Dia: Outubro 22, 2014

Para uma sociedade sem escola (com Ivan Illich e Agostinho da Silva)


 

 

 

A Escola

Não podemos negar que a escola não deu aos seus alunos todas as possibilidades que lhes devia dar, desprezou os mal dotados, obrigou-os a actos ou tarefas que lhes depuseram na alma as primeiras sementes do despeito ou da revolta, lhes deu, pelo quase exclusivo cuidado que votou ao saber, deixando na sombra o que é o mais importante — formação do carácter e desenvolvimento da inteligência —, todas as condições para virem a ser o que são agora; se não saíram da escola com amor à escola, a culpa não é deles, mas da escola. Acresce ainda que, lançados na vida, a escola nunca mais procurou atraí-los, nunca mais foi ao encontro dos seus antigos alunos, para lhes aumentar a cultura, os informar e esclarecer sobre novas orientações de espírito, para lhes pedir a sua colaboração, o seu interesse na educação das gerações mais moças. Houve um corte de relações, quando a sua manutenção poderia ainda de algum modo apagar as más lembranças que os alunos levavam. Que admira que sintamos agora à nossa volta paixão e rancor? Tivemo-los nas nossas mãos e não fizemos por eles tudo quanto podíamos, mesmo com as possibilidades económicas e pedagógicas de que nos cercara o meio; em nós temos de reconhecer o principal defeito; por consequência, também em nós a principal causa do ataque.


Agostinho da Silva, in ‘Glossas’

A. Pedro Ribeiro: uma poesia que grita “nem Deus, nem amos”


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*

DECLARAÇÃO DE AMOR AO PRIMEIRO-MINISTRO

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
por todos os primeiros-ministros
e pelos segundos
e pelos terceiros
Estou apaixonado por todos os presidentes de Câmara
e de Junta
por todos os benfeitores de obra feita
por todos os que erguem e mandam erguer
estradas, pontes, casas, estádios, fontanários, salões paroquiais
Estou apaixonado por todos aqueles que governam, que executam,
que decidem sem pestanejar
por todos aqueles que dão o cu pela causa pública
que se sacrificam pelo bem comum sem nada pedir em troca
Quero votar entusiasticamente em todos eles
encharcá-los de votos
até que se venham
em triunfo
 .
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num bacanal
com todos os ministros
com todos os ministérios
a arfar de prazer
a enrabar o défice, o orçamento,
o IVA, a inflação, a recessão
àgil e empreendedor
como um super-homem
 .
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num filme porno.

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*

QUE VIDA LEVAIS?

Que vida levais
se comeis tudo o que a TV
vos espeta nos cornos?
Que vida levais
se passais a vida a obedecer
ao Deus morto
ou ao deus dos mercados
e da economia?
Que vida levais
se vos limitais
a frequentar uns anos de escola
fazeis umas asneiras
depois assentais
tendes filhos
quereis que eles fiquem ricos
macacos trepadores
gritadores de golos
que vida levais
com conversas sempre iguais
sem brilho
sem nobreza
sem sabedoria
que vida levais
com dias sempre iguais
sempre a trabalhar
e a pensar no trabalho
que vida levais
se não sois capazes
da loucura?

imagem

*

DA POESIA SUBVERSIVA

Segundo Benjamin Péret, os senhores do mundo consideram a poesia autêntica nociva porque esta ajuda à emancipação do homem. A poesia subversiva incomoda os poderes porque denuncia a corrupção, as negociatas e as falcatruas. Porque grita “nem Deus, nem amos”, porque alerta os homens para a sua própria destruição, para a escravidão, para o tédio. Esses poetas querem um mundo novo, um novo homem sem inveja, sem competição, sem intriga. Por isso, os senhores do mundo os querem silenciar, afastando-os dos media. Esses poetas resistem subindo aos palcos dos bares, publicando em livros, nos jornais locais, nos jornais on-line, no facebook, em revistas. Tentam, assim, chegar a mais gente, procurando convencer as pessoas. Talvez desse passar a palavra surja a rebelião, a revolta, a emancipação do homem.

aqui: http://tripnaarcada.blogspot.pt

sobre a.pedro ribeiro: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/01/06/antonio-pedro-ribeiro-um-poeta-de-tendencias-anarquistas/

Mais uma edição do jornal de expressão anarquista “A Batalha”


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Acaba de sair o nº 261, da VI Série do jornal “A Batalha”. Dos temas em destaque salienta-se a situação que se vive em Gaza depois dos ataques israelitas, com  a publicação de um artigo de Noam Chomsky); a 1ª Grande Guerra e o Movimento Libertário (da autoria de António Cândido Franco, artigo já publicado no Portal Libertário) ; A situação na Turquia; Um artigo contra as Touradas; uma análise sobre a Copa no Brasil e os índios. Nesta edição a investigadora Francisca Bicho continua também o seu artigo sobre o jornal “A Questão Social” de Gonçalves Correia iniciado no número anterior. De salientar também uma análise da obra “Emigrantes”, de Ferreira de Castro (também em continuação do número anterior), por Ricardo António Alves.

pedidos e correspondência: jornalabatalha@gmail.com