(opinião) Sócrates e a banalidade do Mal ou A volta do condottieri (2)


Capturar

Não nos deixemos equivocar: o caso Sócrates não é fundamentalmente um caso de polícia ou de justiça, mas sim eminentemente e no mais alto e triste grau um caso de política.

 De política especiosa ou, mesmo, especial? Talvez… Mas claramente um caso onde o que emerge é a panorâmica de uma prática política que pelos anos fora – nos lugares expressos em que este sedutor aventureiro político pôde estribar a sua maneira de estar e de fazer estar – foi criando um estilo entre a arrogância, a agressividade e o descaramento demagógico  que não só colocaram o País à beira da bancarrota mas, ainda pior, à beira da falência ética e moral.

  Basta termos acompanhado, com algum pormenor, durante o par de anos transactos, os espaços públicos onde a mentalidade do condottieri (pois não é verdadeiramente, nem nunca foi, um líder, mas claramente um condottieri, com toda a carga ideológica e pessoal que essa condição arrastava) extravasava no exemplo dos seus partidários e áulicos, para se entender tudo: a agressividade compulsiva, a arrogância pesporrente, a ausência de ética nos escritos e nos ataques aos oponentes, em suma: a sombra extremamente perceptível de um posicionamento a que poderemos dar a classificação de cripto-fascista típica, jogando no revanchismo, na postergação de uma atitude tolerante, muitas vezes descendo ao enxovalho e à violência verbal desbragada.

 O indivíduo político em causa cifrou na sua figura e no seu estilo tudo o que de pior tem existido no ambiente conceptual da nação. Por isso não admira que tenha sido o chefe sonhado e amado pelos seus asseclas, para quem os antónios josés seguros e os antónios costas não passam de passageiros secundários para a ocupação provisória da barca em que apostavam por não terem outro remédio, mas que os não fazia esquecer do “chefe” real onde se concentravam as suas nostalgias e as suas esperanças de poderem voltar a dominar intengivelmente, mas muito consistentemente, o País que ajudaram a depredar.

 Os elogios e as declarações sistemáticas de reverência ao condottieri, propiciadas pelos seus partidários intransigentes, seduzidos pelo seu carisma de “animal feroz da política” (expressão que traz bem o selo de um discurso cripto-fascista típico, pela brutalidade da frase) não traduz senão a captura por um tipo de prática política contra os interesses do Povo e da nação.

  Não podem portanto os membros do Partido Socialista, que por excesso ou por diferença consentiram no domínio interiorizado da mentalidade e da postura material socrática, virem agora eximir-se a responsabilidades alegando que uma coisa é a política em que se mergulham e, outra, as responsabilidades do foro judicial em que ele – o político que sempre epigrafaram e desculpabilizaram – está metido.

 O caso de Sócrates é directamente dependente de um estilo e uma prática política evidente, muito própria e muito marcada.

  Pretenderem convencer-nos do contrário é apenas uma simulação mais que agora tentam para sacudirem do capote a água pantanosa em que se deixaram ir existindo!

ns (via mail)

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