Da simbologia lusa como uma das Belas Artes…


Cavaco-Silva
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Não assisti, nem em directo nem pela televisão, nem pela rádio e só hoje pelos jornais (por um jornal que me foi gentilmente oferecido) aos sucessos e insucessos do Dia de Portugal e das, creio eu se acaso digo bem, Comunidades & etcetera.
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Não por desinteresse e, muito menos, por desprezo ou desconfiança para com a nobilíssima data, mas porque muito chãmente estive fora, na saborosa Espanha, a falar a meia-dúzia de convivas sobre voltas e revoltas de “Alguns impressionistas e pós-impressionistas” (textote com que em breve, no salutar TRIPLOV, conto posicionar-me ante a vossa nunca desmentida paciência para com o meco).

E, tendo voltado ontem pela tardinha ao meu poiso portalegrense, para além do aludido jornal de que aliás transcreverei um artigo que proponho a seguir à vossa leitura – uma vez que o acho notável de engenho e verve – tinha no aparelhómetro correspondência de vários amigos da corda: Floriano Martins e a sua especificidade bem cearense, Lionel Crabowe que aos 87 anos afivela o fresco perfil de um rapaz de 45, o grande poeta C.Ronald e a sua fraternal postura e, the last but not the least (como usa dizer um formidando crítico luso) o meu compadre Manuel Caldeira que com frequência e vivacidade é por vezes quem lá de fora me alerta a atenção para factos e coscuvilhices cá de dentro.

A certa altura dizia-me, a secas, “E então aquilo do Cavaco?”. O que me deixou digamos que a zero – pois além das costumeiras…inabilidades do nosso mais alentado magistrado da nação, não me havia tocado as orelhas nada de especial sobre o digníssimo cavalheiro de alta estirpe.

E foi só hoje, ao catrapiscar o tal jornal que me ofereceram, que soube – com natural consternação e ligeiro estremecimento, ainda que póstumos – que Sua Excelencia havia tido em directo um delíquio, vulgo desmaio ou xilique, quando se encontrava frente às câmaras discursando nobremente. como é seu apanágio, a propósito da honrosa data.

E o texto que agora vos transcrevo, na íntegra pois não é muito longo (mas é bem apaladado!) é do publicista Francisco J. Gonçalves, editor de Mundo do referido diário matutino a quem se endossa a devida vénia:

>“MELHOR QUE FALECER –  O Presidente da República portuguesa caíu em direto durante as celebrações do Dia de Portugal. Desfalecer é, por certo, melhor que falecer, mas o que a queda põe em destaque não é a fragilidade de Cavaco Silva; é a sua imensa capacidade de ler simbologias. Sabedor do que ele mesmo fez pelo País, quis dar-nos, com esta encenação física, um símbolo poderoso da situação de Portugal neste tão desalentado início do segundo decénio do novo século. Os antigos mares portugueses e a sua conquista, que tanto orgulho ainda nos suscitam – como se a nobreza dos avós, embora discutível, pudesse desculpar a falta de raça dos netos – servem de pouco para compensar e dar alívio à miséria de valores em que vivemos. Estamos em queda acentuada e imparável, e por isso mesmo, neste dia 10 de junho, no qual celebramos mais o passado do que o presente sombrio que nos coube em sorte, o desfalecimento presidencial significa a queda de toda uma nação no buraco negro da mediocridade dos coelhos, cavacos e sampaios, dos sócrates, guterres e barrosos que nos têm servido de comandantes e que tão eficazmente souberam conduzir o navio português a sucessivos portos de saque.”  – in Correio da Manhã, secção Dia a Dia.

Recebam o proverbial abraço firme do vosso

ns (via email)

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