Requisição civil na TAP: o que está em causa é já o próprio direito à greve!


greve

O Governo acaba de decretar a requisição civil aos trabalhadores da TAP que pretendiam fazer greve entre o Natal e o Ano Novo. Já em 1997 uma greve de trabalhadores da TAP tinha sido motivo para a requisição civil, na altura decretada por um governo do PS.

Que aos governos e aos patrões as greves incomodem e que tentem por todos os meios boicotar e evitar greves combativas, em sectores relevantes, seja em termos sociais, seja em termos de imagem, como são os transportes públicos e principalmente as companhias aéreas, não é novidade.

Novidade é neste caso esta “requisição civil” acontecer ainda antes dos serviços mínimos estarem decididos e os grevistas terem declarado se os vão ou não acatar.

O que está aqui em causa é já o próprio direito à greve que o governo decide anular por completo sob a alegação de “prejuízos de centenas de milhões de euros” para o país.

Como se ao governo ou aos patrões coubesse dizer quando vai ter ou não lugar esta ou aquela greve.

Por definição uma greve é um braço de ferro entre os trabalhadores e a empresa ou o governo, no caso das empresas do Estado, em torno de uma reivindicação concreta e tem como objectivo causar o maior prejuízo ou as maiores dificuldades possíveis à entidade empregadora de maneira a que seja forçada a ceder às reivindicações dos trabalhadores – mas estes também têm a sua quota-parte de sacrifício que é o de serem penalizados nos salários e noutros complementos salariais durante o tempo em que decorre a greve e, muitas vezes, penalizados no futuro em termos de promoções e carreiras.

É nesta equação entre prejuízos e benefícios que decorrem as greves. Por isso, é habitual que os sindicatos – mesmo os sindicatos actuais, imbuídos do reformismo e da falta de visão transformadora da sociedade que se lhes reconhece – quando vão para a greve procurem momentos particulares e muito precisos (determinadas época do ano, alguns dias da semana, alguns horários específicos) em que os efeitos da paralisação possam afectar mais fortemente as entidades patronais ou o governo.

Por todo o mundo, o Natal, o Ano Novo ou a altura das férias de verão são quase sempre os momentos escolhidos para as maiores greves da aviação, da hotelaria ou de outros sectores ligados ao turismo.

Pretender greves inócuas – é esse o papel dos Estados e do Capital. Compete aos trabalhadores resistir e afrontar os senhores do poder e os senhores do dinheiro, voltando a fazer das greves instrumentos decisivos nas lutas dentro e fora das empresas.

Nesta luta dos trabalhadores da TAP o que está em causa é a luta contra a privatização duma empresa pública estratégica. Não há patrões bons e o Estado não é melhor patrão do que os privados. Mas é relevante o facto duma empresa com a dimensão e o peso estratégico da TAP ter uma definição pública que a passagem para as mãos de privados não garante de forma nenhuma.

Como anarquistas defendemos a propriedade social dos meios de produção e de transporte coordenados por organismos criados para o efeito e geridos pelos próprios trabalhadores.

Esta greve dos trabalhadores da TAP (e esperamos que os sindicatos não façam agora marcha atrás, como fizeram aquando da tão famosa manifestação pela Ponte 25 de Abril, que foi proibida pelo governo e a CGTP aceitou tal decisão) é por isso muito importante e, com ou sem requisição civil, é necessário que vá para a frente.

Ou os sindicatos oficiais acreditarão que é recuando, recuando sempre, que conseguirão alguma vez ter algum ganho significativo nas lutas que empreendem?

J.N, anarco-sindicalista (enviado por email)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s