Teatros municipais, teatros para todos


debate portofoto aqui

Realizou-se ontem no Porto, frente ao teatro Rivoli, um debate sobre “Teatros Municipais: Que serviço Público”. Participaram várias dezenas de pessoas e o Colectivo “CasaViva” vincou a sua posição libertária através de um comunicado em que defende a ocupação e a autogestão dos teatros municipais. Até que isso aconteça é preciso que seja garantido “o acesso aos espectáculos dos teatros municipais  por meio de um tarifário módico e único” e “a elaboração de uma carta de princípios gerais definindo os  objectivos dos teatros municipais e os seus compromissos como serviço público de cultura, devendo garantir impreterivelmente o princípio de não ter fins lucrativos, a liberdade artística, a variedade dos espectáculos, a diversidade artística e temática e a criação de instrumentos de retroacção popular”.

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COMUNICADO da CasaViva para o debate público: Teatros Municipais: Que serviço Público?

Com Artaud ficamos a saber que «O corpo é o corpo /está sozinho /e não precisa de órgãos/o corpo nunca é um organismo/os organismos são os inimigos do corpo» Com Foucault, ficamos a saber que o teatro é uma/heterotopia/. É um espaço de contestação. Com Boal, ficamos a saber que «todo o teatro é necessariamente político». Posto isto, e dado o sistema político em que vivemos, o melhor será «morrer, dormir, dormir: talvez sonhar.» (Shakespeare).

Assim, a Casa Viva não se revendo ideologicamente nas configurações de uma terra com um estado a puxar os cordões do teatro do seu mundo (Calderón de la Barca); a Casa Viva não pactuando com as maquinações  desonestas encobertas por um falso princípio de transparência; a Casa Viva não se enquadrando nos pacotes predefinidos que pretendem configurar a sociedade; a Casa Viva não se conformando aos dispositivos (Foucault/Agamben) que capturam, determinam e controlam os gestos, as posturas, as opiniões e os discursos, afirma que o devir do teatro é: um /corpo sem órgãos/, um espaço de liberdade, um espaço de resistências. Não temos dúvidas de que o devir dos teatros municipais é a ocupação e a autogestão.

Apesar da Casa Viva não reconhecer como válida qualquer zona de intervenção do estado, nem se reconhecer ideologicamente com a noção da simples existência de qualquer estado, no contexto em que nos encontramos, por enquanto, o debate sobre os serviços públicos interessa no sentido de garantir o acesso de todas as pessoas a um serviço público de natureza cultural para um /empoderamento/ social por meio da partilha do sensível (Rancière).

Vamos pressupor que um teatro municipal é um serviço público, ainda que «algo esteja podre neste reino» estatal, neste contexto, consideramos que é urgente garantir dois pontos essenciais:

1º É urgente garantir o acesso aos espectáculos dos teatros municipais por meio de um tarifário módico e único.

2º É urgente a elaboração de uma carta de princípios gerais definindo os objectivos dos teatros municipais e os seus compromissos como serviço público de cultura, devendo garantir impreterivelmente o princípio de não ter fins lucrativos, a liberdade artística, a variedade dos espectáculos, a diversidade artística e temática e a criação de instrumentos de retroacção popular. Esta carta de princípios terá de ter um enquadramento legal e de ser vinculativa.

Queremos a profanação destes dispositivos (Foucault/Agamben), destes corpos que nos são impostos como modelo a seguir. Queremos teatro, queremos mundo, queremos tudo sem pacotes, sem rédeas, sem redes, nem véus!

Sim queremos um teatro que seja nosso!

aqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/28486

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