(Setúbal) 14º aniversário da C.O.S.A. – Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada


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Celebra-se nos próximos dias 17, 18 e 19 de Outubro, o 14º aniversário da C.O.S.A. (Casa Okupada de Setúbal Autogestionada). Para marcar os seus 14 anos de existência, estão agendadas várias actividades de convivio durante o próximo fim-de-semana, que incluem workshops, concertos, conversas, jantar e festa. (aqui)

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O que é a C.O.S.A?

(Texto publicado no nº IV da Revista “Alambique” (Primavera de 2012) , num artigo sobre Setúbal, em que são entrevistados dois activistas locais. Excerto do artigo “Setúbal Terras Rebeldes do Sado”)

A resistência das ocupações em Setúbal reflecte aquele que é o único percurso do apelidado “movimento okupa” verdadeiramente a decorrer na região portuguesa.

Não foram poucas as ocupações após 1974, mas Setúbal resiste praticamente sozinha como expressão das casas ocupadas de alento anarquista, ou anarco-punk, que surgiu na década de 90. São hoje por isso honrosa expressão os concertos DIY na quinta ocupada e da Kylakancra nos arredores da cidade, numa altura em que a música é essencialmente um manifesto estético e pouco mais. Okupa com 4 anos que vem no seguimento das anteriores Casa da Serra (2007) ou do Punker de Albarquel (2006), também na Serra da Arrábida. Mas a okupa mais emblemática, embora não a única pela cidade, pelos seus 11 anos, é a COSA, nome que deriva de Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada.

A COSA, como o foi em determinada altura o espaço Zaragata, acompanhou o trajecto mais contestatário da cidade e por quem nele andou ou ainda anda. Conforme refere G. “o projecto da COSA teve várias fases e o seu impacto na cidade foi variando ao longo dos tempos. Em primeiro lugar podemos dizer que houve “mais-ou-menos” uma “geração” que frequentou as escolas Secundárias de Setúbal no virar do século que cresceu com a presença de uma Casa Okupada. Uma certa geração que vivia com algumas ideias e sonhos de liberdade que entrava nessa altura numa fase importante da adolescência e que estava aberta a um tipo de cultura e socialização diferente. Para esses obviamente foi o despertar para muitas outras ideias e práticas. Houve alturas em que a COSA se pronunciava publicamente, enquanto espaço, sobre assuntos e lutas da cidade como foi o caso da co-incineração na cimenteira da Secil. O grande impacto da COSA é nas pessoas que por lá passam e passaram e com ela crescem. Concretamente foi a partir dali que muitos iniciaram outros projectos e muitas coisas se desenvolveram a partir daquele espaço e daquele tempo.»

A mesma importância como espaço de descoberta das pessoas com as ideias é reiterado por M.: «A Casa Ocupada de Setúbal, com os seus 11 anos de existência, representa um ponto de encontro importante para várias pessoas que costumam estar por Setúbal ou para pessoas de fora que nos venham visitar. Ao longo dos anos, o projecto da casa foi mudando, reflectindo directamente as vontades e hábitos de quem lá residiu ou quem mais por lá passava. Na cidade, a casa é uma referência para muita gente, embora uma referência a uma subcultura».

Para G. «obviamente que houve um impacto mais geral na cidade, seja pela introdução de certos assuntos na cidade de Setúbal (sendo que podemos discutir a abrangência dessa introdução), seja porque foi ali que foi criado um espaço que não existia em mais lado nenhum na cidade e assim serviu muitas vezes de estrutura de apoio a colectivos, grupos e outros projectos ou como simples escapatória».Hoje a COSA permanece «importante para muitos que ainda lá organizam sessões de cinema, conversas e discussões».

Das dificuldades de ser um espaço com maior empatia com a população, M. concorda que «a maioria da população tem uma ideia de que existe uma “okupa” no Bairro Salgado, mas muitas das pessoas não se aproximam. Têm sido feitos alguns esforços no sentido de comunicar com pessoas de fora, nomeadamente com vizinhos do bairro ou com pessoas que participem em associações interessantes. Esses esforços resultaram em alianças e interacções que nos ensinaram muitas coisas. Outras vezes, as diferenças ideológicas impedem que a comunicação seja positiva!».

Nesse sentido, enfatizando a própria natureza do espaço, «são bastantes as vezes em que a COSA toma uma atitude de denúncia e crítica perante o poder, quer porque atacam a casa directamente, quer porque nos atacam a vida no geral. Isso implica certas consequências para a “reputação” do espaço e traz retaliações às pessoas que o frequentam, mas eu diria que a rebeldia perante este sistema foi sempre uma das características de base do projecto da casa ocupada. A COSA também participa ocasionalmente em iniciativas na cidade, mas dada a escassez de iniciativas que não sejam totalmente institucionalizadas, essas parcerias acabam por ser poucas. Penso que agora estamos num momento em que a casa, enquanto centro social, vai adaptar-se a novas necessidades e preocupações das pessoas que a dinamizam, pelo que ainda é cedo para apresentar uma análise do presente!»

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