Dia: Outubro 13, 2014

(efeméride) Há 90 anos Ferreira de Castro escrevia no suplemento d’A Batalha sobre Ferrer y Guardia


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Fotografia de Francisco Ferrer y Guardia Fotolito (acetato) a P&B (reprodução) Publicado em papel couché, extratexto, na revista anarquista “A Sementeira”, Lisboa, I série, saída entre 1908 e 1912. (aqui)

A 13 de Outubro de 1909, faz hoje exactamente 105 anos, foi fuzilado na prisão de Montjuic (Barcelona), o pedagogo anarquista e fundador da Escola Moderna, Francisco Ferrer y Guardia, acusado de ter sido o instigador da revolta conhecida como a Semana Trágica de Barcelona em Julho desse mesmo ano.

Nascido a 10 de janeiro de 1859 numa pequena localidade perto de Barcelona, filho de pais católicos, cedo se tornou anticlerical e juntou-se à loja maçónica Verdad, da capital catalã. Apoiou o pronunciamento militar de 1886, que pretendia proclamar a República, mas diante do fracasso deste, Ferrer teve de exilar-se em Paris. Sobreviveu ensinando espanhol até 1901, e durante este período criou os conceitos educativos que aplicaria na sua Escola Moderna e que se baseava na educação integral e livre de todos os jovens, numa altura em que a educação estava reservada ainda para os elementos masculinos das classes possidentes e era sobretudo proporcionada pelos meios eclesiásticos.

O seu fuzilamento teve um grande eco nos meios operários e revolucionários de todo o mundo, nomeadamente na América Latina e em toda a Europa. Em Portugal, os meios anarquistas, então em pleno desenvolvimento, deram amplo destaque à vida e obra de Francisco Ferrer constituindo nos anos que se seguiram muitas escolas (um grande número delas fundadas por associações de classe operárias ou por sindicatos) que adoptaram o método racionalista e libertário da Escola Moderna, dando-lhe continuidade.

15 anos depois do seu assassinato, o escritor Ferreira de Castro, lembrava a figura de Francisco Ferrer nas páginas da edição de 13/10/1924 do Suplemento d’A Batalha, o grande jornal diário do movimento operário português, num artigo que aqui recuperamos.

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Sobre Ferrer…

A morte dos apóstolos e o triunfo das suas ideias….

Este artigo podia começar com as mesmas palavras com que eu principiaria um capítulo das minhas memórias…

Isto porque a morte de Ferrer e a morte de D. Carlos são as únicas sensações vivas, nítidas, que nos arquivos da memória eu guardo da minha infância, tão querida e já tão distante, tão esfumada já nos horizontes da saudade.

Fuzilaram Ferrer… Assassinaram D. Carlos…

O povo da minha aldeia remota, costumado apenas a contemplar o geórgico panorama da terra nativa, não conhecia o monarca que deixou medrar ao seu lado o dragão da tirania, nem tampouco o reformador que adorava a Liberdade. Eu também não os conhecia – a sombra desses dois homens não se havia projectado ainda sob o ciclo dos meus dez anos escassos.

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