(Manifesto) Ayotzinapa: A nossa dor, a nossa raiva


 

Vídeo realizado‪ por estudantes da Universidade Autónoma do México sobre a marcha de 20 de Novembro de 2014 em protesto pelo desaparecimento dos 43 jovens normalistas. Foi o Estado!

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Organizações e indivíduos duma quinzena de países por #Ayotzinapa

Como vamos continuar a caminhar nesta nova etapa?

Desde o dia 26 de Setembro de 2014 o México viu-se a si mesmo e o mundo voltou novamente a ver uma realidade já inocultável que se tornou presente da forma mais terrível. Iguala é o lugar em que o México da dor e da morte já não pode esconder a sua realidade, o lugar que encheu o mundo inteiro de indignação, o lugar em que o que era dito em segredo se converteu num grito de dor e raiva.

43 estudantes desaparecidos, três estudantes assassinados, dois jovens desportistas assassinados, uma mulher assassinada. Todos eles assassinados e desaparecidos em Iguala, todos eles assassinados e feitos desaparecer pelo Estado. Todos eles assassinados e feitos desaparecer pelo pacto de impunidade da classe política.

Mas agora já não é suficiente falar de impunidade uma vez que as instituições que deviam exercer a justiça não só não o fazem como se protegem a si mesmas dos seus próprios delitos; na realidade estamos perante um sistema que encontra sempre como e a quem punir, de maneira exemplar  e espectacular (culpado ou inocente), de maneira a guardar intactos o grande comércio da corrupção e as estruturas brutais de poder que mantêm o país inteiro submerso na violência.

No México o sistema não está corrupto, a corrupção é o sistema. Não é que o Estado esteja a ter zonas fora de controlo mas sim que essas zonas que parecem vazias estão cheias de uma nova mutação do Estado mexicano: o Narco-Estado.

O casal Abarca é um exemplo aterradorda ligação entre governo e crime organizado, mas o pior é que não são o único nem o pior exemplo disso, são precisamente um exemplo do que são actualmente as instituições no México. Em Iguala, os 43 estudantes de  Ayotzinapa são igualmente a terrível prova que as acções do Narco-Estado não são apenas contra-insurreccionais, não só procuram a criminalização das lutas, mas procuram o controlo através do terror, procuram o genocídio da esperança.

Neste México destroçado, segurança significa viver aterrorizado, rodeado de militares e polícias, vigiado constantemente. Neste méxico destroçado, as instituições de direitos humanos são usadas para assegurar que os verdadeiros agressores escapem à justiça e continuem a agredir.

Neste México destroçado, o ex-presidente da Câmara de Iguala, José Luis Abarca, é acusado de vários delitos, mas não no que implica reconhecer a responsabilidade, o da desaparição forçada.

Neste México destroçado, Maria de los Angeles Pineda é mantida presa durante 40 dias e Noemí Berumen Rodriguez, que encobriu o casal acusado, é deixada em liberdade, enquanto quem se opõe ao sistema, quem defende a terra, quem exige justiça, quem se solidariza com as famílias dso 43 estudantes  que o Estado fez desaparecer, quem explode de indignação,  é imediatamente preso.

Neste México destroçado o poder fica escandalizado quando alguém queima uma porta de madeira, mas para as centenas de milhar de mortos, para os milhares de desaparecidos, para os deslocados, só há montagens mediáticas, largos processos burocráticos e falsas condolências, mas nunca justiça.

A mensagem que fica pela forma como tudo foi feito em Iguala, depois dos milhares de mortos e desaparecidos em todo o México, é a de que nenhuma vida vale, que a partir dessas novas instituições a morte é a forma de governar.

Por tudo isto, depois do mundo ter esperado uma resposta acerca do paradeiros dos 43 estudantes desaparecidos através de uma investigação rigorosa, é indigno e doloroso constatar que os investigadores tenham mostrado não só a sua incompetência, mas também uma impressionante falta de um mínimo de respeito para com as famílias das vítimas e através delas para com toda a sociedade, porque o seu único objectivo é de dificultar as investigações a fim de ocultar a verdade.

A indignação aumentou, ultrapassou as praças, crescendo semanas após semanas. As manifestações, as acções, as paralisações, demonstram que apesar das mentiras, das montagens, das calúnias e das mentiras do parte do “governo mexicano”, sempre ausente quando se trata de dar respostas, o povo do México e de outras partes do mundo, fizeram sua a palavra de ordem: “Levaram-nos vivos, querêmo-los vivos!”

Também estão a ser dados passos importantes em muitos lugares dentro e fora do México em que rapidamente se passou a novos gritos que ressoam: # Não acreditamos em vocês #Foi o Estado # Já me cansei #Somos todos Ayotzinapa.

Em Iguala tornou-se visível a lógica política que fez que no nosso país nos doa mais de 180 mil mortos e que continuemos à espera dos mais de 20 mil desaparecidos.

Hoje somamo-nos à raiva activa dos pais e das mães dos estudantes desaparecidos, hoje dizemos-lhes que estamos à espera que os 43 regressem, não acreditamos na farsa com que pretendem varrer esta indignação e esta raiva global. Ayotzinapa é o início de algo, que está crescendo nas salas de aula, nas ruas.

Nestas últimas semanas tem-se gerado um movimento que identifica claramente quem é quem, neste novo processo está-se a  perder o medo,  torna-se impossível de sermos apenas espectadores e abre-se a possibilidade de perguntarmos: Como fazer para que esta energia social consiga abrir um caminho que permita à sociedade, a partir de baixo, impôr ao governo a verdade com todas as suas consequências? Como poderemos continuamos a avançar nesta nova etapa?

Ayotzinapa não traz apenas sofrimento ao México, é o mundo inteiro que sofre.

vivos

Assinaturas Individuais :

CANADÁ: Naomi Klein; ESTADOS UNIDOS: Noam Chomsky; Michael Hardt; Hugo Benavides (Fordham University); URUGUAY: Raúl Zibechi; ESTADO ESPAÑOL:  Manuel Castells; Carina Garcia Sanagustin; BOLIVIA: Oscar Olivera; ARGENTINA: Nico Falcoff; COLOMBIA: Dora Muñoz; Constanza Cuetia; ALEMANIA: Sebastian Wolff (Instituto de Investigaciones Sociales, Frankfurt/Alemania); BRASIL: Kathy Faudry; Jeferson Zacarias; Denise Lopes; Edila Pires; Liliane Bites; Walter Bites; PAÍS VASCO: Juan Ibarrondo (escritor); ITALIA: Adele Vigo; Andrea Paletti; Franco Frinco; Carlotta Mariotti; Filipppo Marzagalli; MARRUECOS: Josiane Pastor Rodriguez; FRANCIA: Valentin Gaillard; Mathieu Meyer; Talia Rebeca Haro Barón (PhD Erasmus Mundus Dynamics of Health and Welfare, Ecole de Hautes Études en Sciences Sociales), Michèle Blossier; Patrice Ratheau; Paul Victor Wenner; Myriam Michel; Hilda Leslie Alcocer Martinez; Louise Ibáñez Drillières; Crystel Pinçonnat; Janie lacoste (profesora); Michel Puzenat; Pierre Banzet; Régine Piersanti; Dominique Mariette; Nathalie Todeschini; Stéphane Lavignotte- pasteur (Movimiento del cristianismo Social); Farid Ghehioueche (Fondateur/Porte Parole de l’organisation Cannabis Sans Frontières); Emmanuel Maillard; Myriam Mérino; Ariane Chottin; Valérie Guidoux; Olivier Vendée; Pierre Picquart (Dr en Geopolitica Université de PARIS-VIII) ; Antinea Jimena Pérez Castro; Yann Bagot; Emmanuel Rodriguez; Marie Ibanez; Amparo Ibanez; Gilbert Rodriguez; Marie Ibanez; Jacqueline Henry; Catherine Cassaro; Catherine Bourgouin; Susanna Miglioranza; Sylvie Gauliard; Alain Martinez; Colette Revello; Fatiha Mekeri; Dominique Poirre; Laura Binaghi; Jérôme Bauduffe; Nadia Thomas; Matthieu Texier; Paul Obadia; Vincent Robin; Michel Ibañez; Lise Piersanti; Alain Delprat; Catherine Drillières; Colette Revello; Didier Collot; Marianne Petit; Janine Leroy; Suzy Platiel; Aude Lalande; Mansour Chemali; Corinne Mazel; Celia Ibañez; Pauline Delprat; Michel Contri; Ali Abadie; Mercedes Cruceyra; José Griault; Annick Laurent; Gérard Henry; Georges Gottlieb;  Janie Lacoste; Michel Ibañez; Pilar Sepulveda; Rafael Sepulveda; Pascal Ibañez; Patrick Derrien ; Hélène Derrien ; Lia Cavalcanti (directrice de l’association Espoir Goutte d’Or); Catherine Faudry (Chargée de mission – pôle “Collectivités Territoriales” Institut Français); Camille Baudelaire; MÉXICO: Álvaro Sebastián Ramírez (Preso Político y de Conciencia de la Región Loxicha); Francisco Barrios “El Mastuerzo”; Oscar Soto; Alejandro Varas; Raquel Gutiérrez Aguilar; Mariana Selvas Gómez; Guillermo Selvas Pineda; Rosalba Gómez Rivera; Martha Nury Selvas Gómez; María Josefina Perez Arrezola; María José Pérez Castro; José Cervantes Sánchez (estudiante ICSyH BUAP); Rosalba Zambrano; Ana María Sánchez; Tamara San Miguel; Eduardo Almeida; Enrique Ávila Carrillo; Ingrid Van Beuren; Leticia Payno; Cecilia Oyorzál; Ignacio Rivadeneyra; María del Coral Morales; Oscar Gutiérrez; Gilberto Payno; Celiflora Payno; Víctor Payno; Patricia Emiliano; Beatríz Acevedo; Francisco Sánchez; Agustina Álvarez; Mariana García; Miguel Ortigoza; José Antonio León; Sergio Cházaro; José Hugo Estrada Zárate; Iliana Galilea Cariño Cepeda; Pablo Reyna; Guillermina Margarita López Corral; Ana María Corro; Lorena Diego y Fuentes; Enrique González Ruiz; Ignacio Román; Cecilia Zeledón; Berta Maria Rayas Camarena; Judith Arteaga Romero (maestrante Defensa y Promoción de los Derechos Humanos UACM); Aurora Furlong; José Luis San Miguel; Alma Ugarte; Juan Manuel Gutiérrez Jiménez

Organizacões:

ESTADO ESPAÑOL: CGT; ASSI (Acción Social Sindical Internaciolalista); Associació Solidaria Cafè Rebeldía-Infoespai – Barcelona; Centro de Documentación sobre Zapatismo (CEDOZ); COLOMBIA: Pueblos en el Camino; ALEMANIA: Gruppe B.A.S.T.A., Munster; BRASIL: CSP-Conlutas –Brasil;  BÉLGICA: Casa Nicaragua-Liège; CafeZ –Liège; CÓRCEGA: Corsica Internaziunalista; PAÍS VASCO: La Federación Anarquista Ibérica de Euskal Herria (FAI); ITALIA: Associazione Ya Basta! –Milano; Centro Sociale CasaLoca – Milano; Associazione Ya Basta – Padova; Nodo Solidale (Italia y Mexico); Comitato Chiapas “Maribel” – Bergamo; FRANCIA: Les trois passants – Paris; Caracol Solidario – Besançon; Colectivo Grains de sable; Union Local de la Confédération Nationale du Travail (CNT31-Toulouse); Secrétariat international de la CNT – Francia; Tamazgha, asociacion berbères-Paris; Comité de solidarité avec les Indiens des Amériques (CSIA-Nitassinan); Groupe de soutien à Leonard Peltier (LPSG-Francia); La Fédération des CIRCs – Paris; Comité Tierrra y Libertad de Lille; Réseau latino-américain de Lille; Émission Torre Latino/Radio Campus – Lille; Comité de Solidaridad con los Pueblos de Chiapas en Lucha(CSPCL), Paris; Espoir Chiapas – Montreuil; Mut Vitz 13 de Marseille; REINO UNIDO: UK Zapatista Solidarity Network; Dorset Chiapas Solidarity Group; Edinburgh Chiapas Solidarity Group; Kiptik (Bristol); London Mexico Solidarity Group; Manchester Zapatista Collective; UK Zapatista Translation Service; Zapatista Solidarity Group – Essex; MÉXICO: Enlace Urbano de Dignidad; Nodo de Derechos Humanos; Unidad Obrera y Socialista (¡UNIOS!); Unión de Vecinos y Damnificados “19 de Septiembre” (UVyD-19); La Voz de los Zapotecos Xiches en Prisión; Colectivo La Flor de la Palabra; Comité de Solidaridad con Mario González, DF; Colectivo de Profesores de la Sexta; Frente del Pueblo; Serpaj; Colectivo “pensar en voz alta”; UniTierra Puebla; Colectivo Utopía Puebla; Colectivo de Salud adherente a la Sexta; Grupo “Salud y Conciencia”

Internacionais:

Internacional de las Federaciones Anarquistas (IFA); Federación Anarquista francófona (Francia, Bélgica, Suiza); RED EUROPEA DE SINDICATOS ALTERNATIVOS Y DE BASE: Confederación General del Trabajo, CGT – Estado español; Union syndicale Solidaires- Francia; Confederazione Unitaria di Base, CUB – Italia; SUD Vaud, Suiza; Confederacion Intersindical – Estado español; Unione Sindicale Italiana, USI – Italia; Intersindical Alternativa de Catalunya, IAC –Catalunya; Confederazione Italiana di Base, UNICOBAS – Italia; Confédération Nationale des Travailleurs Solidarité Ouvrière, CNT-SO – Francia; Transnational Information Exchange , TIE – Alemania; Associazione per i Diritti dei Lavoratori Cobas, ADL COBAS – Italia; Solidaridad Obrera, Estado Español; Confédération Nationale du Travail, CNT –Francia; Sindacato Autorganizzato Lavoratori Cobas, SIAL COBAS – Italia; Sindacato Intercategoriale Cobas Lavoratori Autorganizzati, SI COBAS – Italia;ESE –Grecia; Union Syndicale Etudiante Fédération Générale du Travail de Belgique, USE –Bélgica; Ogólnopolski Zwi?zek Zawodowy Pielegniarek i Poloznych, OZZ PIP –Polonia; Ogólnopolski Zwi?zek Zawodowy Inicjatywa Pracownicza, OZZ PIP – Polonia; ORGANIZACIONES ESTUDIANTILES: Solidaires Étudiant-e-s, Francia; Union Syndicale Étudiante, Belgica; SUD étudiants et précaires, Suiza

Francês: http://i-f-a.org/index.php/es/communique-d-autres-organisations-10/581-notre-douleur-notre-rage

Espanhol: https://solidaridadmariogonzalez.wordpress.com/

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