O que está a acontecer em Gaza representa um perigo permanente para todos os povos


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aqui: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4250497116222&set=a.1010081867866.1442.1699580860&type=1 

O que está a acontecer, uma vez mais na faixa de Gaza, é uma tragédia da qual os Estados Unidos e a Europa são em grande parte responsáveis, pelo apoio incondicional que dão à política israelita e pela aplicação do princípio “dois pesos duas medidas” que é feito através do tratamento da informação. Quando um presidente (o actual presidente francês, ndt) exprime “a solidariedade da França face aos tiros de roquete provenientes de Gaza”, quando “recorda que a França condena firmemente estas agressões” e quando declara que “cabe ao governo israelita tomar todas as medidas para proteger a sua população face às ameaças [e] prevenir a escalada da violência”, porque é que não fala das centenas de mortes civis em Gaza?

O presidente francês (e o português prima também pelo silêncio, ndt) não diz uma palavra sobre o inferno vivido pelas famílias palestinas, pelas crianças, pelas mulheres, pelos civis do outro lado daquilo a que se chama “a barreira de segurança”. Sem dúvida considera que toda a população palestina, mulheres e crianças incluídas, é constituída por “terroristas”. Ficam no silêncio as centenas de mortes e de feridos entre a população palestina, as casas, as escolas, as cooperativas agrícolas destruídas após o lançamento de 400 toneladas de bombas e de mísseis durante os três primeiros dias da operação militar israelita sobre a Faixa de Gaza.

O que se está a passar na Faixa de Gaza representa um perigo permanente para todas as populações, um risco enorme para a região, uma injustiça flagrante que dura desde 1948… No entanto, em França (e em Portugal, ndt) as  numerosas análises feitas pelos políticos ou pelos meios de comunicação são frequentemente uma complexa teia de mentiras, de propaganda, de deformações e de informações erradas.

O que está em causa não é o que diferencia os grupos armados fanáticos religiosos do Hamas e da Jihad islâmica por um lado, e por outro lado um exército extremamente equipado e treinado que dispõe de drones, de forças aéreas e navais que bombardeiam um território em que a população é uma dos mais densas ao mundo. O que está em causa tem a ver com as motivações que levam os responsáveis dos grupos armados, por um lado, e os de um exército extremamente equipado e treinado, por outro, a enfrentarem-se apesar do enorme desequilíbrio na relação de forças. Consciente ou não, há uma espécie de cumplicidade entre as duas partes em confronto, que têm interesse, por razões diferentes, na manutenção do actual estado das coisas: do lado israelita a sua política de expansão territorial, de implantação de colónias nos territórios palestinos e de manutenção de um estado de guerra permanente; do lado do Hamas e da Jihad islâmica o controlo político e religioso sobre a população da Faixa de Gaza, feita refém, e a recusa de qualquer aliança com as autoridades civis palestinas.

Uma coisa, no entanto, é certa: a violência em circuito fechado é alimentada de parte a parte pela ocupação. A situação é gerada pelo bloqueio, pelo fim das negociações que não conduzem a nada, senão criar mais miséria e humilhação e aterrorizar a população civil palestina, literalmente fechada num território que é uma prisão a céu aberto. Numa entrevista que deu à Radio Libertaire a 6 de julho de 1991, Arna Mer-Khamis declarou: “não há pior terror que a ocupação, e não há pior ocupação que a ocupação israelita.”

Hoje, a situação em Gaza permite testar as novas armas produzidas pela indústria militar israelita, que está em pleno desenvolvimento. Após cada intervenção militar, as vendas das armas israelitas são calculadas em milhares de milhões de dólares. Nas feiras internacionais de armamento, as armas classificadas “combat proven” (que já foram experimentadas em  provas de fogo) vendem-se muito melhor.

As negociações com os Palestinos não chegarão a qualquer resultado enquanto os Israelitas tiverem como objectivo ocuparem um máximo de territórios palestinos e manterem a população palestina em espaços o mais restrito possíveis. As autoridades israelitas não querem a paz. A manutenção de um Estado de guerra permanente é, para elas, uma condição necessária à sua política de anexação territorial. Uma paz efectiva com os Palestinos seria uma catástrofe porque teria dois efeitos totalmente indesejáveis para Israel:

1. Poria fim à anexação dos territórios palestinos;

2. Poria em evidência as enormes contradições sociais da sociedade israelita que não seriam mais camufladas pela ameaça de guerra.

Ainda que os religiosos palestinos fundamentalistas sejam uma das causas do malogro das negociações de paz, a principal causa deste malogro reside na vontade fervorosa dos Israelitas em anexarem o máximo de territórios palestinos e de manterem a população palestina em espaços tão exíguos quanto possíveis.

É por isso que o fim da ocupação é uma condição preliminar para que cesse toda esta violência que se gera em circuito fechado.

Federação Anarquista Francófona (França, Bélgica, Suíça)

15 de julho de 2014

aqui (adaptado): http://i-f-a.org/index.php/pt-BR/afirmacao/521-o-que-acontece-a-gaza-representa-um-perigo-permanente-para-todas-as-populacoes

foto

Hoje, em Bil’in, nos territórios ocupados.

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