Dia: Janeiro 8, 2015

(Évora) Esta sexta-feira concentração pela liberdade de expressão e contra todos os fanatismos políticos ou religiosos


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Um grupo de activistas de diversas proveniências políticas e sociais que durante largos meses animaram  assembleias de rua diárias (e depois semanais) e estiveram na origem de algumas manifestações de “indignados” (15 de Outubro, 12 de Maio, 2 de Março…), que juntaram muitas centenas de manifestantes, convocaram para amanhã, sexta-feira, em Évora uma concentração em defesa da liberdade de expressão e de opinião e contra os fanatismos religiosos e políticos. A concentração/vigília realiza-se a partir das 17, 30H na Praça do Giraldo, junto à Igreja de Santo Antão – local onde, precisamente, há alguns séculos o fanatismo católico queimou e seviciou centenas de cidadãos, mortos e torturados em nome de um deus vingador. Tão vingador como o allah dos bárbaros islamistas que sonham com um califado mundial, mas a que as comunidades libertárias do Kurdistão têm sabido fazer frente, nomeadamente impedindo a queda de Kobane. O Portal Anarquista está com todos os que defendem a liberdade contra a mentira e a opressão. Por isso estamos com esta manifestação de cidadania.

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Depois dos atentados de Paris

Concentração/vigília em Évora  esta sexta-feira em defesa da liberdade de expressão e contra todos os fanatismos (políticos ou religiosos).

Esta quarta-feira a redacção em Paris do jornal satírico Charlie Hebdo foi atacada e foram mortas 12 pessoas, seis das quais jornalistas. Os autores do atentado terão sido fanáticos islamitas ligados aos grupos que combatem as comunidades livres curdas no norte da Síria e no Iraque em nome da instauração de um Califado à escala global.

Só em 2014 foram assassinados 61 jornalistas por todo o mundo, em zonas de conflito por exércitos em guerra ou em países “democráticos” em acções punitivas feitas por grupos armados.

Com o avanço da extrema-direita em muitos países da Europa (Holanda, Alemanha, França…) o fanatismo religioso aparece como um precioso aliado para aqueles que combatem a liberdade de expressão, de reunião e de opinião de todos os seres humanos, para além da cor da pele, das religiões ou das ideias políticas de cada um.

Não confundimos os seguidores de nenhuma religião com os seus sectores mais fanáticos e extremistas, mas consideramos que o facto de se ser crente é uma opção individual, que se deve respeitar no quadro de sociedades laicas e, por isso, combatemos todas as religiões de Estado.

Por considerarmos que:

  1. a liberdade de expressão, de reunião e de opinião é um dos valores mais preciosos que a humanidade, através de séculos de luta, conseguiu conquistar;
  2. que o massacre de Paris, pela dimensão e pela forma como foi realizado, simboliza o perigo real que a liberdade de expressão e informação hoje constituem contra os fanatismos, incluindo o religioso;
  3. não podemos ficar silenciosos enquanto a extrema-direita e os totalitarismos avançam, de novo, em muitas partes do globo, nomeadamente na Europa;

Associamos, por isso, o nosso grito de consternação e repulsa ao assassinato de jornalistas em todo o mundo por fanáticos e extremistas, sejam políticos ou religiosos, cujo objectivo é criar sociedades autoritárias e ditatoriais, em que a autonomia e a capacidade de afirmação individuais e colectivas estejam reduzidas ao mínimo possível;

e convidamos todos os eborenses a juntarem-se a nós numa concentração/vigília em defesa da liberdade de expressão e de opinião e contra todos os fanatismos, esta sexta-feira, dia 9 de Janeiro, pelas 17,30 horas, na Praça do Giraldo (junto à Igreja de Santo Antão), em Évora.

Contamos contigo!

aqui: https://www.facebook.com/events/1592312124338520/

OS ATENTADOS EM FRANÇA – uma reflexão


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Carlos Latuff antecipa os efeitos do atentado à sede do Charlie Hebdo

Vitor Lima

As intervenções ocidentais no mundo islâmico apenas têm desestruturado e empobrecido esses países e têm apoiado e armado – juntamente com os sheiks do petróleo – grupos que encontram no fanatismo salvítico, milenarista, a sua coesão.

Milhões de pessoas da Europa do Sul, da África e do Médio Oriente procuram os países ricos para sobreviverem e onde os esperam riscos e humilhações à entrada e pobreza e discriminação no trabalho.

A austeridade, o desemprego que assolam a Europa, entregue a classes políticas de fanáticos neoliberais que a todo o momento dizem não haver alternativa à pobreza e à perda de direitos, não para de gerar insegurança e medo do futuro.

À imagem do 11 setembro de 2001, não há medidas de segurança invulneráveis, sobretudo quando não se quer passar das lógicas de mercado, da competitividade, do salve-se quem puder, num planeta a caminho do desastre ambiental e humanitário.

Mas há sempre margem para sossegar os simples com a prisão de uns quantos facínoras assassinos (ou quem possa servir para apresentar como tal), com mais recursos para as polícias, com mais abusos e retirada de direitos, com mais videovigilâncias, que em regra, servem apenas para retratar… o próximo atentado.

O fanatismo incendiário não é monopólio de jihadistas. Em França um idiota qualquer publicou um livro – best seller – onde prevê a sharia a vigorar em França (!!) e, anos atrás um dignitário do PSD ( já falecido) dado a bocas parvas referia que a bandeira do Islão flutuaria na torre Eiffel… como que numa inversão do resultado da batalha de Poitiers, no século VIII.

Num mundo global, não há alternativa ao multiculturalismo, à convivência entre diferentes; o encerramento identitário é o berço da desconfiança face ao Outro, do racismo e do fascismo. Para já, a Le Pen recebeu um brinde trazido por reis magos não vindos do Oriente mas, provavelmente nascidos nos arrabaldes pobres de Paris.

aqui: https://www.facebook.com/vitor.lima.9678067

Manifestantes protestam no centro de São Paulo

(Alternative Libertaire) Charlie Hebdo, a tristeza e a cólera


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O massacre perpetrado nas instalações de Charlie Hebdo, hoje ao fim da manhã, é um acto ignóbil, a condenar sem reservas.

O choque emocional é imenso e pensamos em primeiro lugar nas pessoas próximas às vítimas.

Se se confirmar que esta carnificina foi obra de fascistas religiosos, é preciso, mais uma vez, denunciar as ilusões mortíferas dos fanáticos que sonham submeter a sociedade à religião. Nós continuaremos a combater todos os fascismos, quer se refugiem nas religiões judia, cristã, muçulmana ou outras. E, desde já, condenamos qualquer acto de violência islamofobo que seja cometido a título de “represálias”.

(mais…)

(França) Comunicado da Federação Anarquista e dois outros textos sobre o atentado contra a redacção do Charlie Hebdo


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A Federação Anarquista tomou conhecimento com horror do massacre perpetrado nas instalações do jornal satírico Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos e um número maior de feridos.

Partilhamos a emoção, a indignação e a dor das famílias, dos amigos, dos colegas, depois deste crime odioso. Entre as vítimas, algumas colaboraram em determinada altura no Monde Libertaire, e embora as nossas posições possam ter divergido, eles continuarão na memória de numerosos camaradas.

Este atentado deve-nos relembrar que o obscurantismo religioso enquanto política é assassino.

Nós condenamos os assassinos, mas estaremos igualmente vigilantes face às reacções da extrema-direita ou ao dispositivo policial do Estado.

Nós continuaremos a combater a opressão, o autoritarismo e a intolerância, que se escondem atrás da religião, da nação ou da ordem securitária.

Federação Anarquista, 7 de Janeiro de 2015

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Ele desenhou primeiro”, homenagem de David Pope, ilustrador no “Camberra Times”

Nem deus Nem mestre!

Os nossos camaradas do Charlie Hebdo acabam de pagar um pesado tributo pela liberdade de expressão. Vários polícias fazem parte igualmente das vítimas.

Nós prestamos homenagem a todos e a todas estas vítimas.

Os anarquistas são, em geral, ateus. Denunciam desde sempre TODAS as religiões como sendo o ópio do povo. E TODAS as igrejas, dealers deste ópio.

No entanto os anarquistas respeitam a liberdade de crença desde que ela se exerça no quadro duma sociedade laica. O que implica o direito de criticar TODAS as religiões.

Este direito foi hoje posto em causa pelo fanatismo religioso.

Nestas condições, hoje, o nosso dever é de criticar, duma forma ainda mais forte que Charlie Hebdo, TODAS as religiões.

E o dever dos nossos camaradas, amigos, concidadãos ou simplesmente vizinhos, crentes, é de denunciar de forma alta e clara estes assassinatos fascistas.

Grupo J.B Botul – Federação Anarquista

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Não uivaremos com os lobos!

O atentado cometido esta quarta-feira 7 de Janeiro pela manhã contra o Charlie Hebdo por alguns indivíduos, reclamando-se do Islão, não nos deve fazer perder a capacidade de raciocínio, apesar da emoção, bem compreensível, que nós partilhamos, de muitos camaradas nossos. Se num determinado período o meio libertário, muito em particular a nossa organização, esteve próximo destes herdeiros do Hara Kiri, a sua emanação contemporânea já nos deixou de fazer rir há muito tempo.

Não escolhemos nem vamos escolher entre integristas e desinibidores dum racismo “de esquerda”. Nós não escolheremos entre reaccionários religiosos de que conhecemos bem as práticas qualquer que seja a sua seita e um jornal veiculando a islamofobia debaixo da cobertura da laicidade e da liberdade de expressão. Desde a sua origem a nossa organização combate todas as religiões e as suas emanações integristas venham de onde vierem. Não cairemos na armadilha grosseira da unidade nacional contra “o inimigo comum”.

A nossa solidariedade vai para aqueles que vão sentir o ricochete deste assassinato imbecil e criminoso a mais do que um título. Já se ouviu o tiro de partida para a caçada e o que retém o poder “socialista” de se lhe entregar totalmente é o medo de não serem eles a recolherem os frutos nas próximas eleições. Vemos já florirem os discursos sobre a guerra civil, apenas algumas horas depois deste atentado.

Nós não escolheremos também o terreno duma extrema-esquerda que confunde, na sua estupidez essencialista e politiqueira, realidades tão diversas como o proletariado, o Islão, o racismo, os sem-papéis ou os “jovens da periferia”, fantasiando sobre um alegado potencial revolucionário dos muçulmanos.

Este atentado dá-se num período de estigmatização dos muçulmanos ou assimilados enquanto tal. É preciso relembrar que a islamofobia é um instrumento do poder visando dividir a nossa classe e as suas lutas. Ela não se desenvolve como reacção a um alegado “problema muçulmano”. O movimento anti-Islão alemão “Pegida”, que ganha dimensão, é caracterizado por esta psicose, mas a população “muçulmana” deste país representa menos de cinco por cento da população.

No entanto, é principalmente sobre este sentimento de invasão, “de islamização”, que a extrema direita se estrutura nestes últimos anos. Não temos nenhuma dúvida de que o massacre reaccionário de Charlie Hebdo vai reforçar este fenómeno e dará à FN (Frente Nacional, fascista) e aos seus satélites uma maior legitimidade para defenderem a existência de um conflito étnico como problema de fundo e a escolha nacional como solução.

Neste período conturbado, os anarquistas devemos guardar a cabeça fria e manter uma linha de demarcação clara entre nós e os nossos inimigos: integristas de todas as capelas, xenófobos de esquerda como de direita, sexistas de todos os horizontes e pretensos comunistas virados para a reconciliação nacional e para o inter-classismo.

Grupo Regard noir – Federação Anarquista