(Opinião) Sócrates é só mais um da casta corrupta que gere o Estado e a economia


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Os últimos tempos, em Portugal, têm sido cheios de frisson político-económico e mediático. Desde que Ricardo Salgado levou o seu banco à falência (ele lá sabe porquê), que os vistos gold de Paulo Portas deram no que deram (e todos sabemos porquê) e que José Sócrates foi preso à chegada ao aeroporto de Lisboa na sexta-feira passada (e todos não duvidamos de que muitas das acusações vindas à praça pública são verdadeiras) que as lutas entre a classe dirigente, seja do ponto de vista político, judicial ou económico está ao rubro. Desde o caso Casa Pia, com a prisão de alguns notáveis que a opinião pública não se dividia entre os que sim, os que não e os que também. Há os que acham que Sócrates tem culpas no cartório e que devia já estar preso há muito tempo, outros que consideram tudo isto uma cabala político-partidária.

Para nós, anarquistas, é tudo isso e muito mais. Consideramos que todos estes políticos, tirando raríssimas excepções, que diariamente convivem com o “pote”, são-lhe extremamente dedicados e, com clientelas a quem proteger, nunca hesitarão, pessoal ou corporativamente, a meterem a mão no “mel”, sobretudo quando sabem que agem acima de qualquer poder ou instituição. São eles o poder e o Estado.

Consideramos também que a justiça que existe é uma justiça de classe e de grupo, que – em cada momento – protege uns e ataca outros, conforme aquilo que interessar ao grupo no poder – que nomeia e desnomeia, classifica e desclassifica todo e qualquer agente do poder judicial que, regra geral, se afirma como independente apenas para exercer melhor a sua dependência.

Estamos cientes de que o Estado está sempre ao serviço dos poderosos – existindo permanentemente uma luta de grupos pelo seu controlo, que em nada se diferenciam uns dos outros – e que, paralelamente, gera uma classe própria de dirigentes e de burocratas, intimamente ligada aos interesses económicos, políticos e partidários que, muitas vezes na penumbra, são quem dirige efectivamente os grandes projectos e os grandes esquemas de corrupção.

Sabemos que em Portugal, tanto como noutros países, no pós 25 de Abril o aparelho de Estado foi tomado por uma classe político-partidária-económica que tem gerido todos os interesses que podem gerar lucros, desde os fundos comunitários usados nas grandes e pequenas obras públicas (em que as auto-estradas e os estádios do Euro são apenas exemplos) até à gestão dos sistemas de saúde, lixo ou protecção social.

O Estado em Portugal – e na generalidade dos países – é o que sempre foi: a junção de um  conjunto de interesses políticos e económicos que passam pela espoliação dos parcos rendimentos de quem trabalha e de quem sofre, de quem está no fim da chamada escala social.

Os de baixo, os que não têm qualquer cargo político ou poder económico, são as vítimas deste sistema e quem ocupa cargos, seja qual for a sua posição na hierarquia do poder, suga e utiliza em seu proveito próprio  – e de grupo – as riquezas criadas pela sociedade no seu conjunto.

A classe política, partidária, conivente com os interesses económicos mais bárbaros, é uma classe exploradora, corrupta, que vive daquilo que todos nós produzimos.

Salgado, Sócrates, Portas e todos esses personagens cujos nomes poderíamos enumerar – e que muitas vezes vai do chefe de Estado ao presidente de Câmara, do chefe da repartição de finanças ao administrador da grande empresa – pertencem à casta corrupta, sugadora de energias e riqueza de que nos temos que livrar.

Difícil é imaginar que qualquer um deles seja inocente. O seu trajecto, a necessidade de assegurarem clientelas e fundos, o espaço de marionetas de um sistema que alimentam e que deles se alimenta, cada vez torna mais actual a velha premissa dos libertários de que é preciso destruir o poder e não tomar o poder. O poder toma quem julga que o vai tomar. Aqui não há inocentes.

O Estado, a classe político-económica que o gere, é o lugar da corrupção, o terreno de eleição dos compadrios clientelares, a cama onde todos os ricardos salgados, sócrates, portas e outros se deitam acumulando luvas e fortunas.

Nunca como hoje é tão clara a necessidade de destruir o Estado e criar órgãos de gestão da vida colectiva verdadeiramente democráticos, assentes na democracia directa e com o mínimo de representação possível. Onde a solidariedade e o apoio mútuo substituam a concorrência, a competição e a avidez pelo lucro.

Sócrates, Ricardo Salgado, Portas, os tipos do SIS, das Finanças, Passos Coelho, Cavaco…. (seria fastidiosa a lista…) são o lixo desta sociedade e serão o lixo de uma sociedade futura. A corrupção está-lhes pegada ao exercício dos cargos e circula-lhes no sangue. Não há Estado sem corrupção ou clientelas. Sócrates é só mais um da casta corrupta que gere o Estado e a economia.

António T. (por email)

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