Mês: Outubro 2014

(Lisboa) Acção Global por Kobane este sábado no Rossio


solidariedade

Sábado, 1 de Novembro, Lisboa, Rossio, 14 horas

Amanhã, dia 1 de Novembro é o dia de acção Global em Solidariedade com os habitantes de Kobanê, Síria, que estão cercados por grupos do ISIS desde o início de Setembro, e que estão sob a ameaça de massacre. Já milhares de pessoas fugiram da cidade e estão refugiados na Turquia, sem grandes apoios de qualquer Governo. A situação deles é extremamente precária, e o inverno está a chegar. Organiza-te em solidariedade com a resistência em Kobane! Sai à rua! Informa-te!

aqui: https://www.facebook.com/events/1494714824124732

https://www.facebook.com/events/807930075930434/

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.619354804839517.1073741845.587804691327862&type=3

1753Kobane

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(México) Mario González saiu em liberdade


mario

O anarquista Mário González, preso desde o dia 2 de Outubro de 2013 conseguiu há algumas horas atrás a sua libertação depois do tribunal constitucional lhe ter outorgado protecção pelas violações a diversas garantias cometidas pelo Poder Judicial do Distrito Federal mexicano.

Por volta do meio-dia de quinta-feira, Mário Gonzaléz recebeu a notificação judicial na Torre Médica da prisão de Tepepan onde permanecia depois da greve de fome de dois meses em finais do ano passado. Mais recentemente, no inicio de Outubro, Mário e vários outros presos anarquistas nas cadeias do México, tinha protagonizado uma segunda greve de fome.

Segundo a decisão judicial, que é clara, Mário fica absolvido de qualquer delito e não ficará com antecedentes criminais,

Mário González, ex aluno universitário, foi detido num autocarro no centro histórico da cidade do México quando se dirigia para participar  na marcha que assinalava o massacre estudantil de 2 de Outubro de 1968.

Segundo as afirmações da policia, o jovem – antes expulso da Universidade do México pelas suas posições críticas às medidas reformistas do reitor José Narro Robles – foi acusado de ter lançado artefactos explosivos danificando mobiliário público, propriedade privada e transeuntes.

As irregularidades cometidas no caso de Mário Jorge, documentadas em vários órgãos de comunicação social, destacaram a decisão da juíza Marcela Arrieta de negar a sua libertação condicional por o considerar de “perigosidade social” devido à sua assiduidade a manifestações.

(Notícia com informações de vários sites mexicanos)

https://solidaridadmariogonzalez.wordpress.com/

(Cacilhas) Este sábado no Centro de Cultura libertária


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Sábado, 1 de Novembro

20 – Jantar benefit para o CCL

22h – Filme “Zéro de Conduite” de Jean Vigo

Língua: Francês

Legendas: Inglês

Duração: 41m

“Filme maldito e proibido pela Censura entre 1932 e 1946 e que marcou a carreira de Jean Vigo. Vigo explicava que, embora «Zero em Comportamento» não pretendesse ser um retrato da sua infância na fase escolar, o filme continha inúmeros elementos visuais e humanos inspirados na experiência vivida. Um filme que retrata a sociedade da época e o abuso da autoridade e a privação da liberdade que então se praticavam.”

https://www.facebook.com/events/303500429847455

(Vídeo) Contra a precariedade laboral e os falsos recibos verdes


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Este vídeo foi realizado e colocado recentemente na internet pelo Sindicato de Artes Gráficas, Comunicação e Espectáculos de Madrid da CNT, no âmbito duma campanha que têm a decorrer contra os “falsos autónomos” ou, em Portugal, os “falsos recibos verdes”. Os problemas de um e do outro lado da fronteira são idênticos – a grande diferença é que em Portugal não existem sindicatos na verdadeira acepção da palavra. Existem máfias sindicais, em regime de casta, que falam em nome dos trabalhadores, mas que apenas representam  os partidos a quem prestam vassalagem ou os seus interesses particulares. No Estado espanhol, milhares de trabalhadores estão agrupados em sindicatos combativos e de classe, sem subsídios do estado ou do patronato, sem “sindicalistas” profissionais – e de que a centenária Confederação Nacional do Trabalho (CNT) é um dos exemplos mais evidentes e mais perenes na luta por um outro mundo. A fim de tornar este vídeo mais acessível o Portal Anarquista traduziu-o para português. Que seja um bom instrumento de trabalho e de luta.

Hoje na Universidade de Évora: evocação de António Sérgio nos 45 anos da sua morte


António_Sérgio

Evocação de António Sérgio nos 45 anos do seu falecimento

Jornadas da Escola de Ciências Sociais

ANTÓNIO SÉRGIO (1883-1969)

António Sérgio de Sousa, que assinou António Sérgio, nasceu em Damão, fez estudos na Escola Naval e ingressou na Marinha, profissão que depois abandonou. Com a República, a 5 de Outubro de 1910, António Sérgio foi um dos fundadores da associação cultural Renascença Portuguesa (1912-1932), aí desenvolvendo uma actividade cívica de grande relevo, a que deu continuidade nas décadas seguintes na revista Seara Nova. Notabilizou-se sobretudo como ensaísta problemático, de grande densidade estilística e de evidentes preocupações pedagógicas, acabando por se tornar no doutrinário português do século XX que mais marcou a sociedade portuguesa do seu tempo, mau grado as polémicas em que se envolveu e a incompreensão que manifestou pelo que não cabia na sua fundamentação racionalista. (ACF)

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(Censura) A luta voltou ao muro


CapturarA revista Análise Social que se publica trimestralmente desde 1963, e de que estava prestes a ser publicada a 212ª edição, foi suspensa e os exemplares já impressos vão ser destruídos, anunciou o director do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, José Luís Cardoso, naquele que é considerado um acto de censura pelo director da revista, João Pina Cabral (aqui)O artigo que esteve na origem desta suspensão, da autoria de Ricardo Campos, estava ilustrado por diversas  imagens de graffiti nas paredes de Lisboa, imagens estas consideradas pelo director do ICS,  de «mau gosto e uma ofensa a instituições e pessoas que eu não podia tolerar». O Portal Anarquista publica o artigo e as fotos censuradas na Análise Social, disponíveis, aliás, já em diversos sites na internet.

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A luta voltou ao muro

A escrita no muro de forma não autorizada, vulgo graffito, é uma prática antiga. Há exemplos da sua existência que remontam à antiguidade clássica, na Roma antiga ou em Pompeia. Comum a estas formas de expressão de índole vernacular é a recorrente veia satírica e contestatária das mensagens. A afronta ao poder e aos bons costumes tem encontrado no muro e nas formas anónimas de comunicação um reduto altamente criativo. Especialmente relevantes são os graffiti executados no espaço público, disponíveis para uma incomensurável plateia. A falta de identificação de um destinatário particular torna esta forma de comunicação ainda mais curiosa, assemelhando-se às estratégias comunicativas da propaganda política e da publicidade. Ao invés destas, o graffiti é executado pelo cidadão comum, geralmente na obscuridade.

Na nossa história mais recente alguns exemplos históricos merecem destaque, pela forma como foram marcando os nossos imaginários. Aquilo que atualmente encontramos impresso nas nossas cidades não pode ser apartado dessa linhagem histórica. Joan Gari, académico catalão que escreveu uma excelente obra sobre a semiologia do graffiti contemporâneo, identifica basicamente duas tradições: a europeia e a norte-americana. A europeia teria por característica principal a escrita, em forma de máxima, de natureza poética, filosófica ou política. Exemplo máximo dessa tradição seria o tipo de graffiti que emergiu durante o Maio de 68 francês. Por contraste, a tradição norte-americana está fortemente vinculada à cultura de massas e à sua iconografia pop, sendo marcada por uma expressão eminentemente figurativa e imagética.

As cidades portuguesas, principalmente os grandes centros urbanos, foram invadidas nas últimas décadas pelo graffiti de tradição norte-ame- ricana. Composto por tags, throw-ups e murais figurativos de grandes dimensões, esta é uma manifestação visual que faz hoje parte da nossa paisagem. A globalização deste formato de graffiti significa que, disperso pelo planeta, encontramos uma linguagem comum, com mecanismos de produção e avaliação estética idênticos. A hegemonia desta expressão mural não nos deve fazer esquecer aquela que é a manifestação mural mais marcante da nossa história recente: o mural pós-revolucionário. O período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 foi marcado por uma profusão de propaganda política que recorria ao muro como principal suporte. A iconografia de então, em que se destacavam Marx, Lenine ou Mao, acompanhados por representações colectivas do povo, do operariado ou campesinato, cedeu paulatinamente o lugar aos politicamente inconse- quentes tags.

Porém, nos últimos anos parece ter despontado nas paredes uma nova vontade de comunicação política. A grave crise económica e social que eclodiu em função das fortes medidas de austeridade impostas pela coligação de governo psd-cds, parece ter mobilizado os cidadãos para atuarem politicamente à margem dos mecanismos convencionais de expressão da vontade política. As grandes manifestações que se realizaram nos últimos anos, organizadas por associações e coletivos não-partidários são um bom exemplo disso. As paredes parecem, também elas, servir cada vez mais para expressar não apenas uma revolta difusa, mas para acicatar o poder político, satirizar a classe partidária e afrontar o status quo. Através de palavras, de slogans, de murais pintados a aerossol ou através da técnica do stencil, vários são os exemplos destas manifestações que pude recolher nas ruas de Lisboa. As imagens fotográficas que aqui se reproduzem visam, precisamente, retratar esta dinâmica de manifestação popular.

Ricardo Campos
Cemri-Universidade Aberta

o artigo censurado: a luta voltou ao muro