(SOS Prisões) Caboverdeanos agredidos pela PSP na Reboleira


PSP

(foto de arquivo digital)

Quatro cidadãos de Cabo Verde foram – na noite de nove para dez de Outubro – detidos na zona da Reboleira, quando se preparavam para festejar o aniversário de um deles e enquanto se reunia o grupo de amigos com quem haviam combinado encontro para a comemoração.

O carro patrulha não gostou da expressão de contentamento do grupo, parece, e interveio, tendo atirado ao chão o aniversariante – um agente da polícia de Cabo-Verde, curiosamente –  emporcalhando-lhe o vestuário, pondo-lhe um pé sobre o pescoço, lesionando-lhe o ombro, porque este, tendo chegado ao local onde a policia portuguesa interpelava os amigos – um dos quais português e branco, que por isso não foi detido – perguntou o que estava a acontecer.

O auto de notícia diz que os polícias haviam sido chamados por causa do barulho que o pequeno grupo estaria a fazer – sendo certo que passava das dez da noite – mas convirá confirmar se de tal queixa existe registo, porque o grupo não estava a fazer barulho e, se o estivesse, teria talvez bastado dizer que o não fizessem, ou que saíssem dali.

Levados para a esquadra foram separados e, pouco depois, levados até para esquadras diferentes (Carnaxide, Alfragide e Queluz) foram agredidos selvaticamente durante o período de detenção. O polícia Cabo-verdeano foi chamado polícia de merda, um electricista foi forçado a urinar nas calças por impedimento de ir à casa de banho com torção dos braços atrás das costas de forma a obrigá-lo a dobrar-se, tendo também sido esbofeteado no ouvido em que  – como prevenira – sofria de surdez crónica e esbofeteado por modo a que a pressão do ar no ouvido o deixasse, como deixou, perto do desmaio. Foi também pontapeado no joelho, como de resto ocorreu igualmente ao detido levado para Queluz. E tratavam-no como cão, chamando-lhe “boby”.

Durante toda a noite foram mantidos sem a possibilidade de qualquer telefonema – embora no auto de notícia os polícias tenham escrito que lhes facultaram o uso de telefone, mas que todos recusaram –  e só de manhã com a apresentação em Tribunal, pelas dez horas da manhã, foram desalgemados e puderam telefonar, o que fizeram imediatamente, pedindo assistência por advogado que prontamente acorreu às instalações judiais de Alfragide.

Um dos detidos – pai de três filhos – estava de tal modo perturbado pelo que sofrera que chorou de indignação durante o seu depoimento perante a técnica de justiça.

Se a tremenda cena é chocante, a inscrição em auto de pretensa notícia de eventos que simplesmente se não produziram, como modo de legitimar um exercício de puro sadismo racista, torna-se incompatível com qualquer confiança pública nas instituições. De notar, aliás que se fez constar em auto que os detidos tinham estado indiciados por práticas delituais anteriores, o que, tanto quanto se conseguiu apurar, é completamente falso pelo menos relativamente ao electricista e ao polícia cabo-verdeano (ignorando-se se quanto aos outros dois há algum registo criminal activo, ou se haverá apenas aqueles registos policiais em regra completamente abusivos).

Esta conduta – excessivamente frequente dos homens da PSP quanto a cidadãos africanos, ou de origem africana  – é incompatível com a dignidade do Estado, com os Direitos dos Cidadãos, com as boas relações da comunidade portuguesa com os países africanos de expressão oficial portuguesa e, evidentemente, é incompatível com a sensibilidade do homem médio.

O sadismo não é uma expressão de normalidade e de saúde mental, como é bem sabido.

E não deixa de ser igualmente sabido que a Dignidade do Homem é intangível, ou, nos termos da Constituição Portuguesa, que a integridade moral e física dos cidadãos é inviolável.

Uma das consequências desta situação é o conhecimento que circula, que valeria a pena procurar recolher e verificar da factualidade casuística que lhe possa ser correspondente, de que a determinação de algumas das vítimas de actos deste tipo em reclamar justiça junto de tribunais significa imediatamente ou após o veredicto que confirma o mau comportamento policiais, a repetição, eventualmente mais drástica, de violência policial contra as vítimas. Obrigando estas a disporem-se a entrar numa guerra de guerrilha com polícias desconhecidos mas brutais, que podem aparecer em qualquer altura das suas vidas, sem aviso.

SOS Prisões

aqui: http://viasfacto.blogspot.pt/2014/10/cabo-verdeanos-agredidos-pela-psp-na.html

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13 comments

  1. Ja nao sei sinceramente o que pensar tenho sido constantemente ofendido por causa do meu t0m de pele, independentemente da ” cor” todo o ser humano sangra, tem sentimentos e morre igual todos os outros cada dia que passa revolto mais com esta situaçao, sei que familiares nem mesma a minha futura vitima terao culpa mas eu tbm nao tive.

  2. é uma vergonha o k se passa com o comportamento da policia em geral e da P S P em particular…na esquadra de reboleira é muito comum ouvir relatos de agressões a cidadãos .

  3. Os Cabo-verdianos, vivem essa agonia emportugal faz tempo, devemos fazer passar essa noticia a quem de direito para por fim aos abusos e insultos por parte das autoridades portuguesas… Fui eu mesmo vitima, ha cerca de trés anos, um vizinho de nacionalidade leste e a companheira portuguesa, arrombaram a minha porta, quaze meia noite enquanto toda a minha familia dormia… alegando que o alarme do meu carro disparava constantemente e nao os deixavam dormir… Quando aproximei da porta, este deu o ultimo ponta pé, suficiente para deita-la abaixo, distruindo o aro , as dobradiças, tudo… Chegando os agentes da PSP de setubal, estranhamente entraram na casa dos agressores, nao dando nenhum apoio a minha familia como vitimas. Incobriram a verdade ao tribunal, que este Senhor que ainda mora no mesmo prédio … nao existe, Disseram que nao podiam fazer nada, pois era caso de tribunal… e protejeram estes agressores até outro dia, ignorando completamente o caso, que mais tarde foi arquivado, porque o agressor nao existe…. Uma vergonha !!!! … Porque o caro que disparava o alarme nao era meu. E eles ( PSP ) sabiam muito bem !!!
    Um destes agentes da PSP é genro da agressora… Se ha quem de direito que possa ainda fazer alguma coisa estarei disponivel a todo momento, pra fazer esta noticia correr o mundo, até encontrar, que possa fazer justiça e paz pra minha familia. Peço as autoridades de caboverde e toda a naçao africana democratica que protejem os seus cidadaos e selem para o bem estar de todos.

    1. palhaços de uma figa esses gajos pensam que são donos do mundo vão mas é tomar no cu e tentam fazer o vosso trabalho que é proteger a sociedade e deixem de brincadeiras,

  4. PSP de reboleira e alfragide já nada me surpreende, cambada de meninos mimados que quando em grupo se transformam em super homens, mas sozinhos depois do serviço se escondem como se fossem uns bebés indefessos com medo de tudo e de todos

  5. Realmente ando muito farta disto….é por isso k na Africa de Sul sao mortos os portugueses tipo galinha….porcausa desta merda…voces nao eskeçao k a vossa familia,amigos e etc estao por toda africa…vamos fazer-vus o mesmo para verem se é bom…acordem para a vida…os africanos estao e sao unidos

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