentais,de U. Beck, a saber: A individualização; a modernização; e a subpolítica. Não obstante, com estes pressupostos, procuraremos não apresentar os resultados, ou seja, a  “catástrofe”, porém antecipá-la e mostrar as possíveis formas de conseguir um novo contrato social destinado a manter a grande casa europeia assente nas bases elementares como: condições de prosperidade, igualdade, partilha, e democracia. Em suma, tende-se a  uma “Europa nova”, forte, tendencialmente una, uma Europa dos cidadãos.

Paulo Fontes (estudante do DTJPRI/UE)
Título: “Um novo olhar sobre a Ética da Autenticidade de Charles Taylor”

Resumo:  O presente artigo assenta em duas convicções fundamentais: por um lado, considera-se a Ética da Autenticidade como uma obra síntese da teoria política de Charles Taylor, por outro, assume-se o reconhecimento como conceito central desse pensamento. O autor, preocupado em compreender e solucionar o problema da singularidade das identidades e da diversidade da sua coexistência dentro de uma mesma organização social, assume a concepção do enraizamento ontológico do indivíduo na comunidade, que o precede, e confere a necessária primazia à sua capacidade dialógica na formação de si próprio com os outros. Taylor, de forma a sustentar a sua crítica, elege o conceito de autenticidade, empreendendo a tarefa de resgatá-lo do atomismo valorativo das sociedades desenvolvidas e de critérios subjetivistas e relativistas. A partir daí, o nosso trabalho pretende explorar e problematizar as consequências jurídicas e políticas do seu pensamento, a fim de aprofundar a compreensão dos diversos conteúdos da modernidade.

ver programa completo: http://www.nicpri.uevora.pt/informacoes/eventos/(item)/13547

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