(Charlie Hebdo) In memoriam


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Se queres construir as cidades ideais
Destrói primeiro as monstruosidades
Governos, casernas, catedrais
Que são para nós puras absurdidades
Sem mais esperarmos vivamos o comunismo
Não nos juntemos senão por afinidade
A nossa felicidade nascerá do altruísmo
Que os nossos desejos sejam realidade

De pé, de pé, companheiros de miséria
A hora chegou, é preciso revoltarmo-nos
Que o sangue corra e avermelhe a terra
Mas que seja pela nossa liberdade
Recua quem ficar estacionário
Isso acontece de muito filosofar
De pé, de pé, velho revolucionário
E a anarquia enfim vai triunfar

Apodera-te agora da fábrica
Do capital não sejas jamais o servidor
Recupera a ferramenta, recupera a máquina
Tudo é de todos, nada é do explorador
Sem preconceitos, segue as leis da natureza
E não produzas senão por necessidade
Trabalho fácil ou tarefa muito dura
O seu valor depende da sua utilidade

De pé, de pé, companheiros de miséria
A hora chegou, é preciso revoltarmo-nos
Que o sangue corra e avermelhe a terra
Mas que seja pela nossa liberdade
Recua quem ficar estacionário
Isso acontece de muito filosofar
De pé, de pé, velho revolucionário
E a anarquia enfim vai triunfar

Sonha-se com o amor para além das fronteiras
Sonha-se com o amor também do teu lado
Sonha-se com o amor nas nações inteiras
O erro dá lugar à realidade
Sim, a pátria é um absurdo
Um sentimento misturado de cobardia
Não te tornes carne para canhão
Jovem recruta mais vale desertares

De pé, de pé, companheiros de miséria
A hora chegou, é preciso revoltarmo-nos
Que o sangue corra e avermelhe a terra
Mas que seja pela nossa liberdade
Recua quem ficar estacionário
Isso acontece de muito filosofar
De pé, de pé, velho revolucionário
E a anarquia enfim vai triunfar

Lugar para todos no banquete da vida
O nosso apetite só pode ser limitado
Quando para cada um a mesa estiver servida
Com a barriga cheia o homem pode discutir
Que a nitro como a dinamite
Estejam lá enquanto se discute o assunto
Se for necessário rebentemos a panela
E dos nossos males apressemos a cura

De pé, de pé, companheiros de miséria
A hora chegou, é preciso revoltarmo-nos
Que o sangue corra e avermelhe a terra
Mas que seja pela nossa liberdade
Recua quem fica estacionário
Isso acontece de muito filosofar
De pé, de pé, velho revolucionário
E a anarquia enfim vai triunfar

Nota:  Poema escrito pelo anarquista francês Charles-Henri Jean, que usava o pseudónimo Charles d’Avray, nascido a 9 de Setembro de 1878 e falecido a 7 de Novembro de 1960. Escreveu centenas  de textos denunciando o Estado, a religião, o militarismo, as prisões e afirmando o ideal libertário.

Tradução de R.T. (enviado por email). Possivelmente esta é a primeira tradução publicada deste poema em português, que a seguir ao 25 de Abril era muito cantado nos convívios anarquistas mais militantes (nomeadamente do Grupo “Acção Directa”), sobretudo por parte de antigos exilados em França.

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Versão em francês:

Tu veux bâtir des cités idéales,
Détruis d’abord les monstruosités.
Gouvernements, casernes, cathédrales,
Qui sont pour nous autant d’absurdités.
Sans plus attendre vivons le communisme
Ne nous groupons que par affinités
Notre bonheur naîtra de l’altruisme
Que nos désirs soient des réalités.

Refrain:

Debout, debout, compagnons de misère
L’heure est venue, il faut nous révolter
Que le sang coule, et rougisse la terre
Mais que ce soit pour notre liberté
C’est reculer que d’être stationnaire
On le devient de trop philosopher
Debout, debout, vieux révolutionnaire
Et l’anarchie enfin va triompher.

Empare-toi maintenant de l’usine,
Du capital ne soyes plus serviteur
Reprends l’outil e reprends la machine
Tout est à tous, rien n’est à l’exploiteur
Sans préjugé, suit les lois de nature
Et ne produis que par nécessité
Travail facile, ou besogne très dure
N’ont de valeur qu’en leur utilité.

{au Refrain}

On rêve amour au-delà des frontières
On rêve amour aussi de ton côté
On rêve amour dans les nations entières
L’erreur fait place à la réalité
Oui, la patrie est une baliverne
Un sentiment doublé de lâcheté
Ne deviens pas de la viande à caserne
Jeune conscrit, mieux te vaut déserter.

{au Refrain}

Place pour tous au banquet de la vie
Notre appétit seul peut se limiter
Que pour chacun, la table soit servie
Le ventre plein, l’homme peut discuter.
Que la nitro, comme la dynamite,
Soient là pendant qu’on discute raison
S’il est besoin, renversons la marmite
Et de nos maux, hâtons la guérison

{au Refrain}

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