Dia: Janeiro 13, 2015

(Guiné-Bissau) Crónica duma luta por água e electricidade. E pelo projecto duma escola libertária.


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Guiné Bissau: Quarenta anos de independência, pobreza e medo

por Vavá Oliveira

A Guiné Bissau tem o recorde negativo de se contar entre os países mais pobres do mundo: 65% da sua população vive no limiar da pobreza. Mesmo famílias que ganham um ou mais salários correm o risco de ter apenas uma refeição por dia. Na capital, Bissau, acresce o péssimo serviço da empresa pública que deve fornecer corrente eléctrica e água potável. Na ausência desta última o quadro sanitário piora e doenças como o tifo e a cólera são endémicas. Nos hospitais o serviço de saúde e os medicamentos estão sujeitos a pagamento. Não há escolas nem professores para todos, e mesmo após pagamento das taxas escolares o curso pode ser suspenso ou cancelado. O resultado é 50% de analfabetismo e uma esperança de vida que a custo ultrapassa os 45 anos.

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(Charlie Hebdo) In memoriam


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Se queres construir as cidades ideais
Destrói primeiro as monstruosidades
Governos, casernas, catedrais
Que são para nós puras absurdidades
Sem mais esperarmos vivamos o comunismo
Não nos juntemos senão por afinidade
A nossa felicidade nascerá do altruísmo
Que os nossos desejos sejam realidade

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(memória libertária) Jornal ‘Avante’ de Évora (1921) publica apelo a favor da revolução russa e contra a ditadura bolchevique


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No dia 14 de Agosto de 1921 o quinzenário eborense “Avante”, propriedade do Grupo Editor Avante, publica um apelo dos anarco-sindicalistas russos para a defesa da revolução russa, mas já muito crítico do regime implantado pelo partido bolchevique. Em Portugal os ecos da revolução russa ainda estavam muito vivos entre os trabalhadores mais conscientes, embora muito deles já se começassem a aperceber de que a nova ditadura “do proletariado” era cada vez mais uma ditadura dos bolcheviques sobre o restante movimento operário e popular. Em Agosto de 1921 já tinha sido esmagada com mão de ferro, por Lenin e Trostky, a revolta dos marinheiros revolucionários de Kronstadt; as prisões já estavam cheias de anarquistas e a maior parte das suas sedes e jornais fechados; é também em Agosto de 1921 que o movimento revolucionário ucraniano liderado por Nestor Makhno é esmagado pelos bolcheviques e os seus principais dirigentes obrigados a deixarem a Ucrânia. Apesar deste contexto, os anarquistas russos tentam ainda salvar a revolução da sua deriva autoritária e pedem apoio internacional. Não o vão conseguir. A ditadura “soviética” reforça-se nos meses e anos que se seguem e muitos milhares de anarquistas e anarco-sindicalistas pagam com a liberdade e com a vida a sua fidelidade aos ideais revolucionários. Uma ditadura que se manterá de pé durante várias décadas, mantendo sempre características imperialistas, que levaram o “comunismo de estado” a implantar-se em diversos países. Já decadente e com menos vigor ideológico e repressivo do que em décadas anteriores, a ditadura dita “soviética” implodiu em finais da década de 80 deixando apenas saudades a alguns sectores mais extremistas e radicalizados do marxismo-leninismo para quem a “União Soviética” era “o sol do mundo”.

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