A. Pedro Ribeiro: uma poesia que grita “nem Deus, nem amos”


passos-coelho-dragao-povo

*

DECLARAÇÃO DE AMOR AO PRIMEIRO-MINISTRO

Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
por todos os primeiros-ministros
e pelos segundos
e pelos terceiros
Estou apaixonado por todos os presidentes de Câmara
e de Junta
por todos os benfeitores de obra feita
por todos os que erguem e mandam erguer
estradas, pontes, casas, estádios, fontanários, salões paroquiais
Estou apaixonado por todos aqueles que governam, que executam,
que decidem sem pestanejar
por todos aqueles que dão o cu pela causa pública
que se sacrificam pelo bem comum sem nada pedir em troca
Quero votar entusiasticamente em todos eles
encharcá-los de votos
até que se venham
em triunfo
 .
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num bacanal
com todos os ministros
com todos os ministérios
a arfar de prazer
a enrabar o défice, o orçamento,
o IVA, a inflação, a recessão
àgil e empreendedor
como um super-homem
 .
Estou apaixonado pelo primeiro-ministro
quero vê-lo num filme porno.

charles-leval-levalet6

*

QUE VIDA LEVAIS?

Que vida levais
se comeis tudo o que a TV
vos espeta nos cornos?
Que vida levais
se passais a vida a obedecer
ao Deus morto
ou ao deus dos mercados
e da economia?
Que vida levais
se vos limitais
a frequentar uns anos de escola
fazeis umas asneiras
depois assentais
tendes filhos
quereis que eles fiquem ricos
macacos trepadores
gritadores de golos
que vida levais
com conversas sempre iguais
sem brilho
sem nobreza
sem sabedoria
que vida levais
com dias sempre iguais
sempre a trabalhar
e a pensar no trabalho
que vida levais
se não sois capazes
da loucura?

imagem

*

DA POESIA SUBVERSIVA

Segundo Benjamin Péret, os senhores do mundo consideram a poesia autêntica nociva porque esta ajuda à emancipação do homem. A poesia subversiva incomoda os poderes porque denuncia a corrupção, as negociatas e as falcatruas. Porque grita “nem Deus, nem amos”, porque alerta os homens para a sua própria destruição, para a escravidão, para o tédio. Esses poetas querem um mundo novo, um novo homem sem inveja, sem competição, sem intriga. Por isso, os senhores do mundo os querem silenciar, afastando-os dos media. Esses poetas resistem subindo aos palcos dos bares, publicando em livros, nos jornais locais, nos jornais on-line, no facebook, em revistas. Tentam, assim, chegar a mais gente, procurando convencer as pessoas. Talvez desse passar a palavra surja a rebelião, a revolta, a emancipação do homem.

aqui: http://tripnaarcada.blogspot.pt

sobre a.pedro ribeiro: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/01/06/antonio-pedro-ribeiro-um-poeta-de-tendencias-anarquistas/

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