(Lisboa) Solidariedade com Kobane saiu hoje à rua


rossio

Foto Manuel Almeida (Lusa)

A cidade síria de Kobane e a luta que ali acontece há mais de um mês foi hoje lembrada no centro de Lisboa, numa manifestação aplaudida por Serdar Tunagur, curdo com o “coração na terra”.

Hoje, “Dia Mundial Kobani” em que ocorrem em todo o mundo ações para mobilizar apoios à cidade cercada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), no Rossio, em Lisboa, a situação também foi lembrada, com cartazes e com música.

Tunagur, 34 anos, refugiado curdo a viver em Portugal há quase quatro anos, dois filhos, um deles já nascido no país, esteve na frente dos cartazes, para dizer que “os curdos não aceitam os islamismos radicais”.

“Kobane historicamente é curda, são os curdos quem vive lá, e o EI quer matar os curdos”, diz Serdar Tunagur, acrescentando que estão de facto a matar, incluindo idosos, mulheres e crianças.

E há 47 dias, afirma, que os curdos estão a lutar para viver, “para não deixar a sua terra”, porque o EI não conseguiu em Kobane o que fez no Iraque, que foi tomar cidades numa noite.

Ainda assim, Serdar Tunagur é um homem otimista. Louva o apoio dos países ocidentais na luta contra o EI, mas lamenta que tenham “esperado 35 dias”, deixando os curdos a lutar sozinhos, quase sem armas, sem perceberem que “os curdos não iam deixar a sua terra e iam morrer ali”.

De Portugal vai acompanhando o que se passa lá. “Vivemos aqui, mas os nossos sonhos, ideias, a nossa cabeça, está tudo lá”, justifica. E por isso admite voltar “a casa um dia”. “O nosso coração vive na nossa terra”.

Foi por tudo isso que com a mulher e os filhos esteve junto da estátua de D. Pedro V, no Rossio, ao lado de cartazes a dizer “Save Kobane” ou “Viva a Resistência em Kobane”.

Muitos cartazes e música, e panfletos distribuídos por Sian Eden, turco, do movimento Ritmos de Resistência, uma rede de ativistas contra o capitalismo, a globalização, a exploração e a opressão.

Diz à Lusa que os Estados Unidos apenas apoiam Kobane para a situação ficar como está, mas “não para o movimento curdo ganhar”.

Basicamente, diz, é preciso abrir “um corredor” para que outros curdos se possam juntar aos que lutam em Kobane, porque há muitos a querer fazê-lo.

 Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, na noite passada entraram na cidade (que fica perto da fronteira com a Turquia) 150 curdos iraquianos (peshmergas),para combater o EI.

Desde o início da ofensiva, a 16 de setembro, Kobane está completamente cercada pelos radicais do EI, exceto a norte, parte que limita com Turquia.

Nas últimas horas os combates continuam em Kobane, nomeadamente na zona da mesquita Al Hach Rachad, lá onde vive o coração de Tunagur. (Agência Lusa)

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