(memória libertária) Imprensa anarquista e anarcosindicalista de Évora (1909/1921)


bandeira

Vitor Sá enumera vários títulos de jornais operários publicados em Évora a partir de finais do século XIX. Segundo o historiador (1), que se baseia em informações, por exemplo, de Edgar Rodrigues e Carlos da Fonseca, desde 1865 terão existido em Évora os seguintes jornais de cariz operário e mutualista: “O Clamor dos Artistas, 1865; A Ideia, 1877; O Correio Eléctrico, 1883; O Operário, 1889; A Aurora Farmacêutica, 1896; Mérito, 1900 (número único dos tipógrafos); A Alvorada, 1903; Avante!, 1909; A Voz do Caixeiro, 1909; O Trabalhador Rural, 1912; O Primeiro de Maio, 1914 (número único); Aurora Social, 1919; O Despertar, 1921”.

Destes, os mais relevantes foram, sem dúvida:

avante

1 – O AVANTE!, orgão e propriedade da Biblioteca do Grupo de Propaganda Livre. Jornal assumidamente anarquista. Série I e II, 8 números. 1909-1911. O primeiro número foi publicado em Fevereiro de1909, tendo como administrador Sertório Augusto Fragoso e Redactor Francisco Direitinho. A Redacção e Administração situavam-se na Rua de Santa Clara, 11, Évora Era composto e impresso na Minerva Comercial, Rua do Paço, 73 Évora.

O Grupo de “Propaganda Livre”, iniciou-se  em Évora em 1908 e ainda existia em 1912, pelo menos, tendo aderido em 1911 à Federação Anarquista da Região Sul. Dedica-se à propaganda, à edição do jornal “Avante”, à organização da biblioteca e de conferências.  Teve uma grande influência nas greves dos rurais alentejanos de 1911/1912 (2). Pertenceram a este Grupo os seguintes militantes: Elias Matias (3), Sertório Fragoso, Francisco Direitinho, Possidóno Mesquita, Manuel Pratas, Celestino Vale, Jerónimo Santos, António Nicolau, J. Marques Leitão. Alguns autores (4) defendem que José Sebastião Cebola, que se destacou na organização dos trabalhadores rurais e na propaganda anarquista na região de Évora também pertencia a este grupo.

trabalhador rural

2 –  O  Trabalhador Rural, órgão da Federação Nacional dos Trabalhadores Rurais, que tinha sede em Évora. O primeiro número saiu a  8 de dezembro de 1912, tendo sido publicados 16 números entre 1912 e 1914. O Director era Diogo Bernardes. Editor: José António Aragão. Administrador:  António  Marcelino. Publicação mensal. Redacção e Administração: Rua da Freiria de Cima, 21- Évora. Composto e Impresso na Tipografia Eborense, Rua Miguel Bombarda, 1 a 5. Deste jornal saiu ainda um número único a 2 de Junho de 1918.

A Federação Nacional dos Trabalhadores Rurais (vulgo Federação Rural) foi criada em 1912 e extinta em 1933, apesar de  a partir de 1927 ter funcionado numa situação de semi-clandestinidade, utilizando a designação de “Comissão Nacional de Estudos e Defesa Rural” de 1929 em diante. Na actividade organizativa dos trabalhadores rurais alentejanos destacaram-se os seguintes anarco-sindicalistas  José Joaquim Candieira, Vital José, José Cebola e Quirino José (todos chegaram a desempenhar as funções de Secretário-Geral da Federação). Sindicalistas revolucionários: Diogo Bernardes, Joaquim Fornalha, José António Aragão e Jesuíno Madeira. (5)

aurora social 2

http://bdalentejo.net/BDAObra/BDADigital/Obra.aspx?id=704

3 – Aurora Social, órgão da União dos Sindicatos Operários de Évora, filiada na CGT. Era na sua sede na Praça Joaquim António d’Aguiar, 14 que o jornal tinha a redacção e a administração. Era composto e impresso na Minerva Comercial. A sua publicação começou em Novembro de 1919 e foram editados 6 números regulares e um número sobre o 1º de Maio, fora de colecção, em 1922. De periocidade mensal (nem sempre alcançada). Teve como editor Joaquim Nogueira (que era o secretário-geral da União dos Sindicatos Operários de Évora) e Anibal Queiroga (6) como redactor principal (este já não participa na feitura do sexto número, embora o seu nome ainda esteja no cabeçalho).

13AV01_01081921_0001_[1]r

http://bdalentejo.net/BDAObra/BDADigital/Obra.aspx?id=695

4 –  Avante!.., propriedade do Grupo Editor “Avante!…”, iniciou e terminou  a sua publicação em 1921, em Évora, tendo sido publicados três números.  Tinha como editor Armando Pratas, administrador Joaquim Nogueira (7), redactor principal Manuel Ramos e secretário de redacção Fernando Silva Junior. Era impresso na Minerva Comercial, agora na Rua da República, 75, em Évora. A redacção e administração eram na Praça Joaquim António d’Aguiar, 14 (sede da União de Sindicatos Operários de Évora). Era um jornal assumidamente anarquista – intitulava-se mesmo Precursor da Sociedade Igualitária – embora se notem já os ecos da revolução russa, defendida inicialmente por muitos anarquistas que consideravam que o ideal dos bolcheviques era semelhante ao seu e que os sovietes eram a base de organização da nova sociedade, sem Estado nem um partido político dirigente. A pouco e pouco esta adesão aos ideais da revolução russa vai-se desvanecendo e a maior parte dos libertários adopta uma posição crítica acerca da forma como o poder do partido comunista russo se exerce sobre a sociedade e de que é exemplo o Avante nº 2, de Agosto de 1921, em que é publicado um manifesto dos anarquistas russos intitulado: “ Pela Liberdade contra a Ditadura: um apelo dos anarquistas russos ao proletariado de todos os países”.

António M. Lourenço

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